Vida príncipe pode ser tão bom

O príncipe deve aprender a não ser tão bom e piedoso. Também deve ser tão prudente capaz de fugir dos vícios que o fariam perder o poder. Quanto à liberalidade, se é usada de uma forma que é conhecida de todos, acaba por prejudicar o príncipe, fazendo com ele seja desprezado e odiado. Deve ser um pilantra, ninguém pode ser tão bom ou tão bobo! Por Maria Leocádia C.Viale ... sincero e o melhor que um ser humano pode ser . Concordamos que o príncipe sempre desperta o melhor das pessoas e também o amor das crianças. ... Tudo tem o lado bom e o ruim e a vida é maravilhosa de ser vivida mas dói. Acordo real com príncipe Harry poderá ser modificado Casal começa vida nova no Canadá sem saber ao certo como será o futuro; os dois continuarão a ser conhecidos como duque e duquesa de Sussex Príncipe da Vingança foi uma grata surpresa. Não esperava ser um livro tão bom! Parabéns Lani por esse livro maravilhoso. Já tinha lido algumas resenhas negativas sobre o livro e entendo que para quem não gosta de um romance hot, ele tem uma linguagem mais chula que você pode se assustar. Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News. Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter. Entender como estes aplicativos funcionam pode ser um bom primeiro passo para não ser tão afetado por eventuais fracassos virtuais. Leia também. O que é depressão? Dez dicas para evitar estresse durante o home office A correria desenfreada da vida que a gente vive nos causa viagens que, por vezes, nem queremos fazer. Aos dezessete anos, no primeiro quarto da vida, há uma enorme pressão a estabelecer uma profissão para uma vida inteira. Mulheres são pressionadas a casar antes dos 25, ter filhos antes dos 30 e, não bastasse, ser bem sucedida antes dos 35. Para todas as pessoas que amam as coisas simples da vida... quando vêem nas pequenas coisas a grandiosidade de tudo que nos cerca... de tudo que faz parte de nosso caminho o qual nos completa profundamente.. pois são nas pequenas coisas que percebemos o toque especial de Deus em nossas vidas! 'A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra, as vezes um simples sorriso, pode ... E se você espera por um príncipe encantado em um cavalo branco, você pode estar confundindo o príncipe com o sapo. Muitas promessas, ... longe de ser o homem da sua vida, seria bom evitar caso queira uma vida tranquila e feliz. Do contrário, você pode viver um inferno e ainda achar que a culpa é sua. ... mas ele é tão bom para você ... eu tenho um príncipe. Ele pode não ser tão encantado ou perfeito como os dos contos de fada, mas tem seus encantos qe me encantaram. rss e por mais qe hoje em dia seja bem dificil; um dia todo mundo encontra o seu príncipe ! Parabééns mais uma vez Ru! Beeeijos ;D. Responder Excluir Minha princesa linda, você é o meu trevo da sorte! Que seu dia seja tão bom quanto o efeito que você faz na minha vida. Minha menina, você me dá energia para encarar cada novo dia. Quando estamos juntos, tenho certeza de que encontrei a pessoa certa. Obrigado por ser esta luz na minha vida! Bom dia!

Capítulo 6 Traição no palácio

2020.09.24 05:05 DrackNael Capítulo 6 Traição no palácio

Traição no palácio

Quando Ulter Pendragon foi morto na batalha das planicies cinzentas, Camelot se viu em uma situação dificil, pois seu Rei havia morrido e o herdeiro recém havia nascido e não poderia governar até a maior idade, aos 16 anos, então só restou a Nero irmão mais novo de Ulter e também Lord de Praven, ficar como regente do reino até Artur assumir o trono, então com o reino sobre seu comando Nero decidiu dividir Camelot em duas, transformando Praven na capital de Camelot do leste, um ato que fora justificado para que pudesse governar melhor o reino da sua capital, e a cidade de Camelot pudesse governar melhor as terras do oeste, que ficaram então responsáveis por Merlin o tutor de Artur.
Mas agora que Artur havia feito 16 anos, Nero havia o convidado para se dirigir a Praven onde ia dar um banquete em comemoração ao futuro rei antes da sua coroação em Camelot no mês que vem, então Artur preparou uma comitiva real e se dirigiu a praven no litoral leste das terras de Camelot, uma viagem de 7 dias. A viagem ocorrerá bem todo o caminho e a comitiva chegou em segurança em Praven. Onde Nero os estava aguardando, com os preparativos do banquete sendo feitos.
Depois de todos instalados em seus aposentos, Artur é convidado por Nero a ir ao seu encontro em seu escritório.
-Então como está o futuro rei do mundo? -, Diz Nero abrindo os braços para dar um abraço no rapaz enquanto sai detrás da sua mesa.
-Estou bem tio, mas acho que rei do mundo é um pouco de exagero, não? -, diz o jovem terminando de abraçar seu tio, e se dirigindo para sentar em uma das cadeiras na frente da mesa.
-Exagero? Claro que não você sera o homem mais poderoso do mundo, todos irão temer você, quem sabe pode até mesmo guiar uma campanha contra os bárbaros do norte e usá-los de exemplo! -, diz o homem enquanto se dirigi para se servir uma bebida em uma mesinha junto da parede.
-Não quero governar pelo medo tio, já havíamos conversado sobre isso antes, quando pediu minhas tropas para guerras no norte, quero meu povo feliz e vivo! -, diz o príncipe.
-O mundo não é um grande arco-iris Artur um dia você vera isso, só espero que não seja tarde demais dai! -, diz o homem enquanto se ajeita na cadeira.
-Eu sei, o senhor já me disse isso antes, não sou ingênuo, e não estou sozinho, tenho grandes pessoas do meu lado! -, diz o jovem, não gostando do assunto da conversa.
-Assim espero meu sobrinho! -, diz o homem enquanto da um grande gole em sua bebida.
-Bom irei pros meus aposentos descansar, sabe quando os preparativos do banquete estarão prontos? -, pergunta o rapaz enquanto se levanta para se retirar.
-Não sei ao certo, um dia a mais outro a menos, quando estiver lhe aviso não se preocupe! -, diz o homem enquanto se levanta para se servir novamente.
Já em seus aposentos, Artur recebe a visita de Merlin.
-E então, tudo bem jovem príncipe? -, pergunta o mago.
-Sim! -, diz o jovem meio pensativo.
-O que o preocupa? -, pergunta o homem que havia reparado no olhar pensativo do rapaz.
-Porquê meu tio fez a gente viajar até aqui para um simples banquete? Sendo que eu ainda nem fui coroado, e era mais fácil ele ir até Camelot e ficar por lá, do que eu ter que vim até aqui, ter que voltar e depois ele ter que ir para lá para a minha coroação! -, diz o jovem meio inquieto.
-Hum, fazia tempo que vocês não se viam, quem sabe ele queria se aproximar de você antes de se tornar rei -, diz o mago começando a ficar pensativo também, pois conhecia Nero melhor que Artur, era um homem suspeito sempre foi, na batalha que resultou na morte de Ulter, Nero e seus homens eram para ser os reforços do rei na batalha, mas nunca chegaram la o que resultou da ida pessoalmente do rei no campo de batalha, que resultou a sua morte, Nero disse que a carta com os pedidos de reforços nunca chegou nele, mas ela havia sido enviada pelo próprio merlin e selada com a mais poderosa das magias e o mensageiro era o melhor cavaleiro do reino que nunca fui encontrado depois disso. Mas não era um assunto pra preocupar o futuro rei, afinal ele não tinha provas, e nem sabia exatamente do que acusar Nero.
-É talvez possa ser isso, da última vez que nos vimos foi quando eu tinha 9 anos e vocês foram pedir minha autorização para invadir as terras do norte, algo que eu recusei na ocasião por conselho seu Merlin, e algo que meu tio voltou a me pedir hoje a tarde! -, diz o jovem enquanto se deitava na cama para pensar e descansar um pouco.
-Eu sei alteza e fico grato por ter me ouvido na ocasião, Camelot não tem nada a ganhar invadindo o norte, nossas fronteiras são bem defendidas por Borus, Tristão e Percival, não ha motivos para uma invasão! -, diz o mago.
-É eu sei, mas por algum motivo meu tio insiste em querer varrer aquela gente do mundo, vai saber o motivo! -, diz o jovem se virando para o lado.
-Deixarei o senhor descansar agora alteza, com licença! -, diz o mago saindo do quarto.
Do lado de fora da porta do quarto do príncipe está parado em guarda um homem alto, forte, de cabelos longos, que se perdem boa parte em baixo do seu elmo prateado, segurando uma lança em uma das mãos.
-Se alguém vier ver o príncipe me avise por favor Lancelot, tenho que dar uma volta -, diz o mago para o homem.
-Sim senhor, posso saber aonde vai? -, pergunta o homem mantendo a postura.
-Irei ver se acho algum segredo nessa linda cidade -, diz ele se afastando.
Mas as palavras de Artur haviam colocado um pouco de dúvida na cabeça do mago, afinal estava certo não havia motivo pra eles terem viajado até ali para um simples banquete, sendo que no mês que vem Artur seria coroado e haveria um grande festival na capital. Então o mago foi para o seu quarto, onde começou a conjurar magias, primeiro começou colocando barreiras de proteção em seus mais valiosos aliados, o príncipe, ele mesmo e os 3 cavaleiros reais que os acompanhavam, Merlin era um mago poderoso podia conjurar poderosas magias a distância, as de proteção apenas bastava estar a uma distância razoável e se concentrar em quem gostaria de lança-las, ainda bem que todos os quartos dos membros do grupo eram um do lado do outro, então começou a concentrar sua energia através do castelo, procurando focos mágicos, quando percebeu que havia uma poderosa barreira em volta do palácio, mas era normal ja que abrigava um rei e um regente, más ainda assim era uma mágia bem poderosa, e ele não sabia de magos tão fortes assim na corte de Nero, foi quando ele viu um foco de energia poderoso no subsolo do palácio, protegido por uma barreira de ocultação, provavelmente seriam cristais de energia, somente eles poderiam ter um foco tão grande assim de energia sem estar ativo, cristais de energia eram poderosos, ele eram carregados com a energia de uma ou várias pessoas até um limite, e poderiam ser usados para criar enormes explosões quando estressados, que poderia ser facilmente ativado por alguém que estivesse focado neles. Era algo suspeito sem dúvidas, mas Merlin não podia fazer nada a não ser esperar para ver.
Dois dias depois Artur e seu pessoal recebem a notícia de que os preparativos do banquete estavam prontos e que o banquete seria realizado essa noite.
-Já estava na hora -, diz Artur se dirigindo a Merlin que estava com ele em seu quarto.
-Me pergunto porquê os preparativos de um banquete demorarem tanto, sendo que chegamos a 2 dias e nenhum outro convidado chegou depois, achei que Nero estivesses esperando mais pessoas! -, diz Merlin pensativo.
-Vai saber, meu tio é assim! -, diz o jovem não dando muita bola para as dúvidas de Merlin.
Naquela noite o jovem e seus quatro acompanhantes se dirigiram para o salão principal onde seria o banquete, duas mesas grandes e compridas foram colocadas uma em cada lado da sala, com um grande espaço no meio das duas, aparentemente parecia que haveria algum tipo de apresentação. Artur e seus amigos se sentaram em uma das mesas, havia pouco mais de vinte pessoas fora eles e o próprio Nero que se sentava em uma mesa sozinho que ficava na ponta das duas grandes e virada para frente. O banquete tem início, alguns homens tocam um pouco de música no canto do salão enquanto todos bebem, comem e se divertem, depois de um tempo Nero anuncia que haverá uma apresentação em homenagem ao seu sobrinho que agora era um homem e futuro rei de Camelot, então pouco tempo depois um grupo de 6 homens entra dançando no salão o que aparenta ser uma dança, mas com demonstração de batalha, pois todos usavam uma adaga e simulavam combate entre si, mais atrás vinha outro homem, usando uma túnica que cobria todo seu corpo e usava uma mascará negra, em uma das mãos vinha se apoiando em um cajado como se fosse manco, enquanto dizia algumas palavras em tom poético, a música fica mais animada e densa. Más então Merlin tem um pressentimento, e quase na mesma hora todos os membros do seu grupo também, pois afinal eram todos guerreiros experientes sabiam quando algo estava errada e seu sexto sentido era aguçado, todos os 4 homens resolveram se concentrar mais no que estava acontecendo a sua volta, Dagoneth já levou a mão no cabo da sua espada que estava na sua cintura, Simão foi largando o copo de bebida na mesa e colocando a mão em cima de uma das facas da mesa, Lancelot já foi se preparando para proteger Artur se algo acontecesse, Merlin já segurou firme seu cajado que estava sempre com ele, menos Artur que continuou da mesma forma prestando atenção no show aparentando não perceber nada de errado. Quando os homens que estavam fazendo o show de repente partem pra cima da mesa do príncipe, com um movimento do seu cajado Merlin lança todos pra longe com uma espécie de soprão de ar, de repente todos os outros convidados do banquete se transformam usando as mesmas roupas que os homens do show usavam, aparentemente eram todos do mesmo grupo, então o homem de túnica que estava citando seus versus conjura uma magia fazendo com que vinhas brotem do chão e agarrem Merlin, imobilizando o mago e retirando dele seu cajado e o lançando para longe, nisso Lancelot se levanta virando a grande mesa onde estavam, já conjurando sua lança em suas mãos.
-O que é isso tio? Ficou loco? -, diz Artur a Nero que estava rindo loucamente sentado na sua cadeira.
-Matem, matem eles, matem todos -, berra Nero em um estado de loucura.
Todos partem para cima do grupo, eram muitos para se enfrentar, com um movimento Lancelot salta por cima da mesa entrando em combate com vários homens, era um excelente guerreiro não se deixaria intimidar por simples assassinos, Dagoneth saca sua espada, também pulando a mesa para entrar em combate, Simão parte em direção ao mago que estava prendendo Merlin, no caminho nocauteia um dos assassinos com um gancho de direita, outro vem em sua direção e ele lança a faca que tinha pegado da mesa bem em sua garganta, e com um movimento das mãos ele faz a adaga do homem caído voar para sua mão, o mago tenta se proteger criando uma barreira de fogo bem na sua frente para ele não passar, mas o cavaleiro não teme e salta por dentro dela, apunhalando o mago bem no peito, mas detrás do mago surge um outro homem que empala os dois com um espinho gigante de gelo, quando o mago que Simão havia apunhalado começa a se rachar e quebra em pequenos fragmentos de gelo, era uma cópia de gelo do mago real, mas toda aquela confusão foi o suficiente para Merlin se soltar e agarrar seu bastão.
-Juntem-se rápido -, grita ele para os membros do grupo.
Então com um sorriso o mago que havia matado simão ativa todas as cargas de cristais de energia que estavam colocados em baixo da mesa onde o grupo estava, e uma grande explosão acontece varrendo metade da sala onde eles estavam, criando uma enorme destruição, metade da parede havia caído, fumaça e poeira para todo o lado.
-Você esta louco Mesmero? Quer me matar junto? -, grita Nero que se levanta coberto de poeira.
Mas conforme a poeira vai baixando vem a mostra que o grupo não foi morto, Merlin com seu enorme poder conjurou uma poderosa barreira em volta deles, mas a explosão foi violenta de mais e o mago usou muito da sua energia, só restando uma coisa a se fazer.
-Sinto muito Artur-, diz ele se dirigindo ao príncipe que se levantava tossindo por causa da poeira.
Então com um movimento o homem conjura uma magia de teletransporte, levando Artur, Lancelot e Dagoneth pro lado de fora da cidade.
-Hahaha -, começa a rir Mesmero, -então você percebeu que eu havia lançado uma magia de destruição em você -, continuou ele enquanto dava risada.
-Ligação de alma -, diz Merlin ajoelhado exausto, - um truque tipico de alguém da sua laia -, diz o mago enquanto é cercado.
-Mate-o, mate ele -, diz Nero aos homens.
-Não façam isso! -, diz Mesmero, -Ligação de alma é uma magia bem poderosa e destrutiva, quando o aprisionei com as vinhas, eu a usei, pois sabia da sua magia de teletransporte, sem dúvidas suas habilidades fazem jus a sua fama meu amigo -, diz o homem se aproximando de Merlin.
-E o que é essa ligação de alma? -, pergunta Nero enquanto procura naquela destruição toda algo para beber.
-Quando eu a uso em alguém, se essa pessoa se afasta muito de mim ela explode, se ela fica sem energia, ela explode, se eu morro, ela explode, no final tudo termina em uma explosão não é mesmo? -, diz Mesmero parando na frente de Merlin.
-Então por que não podemos mata-lo agora? -, pergunta Nero enquanto se serve de uma jarra de vinho quebrada que achou nos escombros.
-Por que meu adorável futuro rei, se essas coisas acontecem com ele, acontecem comigo também não é mesmo? -, diz ele olhando para Merlin.
-Então o que me impede de ti matar agora? -, diz Merlin olhando bem nos olhos de Mesmero.
-Um sacrifício?? owwn que nobre, mas nós dois sabemos que você esta com quase nada de energia meu amigo, poderia tentar uma última magia, mas com essa energia não seria uma boa o suficiente e você se sacrificaria em vão, gostaria de tentar a sorte? -, diz ele enquanto da uma gargalhada.
Mas o mago nada diz, apenas abaixa sua cabeça, havia subestimado seu oponente, colocou a vida do seu pupilo e príncipe em risco, Merlin estava sentindo uma tremenda humilhação.
-Levem-no para o calabouço -, diz Mesmero aos homens.
-Quanto tempo vai durar essa magia? -, questiona Nero.
-Algumas horas, não da pra desfaze-la é uma faca de dois gumes, vamos trancafia-lo, preparei uma sela com várias magias, ele não poderá sair de lá nem se teletransportar la de dentro, ficara la para sempre-, diz Mesmero com um tom confiante.
-Então podemos mata-lo quando terminar o efeito não? -, pergunta Nero.
-Se você quiser arriscar em entrar em uma cela com o maior mago do mundo com as energias já restauradas vá em frente, só me avise antes para eu estar bem longe! -, diz Mesmero enquanto se dirige para a saída.
-Bom trabalho Mesmero, agora vá preparar as tropas para a guerra civil, caso seus assassinos não consigam encontrar Artur -, diz Nero enquanto pega um pedaço de carne para comer.
-Irei preparar as tropas, dois dos maiores cavaleiros do reino estão com ele, tivemos sorte em conseguir matar um aqui, Lancelot vai estar em alerta agora, eu não confiaria que conseguiremos pegar o garoto -, fala Mesmero sumindo na porta.
-EU QUERO A CABEÇA DELE MESMERO, OU SERÁ A SUA!!! -, grita Nero enquanto joga a carne e sua taça na parede.
Do lado de fora da cidade.
-Merlin, Simão! -, diz Artur caindo ajoelhado, com os olhos lacrimejando, -, mas como? porquê?-, diz ele enquanto cai no choro, totalmente sem consolo.
-Temos que ir Alteza, seu tio provavelmente vai mandar gente atrás de você, se a intenção era assassiná-lo ele não vai parar agora, sinto muito -, diz Lancelot enquanto coloca a mão no ombro do rapaz.
-De um tempo para ele Lance! -, diz Dagoneth.
-Não há tempo a perder, sinto por Simão e Merlin-, Diz Lancelot,- mas eles morreram protegendo o senhor, não podemos deixar que tenha sido em vão, o senhor tem que ficar em segurança rápido -, diz ele se dirigindo a Artur, que começa a se levantar limpando as lágrimas.
-Sim, você tem razão, Nero pagará por isso, com sua vida -, diz Artur disparando um olhar furioso para a cidade.
-Temos que sair das estradas, e tomar um caminho diferente para Camelot -, diz Lancelot, -Vamos para o sul, depois para o Oeste, paramos na cidade de Heisemburg, la pedimos um contrato com a guilda de aventureiros, mais algumas pessoas podem disfarçar nosso grupo em uma caravana mercante -, termina Lancelot.
-Mas com que dinheiro criaremos um contrato na guilda? -, pergunta Artur.
-Nós temos nossas bolsas com capacidade ilimitada, temos muito dinheiro guardado dentro delas -, completa Dagoneth.
-Então vamos, não há tempo a perder, livrem-se de suas armaduras e itens brilhantes, teremos que nos misturar a pessoas comuns para não chamar atenção -, diz Lancelot.
Então logo após se organizarem o pequeno grupo parte para o sul.
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2020.09.21 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 9)

Vamos fechar A Tormenta de Espadas.
Assim como ocorreu com a tomada de Ponta Tempestade, Stannis tem muitas recompensas narcísicas ao ajudar a Patrulha da Noite. Ele se instala na Torre do Rei (que não é nenhum trono de ferro, mas já significa algo), consegue uma vitória esmagadora, captura centenas de prisioneiros, enxerga oportunidades nos castelos e terras abandonados da Patrulha e encontra Jon Snow.
Sim, Jon Snow é tratado pelo Rei de Pedra do Dragão como um sinal de R’hllor, pois seus planos inicias limitavam-se em chegar até a Muralha:
Pode ser que me engane com você, Jon Snow. Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra.
(ASOS, Jon XI)
Stannis também está novamente em seu ambiente, se preparando para uma guerra. Em vez de estar sentado, isolado, derrotado e tendo que decidir se sacrifica uma criança para realizar uma antiga profecia, Stannis está ouvindo relatos de primeira mão de pessoas que viram o inimigo em carne (gelo) e osso. Até pelo Portão Negro o rei se interessa.
Diferentemente de estar apático e entregando o controle dos homens a outras pessoas (como estava fazendo em Pedra do Dragão), Stannis volta a seu papel de comandante com punho de ferro. Os homens da Patrulha notam facilmente a diferença entre os homens do Rei e os homens da Rainha:
Aqueles eram homens do rei, porém; Sam rapidamente tinha aprendido a diferença. Os homens do rei eram tão terrenos e ímpios como quaisquer outros soldados, mas os da rainha eram fervorosos na sua devoção a Melisandre de Asshai e ao seu Senhor da Luz.
(ASOS, Samwell IV)
O sabor da vitória na Muralha também reaviva o senso de justiça de Stannis.
O Rei Stannis mantém bem os seus homens na mão, isso é evidente. Deixa-os saquear um pouco, mas só ouvi falar de três selvagens estupradas, e os homens que o fizeram foram todos castrados.
(ASOS, Samwell IV)
Vestido como um homem comum da Patrulha da Noite, pode-se dizer que o rei está de volta a sua confortável simplicidade. Entretanto, ainda usa um broche com seu coração flamejante.
Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso comum broche coma forma de um coração flamejante.
(ASOS, Jon XI)
Eu não saberia afirmar com certeza, mas ao falar apenas do pequeno broche sem mencionar a coroa, GRRM nos dá a impressão de que Stannis estaria menos disposto a ostentar símbolos religiosos que causassem estranheza. De fato, Stannis chega a Castelo Negro portando dois estandartes, um da Casa Baratheon e outro com o coração flamejante.
Flutuando sobre eles vislumbravam-se os maiores estandartes vistos até então, estandartes reais grandes como lençóis; um amarelo com longas pontas, que exibia um coração flamejante, e outro que era como uma folha de ouro martelado, com um veado negro empinando-se e ondulando ao vento.
Robert, pensou Jon durante um momento louco [...]
(ASOS, Jon X)
Eu não duvidaria que a idéia de usar ambos os estandartes tenha vindo de Davos, pois ele já observara que o veado coroado poderia funcionar para elevar o moral dos aliados da Casa Baratheon e intimidar inimigos:
No topo das ameias da Fortaleza Vermelha flutuavam os estandartes do rei rapaz: o veado coroado de Baratheon no seu fundo dourado, o leão de Lannister sobre carmim. […] O coração flamejante estava por toda parte, embora o minúsculo veado negro aprisionado nas chamas fosse pequeno demais para se ver. Devíamos ter hasteado o veado coroado, pensou. O veado era o símbolo do Rei Robert, a cidade rejubilaria ao vê-lo. Esse estandarte de um estranho só serve para colocar os homens contra nós.
(ACOK, Davos III)
Entretanto, convém observar que, aparentemente, o estandarte Baratheon clássico é maior do que o Coração Flamenjante:
O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa comas flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, como fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
(ASOS, Samwell IV)
O que isso quer dizer? Provavelmente nada, afinal Stannis ainda está firme me sua aliança com Melisandre.
Homens da rainha – disse-lhe Pyp […] -– mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, coma filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
(ASOS, Samwell IV)

É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
(ASOS, Jon XI)
O rei ainda fala em entregar prisioneiros às chamas como método de execução:
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas.
(Jon XI)
Inclusive, quando Jon Snow aponta que seus votos o impedem de aceitar a oferta de Stannis, Melisandre apresenta argumentos inteiramente baseados em sua fé e ainda fala em queimar represeiros, em um gesto explícito de intolerância religiosa, sem que Stannis lhe faça qualquer reprimenda.
R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
(ASOS, Jon XI)
Então por que Stannis fica desconfortável quando Melisandre declama diante dos homens da Patrulha que ele é Azor Ahai renascido?
[...] todos pareceram surpreendidos ao ouvir Meistre Aemon murmurar:
A guerra de que fala é a guerra pela alvorada, senhora. Mas onde está o príncipe que foi profetizado?
Ele está na sua frente – declarou Melisandre –, embora não tenha olhos para ver. Stannis Baratheon é Azor Ahai regressado, o guerreiro do fogo. Nele, as profecias cumprem-se. O cometa vermelho ardeu no céu para anunciar a sua vinda, e ele traz a Luminífera, a espada vermelha dos heróis.
Sam viu que as palavras dela pareceram deixar o rei desesperadamente desconfortável. Stannis rangeu os dentes e disse:
Chamaram, e eu vim, senhores. Agora têm de sobreviver comigo, ou morrer comigo. É melhor que se habituem a isso.
(ASOS, Samwell V)
A resposta mais óbvia é a de que ser a reencarnação de um herói mítico o lembra dos problemas que ele enfrentou aproximadamente 1 mês antes em Pedra do Dragão, envolvendo o sacrifício de Edric Storm.
Como dito acima, Stannis parece estar confortável em seu antigo papel de comandante militar e rei. Nós vimos a mesma coisa acontecer após a morte de Renly. O que trouxe Stannis à Muralha foi mais o senso do dever do que as previsões de Melisandre.
Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos.
(ASOS, Jon XI)
Aparentemente, Davos foi muito competente em conciliar os deveres de Stannis como herói com suas obrigações como rei sem envolver de maneira alguma a profecia de Azor Ahai:
Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
(ASOS, Jon XI)
Esta versão agnóstica de seu propósito de vida parece ter agradado bastante Stannis e se projeta para o futuro da história, como veremos em A Dança dos Dragões. Por isso os discursos de Melisandre sobre profecias orientais parecem um pouco fora do contexto quando ele fala aos irmãos negros.
É interessante notar também que pode ser simplesmente que Stannis continue cético quanto a ser Azor Ahai. Principalmente depois que Melisandre deixou ser enganada por Davos, bem de baixo de seu nariz. Aliás, se o cavaleiro das cebolas refletisse sobre o que a própria Melisandre lhe disse sobre o dom para ver as chamas, poderia até alegar para Stannis que a visão que ele viu no fogo deveria ser uma farsa. A sacerdotisa diz que a leitura das chamas requerem anos de prática e zomba de sor Axell por ter-se dito capaz (talvez porque tenha sido ela quem forjou imagens nas chamas enquanto mostrava a ele):
– O fogo é uma coisa viva – a mulher vermelha tinha dito, quando lhe pediu que o ensinasse a ver o futuro nas chamas. – Está sempre em movimento, sempre em mudança... como um livro cujas letras dança me se movimentam mesmo enquanto se está tentando lê-las. São precisos anos de treino para ver as silhuetas por trás das chamas, e mais anos ainda para aprender a distinguir as silhuetas daquilo que irá acontecer das que mostram o que poderá acontecer ou o que já aconteceu. Mesmo então, é difícil, difícil. Vocês, os homens das terras do poente, não compreendem. – Davos perguntou-lhe então como Sor Axell tinha aprendido tão depressa o truque, mas ao ouvir isso ela limitou-se a dar um sorriso enigmático e dizer: – Qualquer gato pode fitar uma fogueira e ver ratos vermelhos brincando.
(ASOS, Davos VI)
Porém, eu não acredito que seja o caso. Davos não deve ter feito esta conexão. Caso contrário, o comportamento de Stannis seria outro. O Baratheon do meio tem uma tolerância pequena a ser feito de bobo.
Os homens da Patrulha aprendem isso rapidamente com a eleição do novo Lorde Comandante. A demora na escolha deixa o rei furioso a ponto de Stannis fazer diversas ameaças e gestos tolos de vingança, como quando ele deixa os homens da Patrulha ajoelhados por muito tempo sem dar licença para que eles levantem da saudação.
O rei estava zangado. Sam viu-o de imediato. Enquanto os irmãos negros entravam, um a um, e ajoelhavam na sua frente, Stannis afastou o café da manhã de pão duro, charque e ovos cozidos, e olhou-os friamente. A seu lado, a mulher vermelha, Melisandre, parecia achar a cena divertida.
O Rei Stannis manteve os irmãos negros de joelhos durante um tempo extraordinariamente longo.
(ASOS, Samwell V)
O rei também já havia confidenciado a Jon Snow que iria sovar o novo Lorde Comandante a fim de instalar os selvagens na Dádiva:
Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante.
(Jon XI)
E completa:
Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir.
(Jon XI)
Mais tarde, Samwell usa estes posicionamento de Stanis para criar um boato de que o rei pretende ele mesmo nomear o próximo Lorde Comandante. Mas não só ele. Os rumores também estão sendo utilizados pelos apoiadores de Janos Slynt.
Se permitirmos que Stannis escolha nosso Senhor Comandante, transformamo-nos em seus vassalos em tudo menos no nome. Não é provável que Tywin Lannister se esqueça disso, e você sabe que será Lorde Tywin quem vai ganhar no fim. Já derrotou Stannis uma vez, na Água Negra.
(ASOS, Jon XII)
Porém, Stannis realmente planejava interferir na eleição da Patrulha?
O rei de Pedra do Dragão fez algumas ameaças contundentes aos irmãos negros que parecem indicar que ele está realmente disposto a interferir nas escolhas da Patrulha.
[...] Seus irmãos escolherão um Senhor Comandante esta noite, caso contrário eu farei desejarem que tivessem escolhido.
(ASOS, Samwell V)
Até mesmo depois de que o processo estava acabado, Stannis continuava ameaçando remover Jon do cargo caso fosse contrariado.
[…] Disseram-me que você é o nonocentésimo nonagésimo oitavo homem a comandar a Patrulha da Noite, Lorde Snow. O que você acha que o nonocentésimo nonagésimo nono diria sobre esses castelos? A imagem de sua cabeça em uma lança poderia inspirá-lo a ser mais prestativo. – O rei pousou sua brilhante espada sobre o mapa, ao longo da Muralha, o aço brilhava como a luz do sol na água. – Você só é Senhor Comandante com meu consentimento. É bom que se lembre disso.
(ADWD, Jon I)
O clima de interferência é tão intenso que isso torna verossímil os boatos que tanto Samwell quanto Alliser Thorne inventaram. Porém, também é forte entre os irmãos a noção de que a interferência é ilegal, como afirma Denys Mallister.
Concordo que seria um dia negro na nossa história se um rei nomeasse o nosso Senhor Comandante.
(ASOS, Samwell V)
Então como explicar que uma pessoa reta como Stannis estaria tentando fazer manobras ilegais para obter um homem que lhe fosse favorável no comando da Patrulha? A resposta é bastante óbvia: ele não está.
Stannis sabe que, se quisesse, poderia facilmente dobrar a Patrulha.
Eu tenho três vezes mais homens do que vocês. Posso ocupar as terras, se quiser, mas preferiria fazer isso legalmente, como seu consentimento.
(ASOS, Samwell V)
Todo este som e fúria de ameaças e protestos são o modo que Baratheon encontrou de fazer com que a burocracia dos irmãos negros não atrapalhe a campanha que ele mal iniciou.
A Senhora Melisandre disse-me que ainda não escolheram um Senhor Comandante. Estou descontente. Quando tempo mais esta loucura vai durar? […] Tenho cativos cujo destino deve ser decidido, um reino que precisa ser posto em ordem, uma guerra a travar. Escolhas têm de ser feitas, decisões que envolverão a Muralha e a Patrulha da Noite. Por direito, o seu Senhor Comandante deveria ter algo a dizer nessas decisões. [...] Se por acaso Lorde Janos aqui for o melhor que a Patrulha da Noite tema oferecer, rangerei os dentes e engolirei esse fato. Não me importa nada quem de seus homens será escolhido, desde que façam uma escolha.
(ASOS, Samwell V)
O rei fala isso mais de uma vez.
Poupe-me de sua bajulação, Janos, que não lhe servirá de nada. […] – Não é meu desejo imiscuir-me em seus direitos e tradições.
(ASOS, Samwell V)
Quanto a Stannis ter mostrado inclinação a retirar seu consentimento com a escolha de Jon, literalmente ameaçando matá-lo, deve ser observado que Stannis poderia ter cumprido suas ameaças naquela oportunidade, mas não o fez. Baratheon provavelmente estava querendo descontar a rasteira sofrida Jon ter sido eleito antes mesmo de aceitar ou negar a oferta de se tornar Senhor de Winterfell. Por isso, todas as ameaças que fez foram vazias, assim como são quase todas, segundo Melisandre:
A mulher vermelha desceu a escada ao lado deJon. – Sua Graça está gostando cada vez mais de você.
Percebi. Ele só ameaçou cortar minha cabeça duas vezes.
Melisandre riu.
São seus silêncios que você deve temer, não suas palavras.
(ADWD, Jon I)
Antes de encerrar as análises de A Tormenta de Espadas, eu gostaria de lhes deixar com um pequena questão que eu não soube responder:
Por que Stannis lembra Catelyn a Jon?
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. Com os seus profundos olhos azuis e a boca dura e fria, parecia-se um pouco com Stannis. Ferro, pensou, mas quebradiço. Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa. Quem é você?, sempre lhe parecia que aquele olhar dizia. Este não é o seu lugar. Por que está aqui?
(ASOS, Jon XII)
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2020.09.13 22:39 TravsTravinho Por que as pessoas têm medo de assumir um namoro? Por que é tão difícil mergulhar no amor e aproveitar os bons momentos?

Eu (20H) conheci esse menino (19H) no Tinder faz alguns meses, acho que há uns 4 ou 5 pra ser mais exato. Ele é bem bonitinho e é o meu tipo rs, mora em uma cidade que fica meia-hora de estrada da minha. Eu me divido entre morar aqui e em outra cidade (300km de distância) onde faço faculdade, e ele faz faculdade do outro lado do Brasil. Ambos estamos de volta nas nossas cidades natais por conta da quarentena em 2020 e das aulas estarem rolando online.
Nós conversamos alguns dias sem parar por mensagem, eventualmente esquecemos um pouco, mas depois voltamos a conversar por ter dado um segundo match no Tinder, daí fui bem direto, já que nunca consigo um date nesse raio de aplicativo e resolvi chamá-lo pra sair (isso em Julho). Saímos, ele veio pra cá, e como eu tenho carro a gente começou a dar bastante rolê por aqui, e depois eu sempre levo ele de volta na cidade dele, ficamos sempre batendo papo até de madrugada no carro. Contudo, ele não pode ficar aqui em casa e nem eu posso ficar na casa dele, porque ambos estamos ficando na casa dos pais.
A maneira que achamos de ter um momento foi a de irmos para a cidade onde faço faculdade, lá eu tenho minha casa e podemos passar um tempinho mais íntimos. Acho que no nosso quarto date fomos passar uns 4 dias lá. De qualquer forma é meio caro, e pegar um avião pra cidade dele não é uma opção também, pelo menos não agora com o preço das passagens. Normalmente fazemos sexo no carro perto da casa dele, e sim, eu sei, é triste a vida do gay que não pode ter intimidade com alguém.
De qualquer forma toda semana a gente se encontra, ele não tem tanta grana e acaba que eu pago muitas coisas pra ele. Durante o mês de Agosto, entre a viagem pra minha cidade, idas e voltas da cidade dele, restaurantes e gasolina eu acabei gastando 2.100 reais!!! Eu não sou rico nem nada, eu só ganho uma boa bolsa de 1.500 reais pela faculdade, que não tenho usado pra nada esse ano (to na casa dos meus pais desde Março) e tenho um tantão desses meses todos guardado na poupança para viajar ano que vem.
Estamos muito bem até então, passamos noites e noites conversando no Discord, vendo Netflix juntos. Ele já sabe muito sobre a minha vida, sobre meus relacionamentos passados, meus amigos, minha família e eu sei sobre o dele, incluindo o péssimo passado que ele teve com um ex-namorado abusivo. Ele me diz que sempre foi um inocente apaixonado, e se jogou muito facilmente nesse relacionamento com o ex, o que gerou muitos traumas, crises de pânico, rolou traição e mais um monte de coisas bem pesadas que não quero falar aqui.
Eu sou um cara bem de boa, ele diz que eu sou um príncipe, que nunca conheceu alguém que o tratasse tão bem, que fosse tão inteligente, atencioso. Acho que parte disso é que nos meus relacionamentos passados eu aprendi a me importar muito com quem eu amo, e realmente, eu sempre faço muitos elogios pra ele, tento fazer ele se sentir seguro, e por mais que ele tenha dificuldades de acreditar que alguém realmente gosta dele, sempre gosto de afirmar como ele é importante, autossuficiente, e merece tudo de bom no mundo, que ninguém mais pode fazer com ele o que o ex fez. Eu sou o tipo de namorado que mostra o quanto gosta e se importa desde coisas pequenas, como abrir a porta do carro , até imaginar que eu me jogaria na frente de um tiro por quem eu amo, e eu o amo. Amo muito, nunca conheci alguém assim, e eu sei quando é paixão e quando é amor, sou novo, mas eu sempre fui meio precoce rs e precisei amadurecer muito cedo na vida.
Ele disse que me ama primeiro, não sei, eu aprendi a não admitir isso tão cedo, ver onde estou pisando e ver se realmente há reciprocidade. Posso tecer mil elogios mas só digo que amo quando tenho certeza. Tudo parece muito perfeito (exceto pelo dinheiro rs), mas ele não quer namorar, ele tem medo, muito medo. Medo de se entregar e fazerem de novo com ele o que ele sofreu, medo de que algum príncipe como eu resolva mudar meu jeito repentinamente e vire um monstro, usando da dependência emocional dele como arma, chantageando, traindo, etc. Medo de voltar para a cidade da faculdade dele e estar preso em um relacionamento com alguém há quase três mil quilômetros de distância, por mais que eu não veja problema em voar até lá para vê-lo. Medo da palavra “namorado”.
Sério, a gente já faz tudo que um casal de namorados faria, talvez seja meio cedo, mas ele diz que não quer ficar com outras pessoas além de mim, e eu digo o mesmo, ele diz que me ama e que não vê o dia dele sem falar comigo, que não consegue ficar longe de mim por muito tempo e já morre de saudade quando a gente se despede, ficamos conversando no carro, ouvindo música, mostrando qualquer coisa no celular um pro outro até a bateria acabar e perdermos noção do tempo. Já cheguei em casa 5h da manhã uma vez sem saber que horas eram ou por quanto tempo ficamos juntos. Ontem assistimos um filme em call pelo Discord e eu assisti ele dormir por umas duas horas enquanto eu estudava para uma prova que fiz hoje cedo, e quando ele acordou no meio da noite disse que não queria desligar, que queria dormir sentindo como se estivesse comigo, abraçando o travesseiro. Mesmo assim, ele não quer me chamar de namorado.
Mas, se o sentimento que eu sinto por ele é tão bom e puro, se nosso amor é tão saudável e cresce cada dia mais, por que precisamos nos segurar e não nos jogar no amor? Como pode uma pessoa traumatizar outra a ponto de alguém ter tanto medo de uma palavra?
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2020.09.11 03:02 altovaliriano O que as profecias em Sonho Febril nos dizem sobre as profecias em ASOIAF

UM ALERTA BEM ÓBVIO:
Este texto contém muitos spoilers de Sonho Febril.
Siga lendo por sua conta e risco.
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Sonho Febril é um livro singular. Não só é uma grande reformulação do mito do vampiro, como também um grande exercício de reformulação da história de nosso mundo para comportar novos mitos sobre vampiros. Dito de outra forma, percebemos que Martin quase criou um mundo secundário quando quis contar as histórias e lendas do Povo da Noite, e por isso é inescapável a sensação de que estamos lendo um rascunho dos temas mais tarde explorados por ele em Crônicas de Gelo e Fogo.
Um desses temas me chamou a atenção de forma especial: a existência de uma lenda sobre um salvador da raça. Quando Joshua York conta a Abner Marsh sobre seus primeiros encontros com outros vampiros e sua cultura, ele conta a lenda bem peculiar sobre o “Rei Pálido”:
De todas as bocas ouvi uma lenda de uma cidade que construímos, uma grande cidade da noite, feita em ferro e mármore negro dentro de algumas cavernas escuras no coração da Ásia, junto às praias de um rio subterrâneo e de um mar nunca tocado pelo sol. Muito antes de Roma ou mesmo de Ur, nossa cidade havia sido grande, garantem eles, em flagrante contradição com a história que haviam me contado antes, de que corríamos nus por florestas de inverno iluminadas pela lua. Segundo o mito, fomos expulsos de nossa cidade por algum crime, e vagamos esquecidos e perdidos por milhares de anos. Mas a cidade estaria lá ainda, e algum dia irá nascer um rei para o nosso povo, um mestre de sangue maior do que qualquer um que já tenha existido, que reúna nossa raça dispersa e nos conduza de volta à cidade da noite junto ao seu mar sem sol.
Abner, de tudo que ouvi e aprendi, esse relato foi o que mais me impressionou. Duvido que exista uma grande cidade subterrânea como esta, duvido que jamais tenha existido, mas o próprio fato de se contar uma história assim prova a mim que meu povo não era feito desses vampiros maus e vazios da lenda. Não tínhamos arte, nem literatura, nem mesmo uma língua própria, mas a história me mostrou que tínhamos a capacidade de sonhar, de imaginar. Nunca construímos, nunca criamos, apenas roubamos seus trajes e vivemos em suas cidades e nos alimentamos da sua vida, da sua vitalidade, do seu sangue, mas éramos capazes de criar; se nos fosse dada a oportunidade, tínhamos em nós a capacidade de sussurrar histórias de cidades nossas. A sede vermelha tem sido uma maldição, tornou inimigas a nossa raça e a sua, destituiu meu povo de quaisquer aspirações nobres. O selo de Caim, sem dúvida.
Tivemos nossos grandes líderes, Abner, mestres de sangue reais e imaginados, em eras passadas. Tivemos nosso César, nosso Salomão, nosso João, o Presbítero. Mas estamos esperando nosso libertador, esperando nosso Cristo.
(Sonho Febril, Cap. 14)
O Povo da Noite tinha portanto duas contingências que o Rei Pálido surgiria para resolver: 1) devolvê-los à sua cidade mística ao abrigo do sol e 2) libertá-los da sede por sangue (sede vermelha). Quando Joshua traz sua bebida neutralizadora da sede aos vampiros que o serviam, imediatamente eles passam a vê-lo como o salvador das lendas:
No aconchego das ruínas daquele sombrio castelo, ouvindo o vento uivar lá fora, Simon e os outros tomaram minha bebida, contaram-me histórias e me examinaram atentamente com seus olhos poderosos e febris, e fiquei imaginando o que poderiam estar pensando. Cada um deles era centenas de anos mais velho do que eu, mas eu era mais forte, eu era o mestre de sangue. Eu lhes trouxera um elixir que bania a sede vermelha. Eu parecia quase semi-humano. Abner, eles me viam como o libertador da lenda, o prometido rei dos vampiros. E eu não podia negar isso. Era o meu destino, soube então, libertar minha raça das trevas.
(Sonho Febril, Cap. 14)
Este tipo de profecia que envolve o nascimento de algum monarca que salvará uma raça inteira e libertá-la de suas contingências também aparece em ASOIAF na figura de Azor Ahai, mais especificamente em sua versão ocidentalizada: O Príncipe que foi Prometido.
Sabemos que a Azor e o Príncipe são lendas sinônimas porque os elementos das histórias se combinam. Nascido entre sal e fumaça, sob uma estrela que sangra, lutaria contra um grande mal e traria um verão que não acabaria nunca. Mas a novidade (para mim, ao menos) foi perceber que este tipo de profecia já havia sido trabalhada na bibliografia de Martin anteriormente na forma do Rei Pálido do Povo da Noite em Sonho Febril.
Diante de tantas semelhanças, torna-se interessante analisarmos como o tema se resolveu na obra mais antiga para termos um vislumbre do caminho que GRRM pode estar tomando nas Crônicas e entender qual é a abordagem que o escritor pretende adotar.
1) Os homens definem as profecias, não o contrário
Em Sonho Febril o vampiro Joshua usa sua confiança na profecia do Rei Pálido para tentar convencer um vampiro muito mais antigo, poderoso e cruel chamado Julian a se aliar a ele, libertar os vampiros que estão só seu poder e experimentar a bebida que aplaca a sede vermelha. Esta tentativa diplomatica, no entanto, não era a única que Joshua tinha em mente, pois estava determinado a tentar subjugar o vampiro mais poderoso, confiante que estava de ser o tal rei lendário do Povo da Noite.
Entretanto, todas as alternativas falharam e o vampiro que acreditava ser o escolhido foi subjugado pelo vampiro mais antigo por treze anos, até que conseguiu fugir definitivamente. Em uma fuga menor durante o início desta longa subjugação, Joshua acaba por causar a morte de uma amiga vampira (Valerie) ao trazê-la consigo. Ela era uma das pessoas que mais acreditavam na predestinação messiânica de Joshua.
Uma hora, Valerie soltou um grito, como se passasse por uma dor terrível. Joshua abriu os olhos e curvou-se em cima dela, acariciando seu longo cabelo preto e cochichando em seu ouvido. Valerie choramingava. — Achei que você fosse o enviado, Joshua — disse ela. — O Rei Pálido. Pensei que você havia chegado para mudar tudo, para nos resgatar. — O corpo dela tremia todo enquanto ela tentava falar. — A cidade, meu pai me falou sobre a cidade. Ela existe, Joshua? A Cidade Escura?
Silêncio — disse Joshua York. — Fique em silêncio. Senão você vai enfraquecer ainda mais.
(Sonho Febril, Cap. 28)
No momento em que Joshua se despede de Abner para voltar às garras de Julian, o vampiro derrotado ressalta o quanto de dano ter acreditado na profecia lhe causou:
Você é meu amigo, mas eles são sangue do meu sangue, meu povo. Eu pertenço a eles. Eu até achei que fosse o rei deles.
Seu tom era tão amargo e desesperado que Abner Marsh sentiu sua raiva indo embora.No lugar instalou-se a compaixão. — Você tentou — disse ele.
E fracassei. Fracassei com Valerie, com Simon, fracassei com todos que acreditaram em mim. Com você, com o senhor Jeffers e com aquele bebê também. Acho que fracassei até com Julian, de algum modo estranho.
(Sonho Febril, Cap. 29)
Portanto, o que Martin demonstra é que Joshua fazia uma avaliação irreal de suas capacidades. Ele não demonstrava nenhuma capacidade em especial fora a inteligência para criar a bebida que combinava ingredientes capazes de aplacar a sede vermelha.
Entretanto, Joshua deduziu que sua invenção correspondia à “libertação” dos vampiros dita na profecia, ainda que tenha descartado a parte sobre a existência da cidade para onde o Rei Pálido deveria levar seu povo.
Em sua mente, ao preencher o primeiro requisito e considerar que o segundo era bobagem e invenção, Joshua achava que havia preenchido todos os requisitos “sólidos” da profecia e assim se convenceu de que era o Rei Pálido. Porém, o vampiro deveria ter refletido que se uma parte da profecia poderia ser considerada bobagem, a outra parte também poderia ser.
A lição que Martin parece explorar aqui é a que as profecias não se tornam verdade e apontam para você se você preenche os requisitos. Menos ainda se você só preenche os requisitos que você considera importantes ou legítimos.
2) Eventos únicos e excepcionais não são confirmações de profecias
Para adicionar mais uma camada de confusão, Martin faz com que a profecia pareça ter funcionado. Ouvimos o relato de um acontecimento inesperado e excepcional ocorrido em segundo plano (offpage) que funciona como uma vitória tardia de Joshua sobre Julian, reacendendo as esperanças dos protagonistas (e do leitor):
Eu contra-ataquei — disse Joshua. — Eu estava louco, Abner. Eu o olhei nos olhos e o desafiei. Eu contra-ataquei. E dessa vez venci. Ficamos lá em pé por uns bons dez minutos, e finalmente Julian virou as costas, resmungou algo e se retirou. Subiu a escada até o seu camarote, com Sour Billy apertando o passo atrás dele, e o resto do meu pessoal ficou olhando para mim de olho arregalado, todos eles muito assustados. Raymond Ortega deu um passo à frente e me desafiou. Em menos de um minuto, estava ajoelhado à minha frente. “Mestre de sangue”, disse ele, curvando sua cabeça. Então, um por um, os outros começaram a se ajoelhar. Armand e Cara, Cynthia, Jorge e Michel LeCouer, até Kurt, todos. Simon tinha um ar de vitória no rosto. Os outros também. Julian exercera um domínio que havia sido penoso para vários deles. Agora estavam livres. Eu subjugara Damon Julian, apesar de toda a sua força, apesar de toda a sua idade. Era o líder do meu povo de novo. Eu compreendi então que estava diante de uma escolha. A não ser que agisse, e rápido, o Fevre Dream seria descoberto, e eu, Julian e toda a nossa raça seríamos mortos.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Entretanto, como sabíamos que se tratava de um relato do passado, e Joshua a esta altura do livro estava novamente sozinho na clandestinidade, procurando desesperado a ajuda de Abner, não havia como aquilo ter tido um desfecho positivo:
Em uma noite tenebrosa, Damon Julian saiu do seu camarote. Ele ainda morava no vapor, como alguns dos demais, aqueles que lhe eram mais próximos. [...] Quando voltei ao Fevre Dream, descobri que dois dos prisioneiros haviam sido tirados dos seus camarotes e mortos. [...] Eu estava furioso e enojado. Trocamos palavras duras e decidi que aquele seria o último crime da sua longa e monstruosa vida. Eu ordenei que ele me encarasse. Pretendia fazer com que se ajoelhasse e me oferecesse seu sangue, várias vezes, se preciso, até que fosse meu, até que ficasse esgotado, vencido e inofensivo. Ele se ergueu e me encarou, e então… — York deu uma risada desesperançada, penosa.
Ele ganhou de você? — arriscou Marsh.
Joshua assentiu. — Com facilidade. Como sempre fizera antes, exceto naquela única noite. Eu tentei juntar todas as minhas forças e toda vontade e raiva que havia em mim, mas eu não era páreo para ele. Nem mesmo Julian esperava isso, acho. — Ele balançou a cabeça. — Joshua York, rei dos vampiros. Eu falhei com eles de novo. Meu reino durou apenas uns dois meses, pouco mais. E, nos últimos treze anos, Julian tem sido nosso mestre.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Ainda que este momento de vitória efêmera de Joshua ocorra no fim do livro, parece ficar claro que a morte de Julian não acarreta na veracidade da profecia, até mesmo porque a decisão de matar Julian não tinha mais ligação com a libertação dos vampiros em geral.
Portanto, a conclusão a que George parece que cheguemos é a ocorrência de eventos excepcionais não necessariamente implicam na realização ou confirmação de profecias.
3) Relação com as Crônicas de Gelo e Fogo
Diferentemente do que ocorre em Sonho Febril, alguns personagens importantes de As Crônicas de Gelo e Fogo já demonstraram ceticismo quanto a natureza da profecia.
Arquimeistre Marwyn é um personagem citado nas Crônicas desde o primeiro livro da saga e em sua primeira aparição ele assim comenta as suspeitas de Meistre Aemon sobre Daenerys ser a realização da profecia do Príncipe que foi Prometido:
Meistre Aemon acreditava que Daenerys Targaryen era a realização de uma profecia... Ela, não Stannis nem Príncipe Rhaegar, nem o principezinho cuja cabeça foi atirada contra a parede.
Nascida entre o sal e o fumo, sob uma estrela sangrenta. Conheço a profecia – Marwyn virou a cabeça e escarrou uma bola de muco vermelho para o chão. – Não que confie nela. Gorghan de Velha Ghis escreveu um dia que uma profecia é como uma mulher traiçoeira. Mete o seu membro na boca, você geme de prazer e pensa, “que maravilha, que agradável, que bom isto é”... E então seus dentes se fecham e seus gemidos se transformam em gritos. É essa a natureza da profecia, Gorghan disse. A profecia sempre arranca seu pau a dentada – mascou durante algum tempo. – Mesmo assim…
(AFFC, Samwell V)
Comparando com o que vimos em Sonho Febril, Marwyn parece estar falando sobre como profecias podem funcionar como uma forma agradável de autoindulgência, mas que toda essa permissividade pode se virar contra você.
Quase nas mesmas linhas, Tyrion explica que as profecias as vezes apenas parecem úteis, mas quando são colocadas a provam, inevitavelmente se viram contra quem se vale delas.
Uma profecia é como uma mula semitreinada – reclamou para Jorah Mormont. – Parece que será útil, mas no momento em que você confia nela, ela o chuta na cabeça.
(ADWD, Tyrion IX)
De certa forma, a profecia do Rei Pálido somente funcionou para Joshua enquanto ele entrava em contato com pessoas dispostas a acreditar naquilo após ver os efeitos de sua bebida. Quando ele encontrou uma criatura de má índole como Julian, porém, tudo que o messianismo dele fez foi despertar animosidade e inveja em um vampiro mais poderoso.
No caso da profecia do Príncipe que foi Prometido, os candidatos podem vir a ser requisitados a realizar atos monstruosos em nome da destruição dos Outros. Mas também o vínculo desta profecia com a religião do Deus Vermelho pode se tornar apenas um gatilho para despertar animosidade naqueles que cultuam as religiões dominantes em Westeros (Fé dos Sete e Deuses Antigos). Por outro lado, como supostamente só pode haver um único escolhido de R’hllor, pode haver disputadas de legitimidade entre os supostos escolhidos.
O que Sonho Febril parece nos mostrar, portanto, é que George não está interessado na investigação sobre a veracidade das profecias. O interesse real do escritor é os tipos de comportamento que as pessoas têm quando são motivados por elas. E pelo que vimos através de Joshua York, as decisões tomadas sob a influência de convicções messiânicas pode custar muito caro.
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2020.08.10 04:47 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 6)

Se Martin gosta de histórias de corações em conflito consigo mesmo, Stannis Baratheon levou um coração em guerra consigo mesmo a seu próprio estandarte.
Muitas contradições são postas à prova para Stannis na sequência da derrota no Água Negra. Mas como a história de Stannis é toda sobre a dicotomia entre homem político e héroi mítico, suas contradições também podem ser reduzidas a duas motivações. Encarar que é um pretendente cujo “orgulho obstinado” se provou inútil ou assumir que é um salvador predestinado cuja derrota serviu a um propósito maior?
De volta a Pedra do Dragão, é natural pensarmos que Stannis gostaria de ouvir umas boas desculpas de Melisandre. Porém, a sacerdotisa sabe muito bem que ficar na defensiva seria uma péssima estratégia. Especialmente quando estava bem claro que o rei havia apenas dispensado porque Bryce Caron havia pertubado sua vaidade. Então, quando Davos estava ausente e os Florents dominavam o cenário de Pedra do Dragão, Melisandre aproveitou para dizer “eu te avisei” sem oposições.
[…] Se eu estivesse com vocês, sua batalha teria tido um final diferente. Mas Sua Graça estava rodeado de descrentes, e seu orgulho mostrou-se mais forte do que sua fé. A punição foi severa, mas aprendeu como erro.
(ASOS, Davos III)
Estivesse Davos por perto facilmente ele poderia apontar os custos em vidas humanas que a suposta lição tomou, inclusive de seus próprios filhos. Porém, a determinação que diversos dias no Rochedo do Rei Bacalhau (que tradução horrível…) construiu minguou conforme o Cavaleiro das Cebolas definhava nas masmorras de Pedra do Dragão.
Quando finalmente o rei e o cavaleiro se encontraram, a urgência de ambos havia passado. Stannis não está dando ouvidos a qualquer tipo de estratégia para tomar o Trono de Ferro a força porque sabe que seria apenas mais uma partida de um jogo que ter certeza que não ganhará.
Sor Axell gostaria de me levar a retomar a guerra – disse o Rei Stannis a Davos. – Os Lannister acham que estou acabado e derrotado, e os senhores meus vassalos abandonaram-me, quase todos. Até Lorde Estermont, pai de minha própria mãe, dobrou o joelho a Joffrey. Os poucos homens leais que me restam vão perdendo o ânimo. Desperdiçam seus dias bebendo e jogando e lambem as feridas como vira-latas enxotados.
(ASOS, Davos IV)
Mas Stannis não quer perder, por isso não age. Muitas opções lhe são apresentadas por seus conselheiros. Sua primeira Mão, Alester Florent propõe que aceite a derrota e Stannis fecha esta porta ao depô-lo e aprisioná-lo.
Que Lorde Stannis retiraria sua pretensão ao Trono de Ferro e se retrataria de tudo o que havia dito a respeito da bastardia de Joffrey, sob a condição de ser aceito de volta à paz do rei e confirmado como Senhor de Pedra do Dragão e Ponta Tempestade. Jurei fazer o mesmo, em troca da devolução da Fortaleza de Águas Claras e de todas as nossas terras. Pensei... Lorde Tywin compreenderia o bom senso de minha proposta. Ele ainda precisa lidar com os Stark e também com os homens de ferro. […] E Stannis deu-me seu selo, deu-me licença para governar. A Mão fala coma voz do rei.
Nisso, não. – Davos não era cortesão, e sequer tentou amaciar as palavras. – A rendição não existe em Stannis, enquanto souber que suas razões são justas. Da mesma forma que não pode desdizer as palavras contra Joffrey, quando as crê verdadeiras.
(ASOS, Davos III)
Seu candidato a segunda Mão, Axell Florent, pede que Stannis parta para a guerra, pois uma vitória curaria as feridas de uma derrota. Ele construiu um plano de ataque a Ilha da Garra com Salladhor Saan que teria o triplo benefício de ter alta chance de êxito, atingiria um traidor e permitiria a pilhagem de uma grande fortuna.
Enquanto eu entendo que Saan tinha a intenção de ganhar dinheiro com este plano, vejo em Sor Axell uma obsessão com punir traidores, muito parecida com a sanha justiceira que muitas pessoas veem em Stannis. O cavaleiro Florent parece ter menos empatia do que Stannis Baratheon, mas ainda assim é um simulacro do comportamento do rei.
Talvez por isso que Baratheon dava ouvidos ao plano de Axell. E talvez por isso Melisandre pede a Stannis que ouça Davos (“foi Melisandre quem me disse para mandar buscar você quando Sor Axell quis entregá-lo a R’hllor” – ASOS, Davos IV). Se Axell era uma projeção do rei, Melisandre mandou buscar Davos para salvar Stannis dele mesmo.
E é exatamente o que Davos faz. Quando Stannis pede ao cavaleiro das cebolas que opine sobre o plano de atacar a Ilha da Garra, Davos se expressa com brutal honestidade, a despeito da ameaça da Axell. E então vemos o quão Stannis e Axell são espelho um do outro:
[Sor Axell] – Nem todos os homens de Celtigar foram mortos na Água Negra. Centenas foram capturados como seu senhor e dobraram o joelho quando ele o fez.
Quando ele o fez – repetiu Davos. – Eram seus homens. Estavam juramentados a ele. Que alternativa foi dada a eles?
Todo homem tem alternativas. Podiam ter se recusado. Alguns se recusaram e morreram por isso. Mas morreram honestos e leais.
Alguns homens são mais fortes do que outros. – Era uma resposta fraca, e Davos sabia disso. Stannis Baratheon era um homem com determinação de ferro, que nem compreendia nem perdoava a fraqueza nos outros. Estou perdendo, pensou, desesperando-se.
É dever de todos os homens permanecerem leais ao seu legítimo rei, mesmo se o senhor que servem se revela falso – declarou Stannis num tom que não admitia discussões.
(ASOS, Davos IV)
Percebam que Stannis não está agora discutindo a lealdade de Lorde Celtigar, mas a de seus subalternos. É comum que homens que nasceram dentro dos privilégios da nobreza imaginem que os homens são livres para escolher onde depositar sua aliança. Este tipo de pensamento ignora que a independência do vassalo no contexto feudal é sinônimo de rebelião. Assim, cabe a Davos, então, puxar o tapete de Stannis.
Um desvario desesperado dominou Davos, uma temeridade próxima da loucura.
Tal como o senhor permaneceu leal ao Rei Aerys quando seu irmão convocou os vassalos? – deixou escapar.
(ASOS, Davos IV)
A forma como Davos expõe a hipocrisia do rei é brilhante. Entretanto, não é menos magnífica a reação de Stannis à crítica. Afinal, quando Eddard expõs a covardia do plano para assassinar Daenerys, Robert removeu o amigo do cargo, furioso. Stannis, ao contrário, faz Davos sua nova Mão, pedindo explicitamente apenas “aquilo que sempre me deu. Honestidade. Lealdade. Serviço.
O filho do meio de Steffon Baratheon vive querendo se distanciar da sombra de seu irmão mais velho. Entretanto, quando o assunto é a capacidade de fazer e manter aliados, este abismo é tratado como uma espécie de deficiência, mesmo para o próprio Stannis.
A voz do rei estava carregada de fúria. – Meu irmão tinha um dom para inspirar lealdade. Até nos adversários. Em Solarestival ganhou três batalhas num só dia, e trouxe Lorde Grandison e Lorde Cafferen para Ponta Tempestade como prisioneiros. […] Eu teria atirado Grandison e Cafferen numa masmorra, mas ele transformou-os em amigos. […]. Meu irmão fez com que o amassem, mas, ao que parece, eu só inspiro traição. Até no meu próprio sangue e família. Irmão, avô, primos, tio da esposa…
(ASOS, Davos IV)
E, de fato, logo antes da fazer Davos sua nova Mão, Stannis novamente recitando uma ode à falta de misericórdia que ele chama de “justiça”.
Um rei – concordou Davos. – Um rei significa a paz.
Eu trarei justiça a Westeros. Algo que Sor Axell compreende tão mal quanto compreende a guerra. A Ilha da Garra não me traria nada... e seria uma coisa maligna, como você disse. Celtigar tem de pagar o preço da traição pessoalmente. E quando eu subir ao trono, pagará. Cada homem colherá o que semeou, do mais alto dos senhores ao mais baixo rato de sarjeta. E alguns perderão mais do que as pontas dos dedos, garanto. Fizeram o meu reino sangrar, e não me esqueço disso.
(ASOS, Davos IV)
Entretanto, esse discurso cai logo no capítulo seguinte. Diante da perspectiva de os nortenhos e os homens de ferro terem perdido os reis por meio dos quais executaram rebeliões contra os Lannisters, o Rei do Coração Flamejante, tal qual havia feito com os Senhores da Tempestade, prontamente pensa em oferecer indultos totais para quem se bandeie para sua causa.
O lobo não deixa herdeiros, a lula gigante deixa muitos. Os leões vão devorá-los, a menos que... Saan, vou precisar de seus navios mais rápidos para levar enviados às Ilhas de Ferro e a Porto Branco. Oferecerei indultos. – O modo como cerrou os dentes mostrou o pouco que gostava da palavra. – Indultos totais, para todos aqueles que se arrependerem da traição e jurarem lealdade ao seu legítimo rei. Têm de compreender...
Não compreenderão. – A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. […] Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Esta é mais uma demonstração de como Stannis está completamente distante da figura que Varys e Mindinho pintavam dele em A Guerra dos Trono. Além de evidenciar que a visão que Donal Noye tem de Stannis (“Stannis é de ferro puro, negro, duro e forte, é verdade, mas quebradiço, como acontece com o ferro. Quebrará antes de dobrar” – ACOK, Jon I) é de alguma forma equivocada. Na cabeça do ferreiro, o rei ainda é aquele rapaz de 20 anos de idade que ele viu guardando Ponta Tempestade para o irmão. Noye não esteve com Stannis nos últimos 16 anos para verificar que tipo de homem Stannis se tornou.
Na verdade, quando o ferreiro da Patrulha elogia Robert Baratheon, estamos literalmente testemunhando Noye fazendo apologia cuja inabilidade para governar é notória. Portanto, podemos perguntar: Donal Noye tem cacife para fazer a avaliação que fez?
Por fim, uma vez resolvido que o rei não irá seguir a via de Alester (rendição) nem a sugestão de Axell e Salladhor (pilhagem e punição dos traidores), resta apenas a via de Melisandre. Contra esta, todos os argumentos de Davos são inúteis, pois Stannis não consegue culpar Melisandre pelo que ocorreu na Batalha do Agua Negre tanto quanto Davos não consegue culpar Stannis. Davos deve o que tem a Stannis, assim como Stannis deve o que teve a Melisandre.
Segundo A Mais Precisa Linha do Tempo, passaram-se aproximadamente 35 dias entre a Batalha e a chegada de Davos a Pedra do Dragão. Não sabemos o que ocorreu neste ínterim, mas podemos imaginar que Melisandre passou a costurar novas narrativas para manter Stannis crendo em seu poder.
Sabemos que Stannis estava confinado com Melisandre, sem comer, e havia rumores que eles desciam até o coração do Monte Dragão para observar as chamas a partir dos poços do vulcão (ASOS, Davos II). Em A Fúria dos Reis, a história de que Stannis seria a reencarnação de Azor Ahai não servia a outro propósito senão para justificar a presença de sacerdotisa ao lado do rei. Em A Tormenta de Espadas, porém, somos apresentados ao fato de que este herói mítico das histórias do Mar de Jade estava destinado a “acordar dragões da pedra”.
Pela primeira vez Melisandre cita a figura do Grande Outro e de modo específico sobre a grande guerra contra a escuridão que está por vir. Entretanto, de forma inédita Melisandre une o arco de Azor Ahai com a necessidade de conquista política de Westeros:
A areia corre agora mais depressa pela ampulheta, e o tempo do homem sobre a terra está quase no fim. Temos de agir com ousadia, senão toda a esperança estará perdida. Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor.
(ASOS, Davos IV)
Portanto, aparentemente Melisandre vem alimentando Stannis com esta narrativa. Ela sabe que Cressen olhava para Stannis como um ser humano comum, enquanto Davos o vê como um rei (ASOS, Davos III). Porém, mesmo dentro da idolatria de Davos, não há espaço para a faceta mística que Melisandre atribui a Baratheon. Com isso, GRRM nos mostra claramente que há um cabo-de-guerra entre a scardotisa e o cavaleiro, cada um nutrindo no rei uma faceta diferente.
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Falarei mais na próxima parte.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.07.23 10:13 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt1

O objetivo, aqui, é considerar algumas temáticas que considero relevantes quanto à preparação para o concurso e à resolução das provas em todas as fases. Várias das sugestões de leituras indicadas nesta parte e na próxima, assim como diversos textos e resumos que tenho, foram disponibilizadas na página http://relunb.wordpress.com. Nesse site, você também encontrará resumos das matérias obrigatórias e optativas do curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, além de resumos e de diversos arquivos, para auxiliar na preparação para o CACD. Faça bom uso. Todas as vezes em que eu me referir, neste documento, ao “REL UnB”, leia-se esse site.
Esta parte está dividida em cinco seções. Em primeiro lugar, um relato de minha experiência de estudos, com importantes sugestões de amigos e de conhecidos e com diversas contribuições recolhidas de sites e de fóruns na internet. Não se trata, propriamente, de recomendação, uma vez que cada um deve adaptar seus estudos às condições em que se encontra (tempo de dedicação, material disponível etc.), mas espero que sirva, ao menos, de uma orientação inicial a quem estiver um pouco perdido, para que possa programar seus estudos e ganhar tempo.
Muitos já me perguntaram quais matérias são recomendáveis na universidade. Embora isso seja muito relativo, visto que professores diferentes podem dar a mesma matéria de maneira completamente distinta, fiz uma lista, para facilitar a vida de quem, mesmo sabendo dessas limitações, quer algum conselho nesse aspecto. Essa relação de disciplinas está na segunda seção desta parte.
Na terceira seção, trato dos cursos preparatórios para o CACD. Na seção seguinte, falo um pouco sobre algumas sugestões e “macetes” para a hora das provas. Na quinta e última seção desta parte, trato, rapidamente, de algumas considerações (que julgo importantes) a respeito da interposição de recursos aos gabaritos (na primeira fase) e às correções (nas demais fases) do concurso.
Agora, vamos ao que interessa.
OS ESTUDOS
Confesso que, no início dos estudos, foi bastante frustrante aprender coisas que eu, supostamente, deveria haver aprendido na universidade, no curso de Relações Internacionais. Mesmo as matérias que considerei ótimas na universidade nem sempre foram de tanta utilidade quanto eu achei que seriam. Sem dúvida, aprendi muito mais coisas úteis ao CACD nos meses de estudos pré-primeira fase do que nos quatro anos de graduação. Espero, assim, desfazer o mito: Relações Internacionais não é condição sine qua non para a aprovação no CACD. Por isso, acredito que, independentemente do curso superior que você tenha feito, o que mais importa é sua dedicação aos estudos. Não se preocupe: é possível recuperar o tempo perdido em menos tempo do que se imagina. Com disciplina e com foco, é possível, sim, começar a estudar alguns meses antes do concurso e ser aprovado. Ter disciplina é tão importante quanto ser pragmático. Não importa se você terá três meses, três anos ou três décadas de preparação, será impossível conseguir estudar tudo o que poderia ser cobrado no concurso. Como ninguém quer estudar o que poderia ser cobrado, mas o que, de fato, será cobrado, ter noção disso já é um passo fundamental para a preparação. Retomarei essas considerações mais adiante.
Se você ainda não fez um curso superior, acho que isso já servirá de “alerta”. Em primeiro lugar, tenho muitos amigos que entraram na universidade, no curso de Relações Internacionais, com certeza absoluta de que queriam ser diplomatas. Depois de um ou dois anos de curso, grande parte mudou de opinião. Eu, mesmo, não pretendia ser diplomata até meados da graduação, e não sei muito bem o que me levou a escolher a profissão, acho que foi uma série de coisas que eu não seria capaz de enumerar exaustivamente. Por isso, acho muito precipitado (já ouvi até professores de cursinho recomendando isso) que alguém tente iniciar sua preparação antes mesmo da universidade, acompanhando as notícias todos os dias, lendo os livros da bibliografia ou coisa do tipo. Em primeiro lugar, se eu me esquecia das coisas que havia estudado no dia anterior à prova da terceira fase, imagine alguém se lembrar de uma notícia que leu há quatro anos, no mínimo? Em segundo lugar, nem se isso fosse possível (ainda que você faça clippings de notícias etc.), não acho que seja necessário. Não senti nenhuma dificuldade que a falta de acompanhamento de notícias anteriores ao início de minha preparação para o concurso tenha provocado. Acho que é melhor você se preocupar com outras coisas primeiramente. Ao contrário do que muitos pensam, Relações Internacionais n~o é um “megacursinho preparatório para o IRBR”, e o curso também não me ajudou em nada com as notícias que não acompanhei nesse período.
Se você tem certeza de que quer ser diplomata, o máximo que eu aconselharia seria investir no aprendizado de línguas: Inglês, Espanhol e Francês. Do resto você pode dar conta, perfeitamente, em momento oportuno. Faça o que você mais gosta e o que mais lhe interessar. Como qualquer graduação é válida para ser diplomata, há profissionais das mais diversas áreas de formação no IRBr, e acho que isso enriquece bastante tanto sua convivência com outras pessoas no MRE quanto a experiência de trabalho do Ministério. Boa parte dos aprovados é, tradicionalmente, de Direito e de Relações Internacionais, eu acho (provavelmente, penso eu, não porque as respectivas graduações tenham contribuído enormemente para a aprovação, mas porque talvez seja mais provável que um estudante de algum desses cursos se interesse pela diplomacia do que outro de Física ou de Medicina, por exemplo, mas não sei, só uma hipótese), mas há diplomatas de todas as formações imagináveis.
Com relação ao método de estudos, não sei se tenho muito a acrescentar ao que todo mundo já sabe. Nunca vi nenhum método fabuloso de estudos que me tenha motivado a tentar segui-lo, por isso nem me esforçarei para tentar propor algo nesse sentido. Mais uma vez, é um mero relato de como fiz nos sete meses de estudos mais sérios que tive (setembro 2010 – março 2011) antes do concurso e nos três meses de duração das provas do concurso (abril – julho 2011).
Li muitas recomendações de estudos e de leituras, mas, às vezes, tinha a sensação de que faltavam depoimentos de “gente como a gente”, que procrastina, que enrola, que tenta se sabotar (e que tenta cair na autossabotagem) etc. O motivo para isso é muito simples: se você é assim, ou tenta adaptar seus métodos de estudos às condições em que se encontra, ou não haverá outro jeito. Tentar passar na base da “enrolaç~o” n~o funciona. Meu maior desafio n~o era a falta de foco, mas o tempo de preparação. Muitos estudam por anos e anos, e eu sabia que a concorrência não seria nada fácil, ainda mais com um número reduzido de vagas com relação ao concurso anterior. Desse modo, tive de cortar leituras desnecessárias, adaptando meus estudos ao tempo que tinha disponível. O relato apresentado a seguir baseia-se, portanto, em uma metodologia voltada para estudos de curto prazo. Se você tiver mais tempo de preparação, ótimo. Há muitos outros relatos disponíveis na internet de candidatos aprovados que relatam seus estudos com mais tempo de preparação, com vasta leitura bibliográfica etc. Tentei reunir todos os relatos que eu encontrei na parte IV desse documento, de modo que os candidatos que estejam a fim de um pouco mais de embasamento nos estudos tenham boas referências. De todo modo, esta parte, por ser voltada a minha preparação, tratará de uma estratégia mais instantânea de estudos. Espero que seja útil.
Em minha tentativa de planejar uma estratégia que permitisse conciliar o tempo reduzido de estudos e a quantidade de conteúdo necessária para o concurso, o que foi mais importante foi, sem dúvida, determinar o que seria útil e o que não seria. Não há melhor maneira de fazer isso que ler as provas anteriores do concurso, resolver os TPS, estudar os Guias de Estudos etc. No fim das contas, o tempo reduzido acabou sendo meu aliado. Se eu tivesse mais tempo de preparação, provavelmente perderia mais tempo com leituras desnecessárias para o CACD e com metodologias de estudo não muito eficazes. Desse modo, o modo de estudar que planejei e que segui em minha preparação para o CACD teve suas bases na necessidade de pragmatismo, de estudar apenas o que seria indispensável para o concurso. Por isso, se você for metódico e mais ortodoxo com relação aos estudos, já aviso que poderá desprezar minha experiência pessoal e partir para os estudos, porque todos os meus relatos a seguir estão baseados nessa filosofia de vida da arte do pragmatismo de meios.
Comecei a estudar ainda durante o fim da graduação (graduei-me no segundo semestre de 2010), inicialmente lendo algumas coisas de Introdução ao Direito e de Direito Interno, já que minha Introdução ao Direito foi horrível e quase não vi Direito interno na graduação. Resumo desses estudos iniciais: perda de tempo. Eu não tinha muita noção do que deveria estudar, comecei estudando o básico do básico em Direito e acabei me perdendo, gastando mais tempo que deveria com o que, no fim das contas, é inútil para o concurso. É aqui que começa a entrar o necessário pragmatismo, que, a meu ver, torna possível ser aprovado sem anos e anos de estudos. Cai introdução ao Direito nas questões do concurso? Não. Logo, não havia motivos para perder tempo com isso. “Ah, se você n~o estudar a introduç~o, ficar perdido e n~o conseguir entender as partes mais importantes e substantivas posteriores”. Todo mundo sabe que isso é conversa fiada de universidade. Se você quisesse fazer correlações entre o Direito interno e a teoria do Direito de Miguel Reale e não sei o quê, tudo bem, mas isso se faz na universidade, não no concurso. Cai Miguel Reale no concurso? Não, então o desprezei. Uma coisa é o estudo de universidade, em que se busca adquirir conhecimentos amplos, para que os alunos sejam capazes de relacionar a importância do fundamento teórico de criação de uma disciplina e a teorização contemporânea sobre o que quer que seja. Outra coisa completamente diferente é aprender o que cai no CACD e o que você terá de saber para a prova, e aí todo esse conhecimento básico, em minha opinião, dá apenas uma sensação falsa de conhecimento que, feliz ou infelizmente, não será cobrado no concurso.
Depois dessa improdutiva tentativa de leituras iniciais (cerca de dois meses), comecei a fazer cursinho preparatório de algumas matérias (Política Internacional, Português, Geografia, Direito e Redação, nem todas no mesmo cursinho) ainda durante os últimos meses de graduação (tinha uma aula no cursinho, inclusive, no mesmo horário de uma matéria da UnB, e era ótimo, porque eu tinha desculpa para não ir à UnB, às 8h da manhã, duas vezes por semana, para ouvir sobre a Guerra do Peloponeso). No início, ainda dividia os estudos para o CACD com os estudos finais da universidade, e, até o fim de 2010, tudo o que fiz foi seguir as indicações de leitura dos cursinhos e fazer as provas antigas da primeira fase. Hoje, percebo que eu poderia ter ganhado mais tempo caso tivesse optado por algo um pouco diferente, e meus estudos de setembro a dezembro não foram muito produtivos, apenas parcialmente. Já explico mais.
Em primeiro lugar, as leituras dos cursinhos são, no geral, horríveis. Não falo isso com base apenas nas matérias que fiz. Tive acesso a muitas indicações de bibliografias de todas as disciplinas, de diversos cursinhos e de diversas fontes de internet. As indicações de cursinhos são, sem exceção que eu tenha visto, muito ruins. Tenho certeza de que é provável que a maioria das pessoas que lerão isso ficará meio chocada, mas é minha opinião. Não sei o que os professores querem, mas acho que falta objetividade, pragmatismo e praticidade. Inicialmente, eu tinha a impressão de que, se eu lesse todas as bibliografias indicadas pelos professores de cursinho, estaria plenamente preparado para o concurso, mas isso está longe de ser verdade. Li muitos textos ruins, vagos, não objetivos e praticamente inúteis para o CACD. Nesse ponto, acho que falta a alguns professores a capacidade de pensar que os alunos têm outras nove disciplinas para estudar e que muitos desses alunos estão tentando o concurso pela primeira vez (ou seja, eles terão trabalho dobrado a fazer em curto espaço de tempo). Não é a hora de construir conhecimento básico. Por isso, considero que foram inúteis meus estudos iniciais de Introdução ao Direito relatados acima.
O que quero dizer com isso é que o pragmatismo necessário para a aprovação baseada em um período reduzido de tempo está em evitar, ao máximo, perder tempo com o que não será cobrado diretamente no concurso. Ninguém precisa ficar “expert” em Direito ou em qualquer outra matéria. Todas as provas da segunda e da terceira fases têm o mesmo valor, o que significa que de nada adianta um 100 em Direito, se você não for bem, também, em todas as outras (refiro-me ao Direito apenas para aproveitar minha experiência acima descrita). Isso é ainda mais válido em concursos com número menor de vagas, como o de 2011. Uma página lida de matéria que não será cobrada é tempo jogado fora, e ser capaz de abandonar um livro ou um texto qualquer no meio, por ser ruim e/ou inútil, é uma arte que deve, em minha opinião, ser aprendida por todos. Você precisará ter a capacidade necessária para discernir o que é importante para o CACD e o que não é. Não há outra maneira de fazer isso, senão estudar, cuidadosamente, as provas anteriores. Para a primeira fase, fazer as provas dos últimos concursos é fundamental nesse sentido. Para a terceira, ler os Guias de Estudos e fichar os melhores argumentos também pode ser muito importante.
Mais uma vez, volto a insistir na necessidade do pragmatismo. Já vi gente estudando Revolução Gloriosa e Reforma Protestante, lendo O Príncipe, de Maquiavel, e outras obras de autores clássicos da política. Antes de ler qualquer coisa, acho que é fundamental parar e pensar no seguinte: 1) Está no Guia de Estudos? 2) Já caiu em outros concursos? Se está no Guia de Estudos e caiu em outros concursos, é claro que você deve dedicar alguma atenção àquilo (vale ponderar, também, a incidência do tema; se Napoleão III foi cobrado uma única vez em nove provas de primeira fase que você fez, você não precisa ler e decorar toda a biografia do homem, não é?). Se está no Guia de Estudos e não caiu em outros concursos, não deixe de dar alguma atenção àquele tema, mas não dedique tempo excessivo a ele. Se não está no Guia de Estudos e caiu em outros concursos, das duas uma: ou o Guia de Estudos foi modificado daquele concurso para cá (desse modo, entre no site do Cespe e confira, na seção de concursos antigos, eventuais modificações no Guia de Estudos), ou a banca enquadrou esse tema em alguma divisão muito genérica do Guia de Estudos. O maior problema, entretanto, está aqui: se não está no Guia de Estudos e não foi cobrado em concursos anteriores, não perca seu tempo com isso! Pode parecer muito óbvio, mas digo apenas porque já vi isso acontecer várias vezes. Para quem terá pouco tempo de preparação, esse tempo perdido pode custar caro mais para frente. É importante que um diplomata saiba, ao menos, que a Revolução Gloriosa existiu? Claro, espero que sim, mas não estamos falando de formar diplomatas, estamos falando de passar em um concurso. Depois de passar, aí, sim, poderemos preocupar-nos com o que quer que seja. Enquanto a meta for a aprovação no concurso, acho que o melhor a fazer é ter os pés no chão, os olhos no Guia de Estudos e a cabeça iluminada pelo pragmatismo do Barão. Voltarei a tratar dos Guias de Estudos a seguir.
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2020.07.23 10:09 diplohora Mes estudos para o CACD - Bruno Pereira Rezende

Livro do diplomata Bruno Pereira Rezende
INTRODUÇÃO
📷📷Desde quando comecei os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), li dezenas de recomendações de leituras, de guias de estudos extraoficiais, de dicas sobre o concurso, sobre cursinhos preparatórios etc. Sem dúvida, ter acesso a tantas informações úteis, vindas de diversas fontes, foi fundamental para que eu pudesse fazer algumas escolhas certas em minha preparação, depois de algumas vacilações iniciais. Mesmo assim, além de a maioria das informações ter sido conseguida de maneira dispersa, muitos foram os erros que acho que eu poderia haver evitado. Por isso, achei que poderia ser útil reunir essas informações que coletei, adicionando um pouco de minha experiência com os estudos preparatórios para o CACD neste documento.
Além disso, muitas pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, já vieram me pedir sugestões de leituras, de métodos de estudo, de cursinhos preparatórios etc., e percebi que, ainda que sempre houvesse alguma diferenciação entre as respostas, eu acabava repetindo muitas coisas. É justamente isso o que me motivou a escrever este documento – que, por não ser (nem pretender ser) um guia, um manual ou qualquer coisa do tipo, não sei bem como chamá-lo, então fica como “documento” mesmo, um relato de minhas experiências de estudos para o CACD. Espero que possa ajudar os interessados a encontrar, ao menos, uma luz inicial para que não fiquem tão perdidos nos estudos e na preparação para o concurso.
Não custa lembrar que este documento representa, obviamente, apenas a opinião pessoal do autor, sem qualquer vínculo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Instituto Rio Branco ou com o governo brasileiro. Como já disse, também não pretendo que seja uma espécie de guia infalível para passar no concurso. Além disso, o concurso tem sofrido modificações frequentes nos últimos anos, então pode ser que algumas coisas do que você lerá a seguir fiquem ultrapassadas daqui a um ou dois concursos. De todo modo, algumas coisas são básicas e podem ser aplicadas a qualquer situação de prova que vier a aparecer no CACD, e é necessário ter o discernimento necessário para aplicar algumas coisas do que falarei aqui a determinados contextos. Caso você tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade e envie-as para [[email protected] ](mailto:[email protected])(se, por acaso, você tiver outro email meu, prefiro que envie para este, pois, assim, recebo tudo mais organizado em meu Gmail). Se tiver comentários ou correções acerca deste material, peço, por favor, que também envie para esse email, para que eu possa incluir tais sugestões em futura revisão do documento.
Além desta breve introdução e de uma também brevíssima conclusão, este documento tem quatro partes. Na primeira, trato, rapidamente, da carreira de Diplomata: o que faz, quanto ganha, como vai para o exterior etc. É mais uma descrição bem ampla e rápida, apenas para situar quem, porventura, estiver um pouco mais perdido. Se não estiver interessado, pode pular para as partes seguintes, se qualquer prejuízo para seu bom entendimento. Na segunda parte, trato do concurso: como funciona, quais são os pré-requisitos para ser diplomata, quais são as fases do concurso etc. Mais uma vez, se não interessar, pule direto para a parte seguinte. Na parte três, falo sobre a preparação para o concurso (antes e durante), com indicações de cursinhos, de professores particulares etc. Por fim, na quarta parte, enumero algumas sugestões de leituras (tanto próprias quanto coletadas de diversas fontes), com as devidas considerações pessoais sobre cada uma. Antes de tudo, antecipo que não pretendo exaurir toda a bibliografia necessária para a aprovação, afinal, a cada ano, o concurso cobra alguns temas específicos. O que fiz foi uma lista de obras que auxiliaram em minha preparação (e, além disso, também enumerei muitas sugestões que recebi, mas não tive tempo ou vontade de ler – o que também significa que, por mais interessante que seja, você não terá tempo de ler tudo o que lhe recomendam por aí, o que torna necessário é necessário fazer algumas escolhas; minha intenção é auxiliá-lo nesse sentido, na medida do possível).
Este documento é de uso público e livre, com reprodução parcial ou integral autorizada, desde que citada a fonte. Sem mais, passemos ao que interessa.
Parte I – A Carreira de Diplomata
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, rápida apresentação sobre mim. Meu nome é Bruno Rezende, tenho 22 anos e fui aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2011. Sou graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (turma LXII, 2007-20110), e não tinha certeza de que queria diplomacia até o meio da universidade. Não sei dizer o que me fez escolher a diplomacia, não era um sonho de infância ou coisa do tipo, e não tenho familiares na carreira. Acho que me interessei por um conjunto de aspectos da carreira. Comecei a preparar-me para o CACD em meados de 2010, assunto tratado na Parte III, sobre a preparação para o concurso.
Para maiores informações sobre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), sobre o Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a vida de diplomata etc., você pode acessar os endereços:
- Página do MRE: http://www.itamaraty.gov.b
- Página do IRBr: http://www.institutoriobranco.mre.gov.bpt-b
- Canal do MRE no YouTube: http://www.youtube.com/mrebrasil/
- Blog “Jovens Diplomatas”: http://jovensdiplomatas.wordpress.com/
- Comunidade “Coisas da Diplomacia” no Orkut (como o Orkut está ultrapassado, procurei reunir todas as informações úteis sobre o concurso que encontrei por lá neste documento, para que vocês não tenham de entrar lá, para procurar essas informações):
http://www.orkut.com.bMain#Community?cmm=40073
- Comunidade “Instituto Rio Branco” no Facebook: http://www.facebook.com/groups/institutoriobranco/
Com certeza, há vários outros blogs (tanto sobre a carreira quanto sobre a vida de diplomata), mas não conheço muitos. Se tiver sugestões, favor enviá-las para [[email protected].](mailto:[email protected])
Além disso, na obra O Instituto Rio Branco e a Diplomacia Brasileira: um estudo de carreira e socialização (Ed. FGV, 2007), a autora Cristina Patriota de Moura relata aspectos importantes da vida diplomática daqueles que ingressam na carreira. Há muitas informações desatualizadas (principalmente com relação ao concurso), mas há algumas coisas interessantes sobre a carreira, e o livro é bem curto.
A DIPLOMACIA E O TRABALHO DO DIPLOMATA
Com a intensificação das relações internacionais contemporâneas e com as mudanças em curso no contexto internacional, a demanda de aprimoramento da cooperação entre povos e países tem conferido destaque à atuação da diplomacia. Como o senso comum pode indicar corretamente, o
diplomata é o funcionário público que lida com o auxílio à Presidência da República na formulação da política externa brasileira, com a condução das relações da República Federativa do Brasil com os demais países, com a representação brasileira nos fóruns e nas organizações internacionais de que o país faz parte e com o apoio aos cidadãos brasileiros residentes ou em trânsito no exterior. Isso todo mundo que quer fazer o concurso já sabe (assim espero).
Acho que existem certos mitos acerca da profissão de diplomata. Muitos acham que não irão mais pagar multa de trânsito, que não poderão ser presos, que nunca mais pegarão fila em aeroporto etc. Em primeiro lugar, não custa lembrar que as imunidades a que se referem as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares só se aplicam aos diplomatas no exterior (e nos países em que estão acreditados). No Brasil, os diplomatas são cidadãos como quaisquer outros. Além disso, imunidade não é sinônimo de impunidade, então não ache que as imunidades são as maiores vantagens da vida de um diplomata. O propósito das imunidades é apenas o de tornar possível o trabalho do diplomata no exterior, sem empecilhos mínimos que poderiam obstar o bom exercício da profissão. Isso não impede que diplomatas sejam revistados em aeroportos, precisem de vistos, possam ser julgados, no Brasil, por crimes cometidos no exterior etc.
Muitos também pensam que irão rodar o mundo em primeira classe, hospedar-se em palácios suntuosos, passear de iate de luxo no Mediterrâneo e comer caviar na cerimônia de casamento do príncipe do Reino Unido. Outros ainda acham que ficarão ricos, investirão todo o dinheiro que ganharem na Bovespa e, com três anos de carreira, já estarão próximos do segundo milhão. Se você quer ter tudo isso, você está no concurso errado, você precisa de um concurso não para diplomata, mas para marajá. Obviamente, não tenho experiência suficiente na carreira para dizer qualquer coisa, digo apenas o que já li e ouvi de diversos comentários por aí. É fato que há carreiras públicas com salários mais altos. Logo, se você tiver o sonho de ficar rico com o salário de servidor público, elas podem vir a ser mais úteis nesse sentido. Há não muito tempo, em 2006, a remuneração inicial do Terceiro-Secretário (cargo inicial da carreira de diplomata), no Brasil, era de R$ 4.615,53. Considerando que o custo de vida em Brasília é bastante alto, não dava para viver de maneira tão abastada, como alguns parecem pretender. É necessário, entretanto, notar que houve uma evolução significativa no aspecto salarial, nos últimos cinco anos (veja a seç~o seguinte, “Carreira e Salrios). De todo modo, já vi vários diplomatas com muitos anos de carreira dizerem: “se quiser ficar rico, procure outra profissão”. O salário atual ajuda, mas não deve ser sua única motivação.
H um texto ótimo disponível na internet: “O que é ser diplomata”, de César Bonamigo, que reproduzo a seguir.
O Curso Rio Branco, que frequentei em sua primeira edição, em 1998, pediu-me para escrever sobre o que é ser diplomata. Tarefa difícil, pois a mesma pergunta feita a diferentes diplomatas resultaria, seguramente, em respostas diferentes, umas mais glamourosas, outras menos, umas ressaltando as vantagens, outras as desvantagens, e não seria diferente se a pergunta tratasse de outra carreira qualquer. Em vez de falar de minhas impressões pessoais, portanto, tentarei, na medida do possível, reunir observações tidas como “senso comum” entre diplomatas da minha geraç~o.
Considero muito importante que o candidato ao Instituto Rio Branco se informe sobre a realidade da carreira diplomática, suas vantagens e desvantagens, e que dose suas expectativas de acordo. Uma expectativa bem dosada não gera desencanto nem frustração. A carreira oferece um pacote de coisas boas (como a oportunidade de conhecer o mundo, de atuar na área política e econômica, de conhecer gente interessante etc.) e outras não tão boas (uma certa dose de burocracia, de hierarquia e dificuldades no equacionamento da vida familiar). Cabe ao candidato inferir se esse pacote poderá ou não fazê-lo feliz.
O PAPEL DO DIPLOMATA
Para se compreender o papel do diplomata, vale recordar, inicialmente, que as grandes diretrizes da política externa são dadas pelo Presidente da República, eleito diretamente pelo voto popular, e pelo Ministro das Relações Exteriores, por ele designado. Os diplomatas são agentes políticos do Governo, encarregados da implementação dessa política externa. São também servidores públicos, cuja função, como diz o nome, é servir, tendo em conta sua especialização nos temas e funções diplomáticos.
Como se sabe, é função da diplomacia representar o Brasil perante a comunidade internacional. Por um lado, nenhum diplomata foi eleito pelo povo para falar em nome do Brasil. É importante ter em mente, portanto, que a legitimidade de sua ação deriva da legitimidade do Presidente da República, cujas orientações ele deve seguir. Por outro lado, os governos se passam e o corpo diplomático permanece, constituindo elemento importante de continuidade da política externa brasileira. É tarefa essencial do diplomata buscar identificar o “interesse nacional”. Em negociações internacionais, a diplomacia frequentemente precisa arbitrar entre interesses de diferentes setores da sociedade, não raro divergentes, e ponderar entre objetivos econômicos, políticos e estratégicos, com vistas a identificar os interesses maiores do Estado brasileiro.
Se, no plano externo, o Ministério das Relações Exteriores é a face do Brasil perante a comunidade de Estados e Organizações Internacionais, no plano interno, ele se relaciona com a Presidência da República, os demais Ministérios e órgãos da administração federal, o Congresso, o Poder Judiciário, os Estados e Municípios da Federação e, naturalmente, com a sociedade civil, por meio de Organizações Não Governamentais (ONGs), da Academia e de associações patronais e trabalhistas, sempre tendo em vista a identificação do interesse nacional.
O TRABALHO DO DIPLOMATA
Tradicionalmente, as funções da diplomacia são representar (o Estado brasileiro perante a comunidade internacional), negociar (defender os interesses brasileiros junto a essa comunidade) e informar (a Secretaria de Estado, em Brasília, sobre os temas de interesse brasileiro no mundo). São também funções da diplomacia brasileira a defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior, o que é feito por meio da rede consular, e a promoção de interesses do País no exterior, tais como interesses econômico-comerciais, culturais, científicos e tecnológicos, entre outros.
No exercício dessas diferentes funções, o trabalho do diplomata poderá ser, igualmente, muito variado. Para começar, cerca de metade dos mil1 diplomatas que integram o Serviço Exterior atua no Brasil, e a outra metade nos Postos no exterior (Embaixadas, Missões, Consulados e Vice-Consulados). Em Brasília, o diplomata desempenha funções nas áreas política, econômica e administrativa, podendo cuidar de temas tão diversos quanto comércio internacional, integração regional (Mercosul), política bilateral (relacionamento do Brasil com outros países e blocos), direitos humanos, meio ambiente ou administração física e financeira do Ministério. Poderá atuar, ainda, no Cerimonial (organização dos encontros entre autoridades brasileiras e estrangeiras, no Brasil e no exterior) ou no relacionamento do Ministério com a sociedade (imprensa, Congresso, Estados e municípios, Academia, etc.).
No exterior, também, o trabalho dependerá do Posto em questão. As Embaixadas são representações do Estado brasileiro junto aos outros Estados, situadas sempre nas capitais, e desempenham as funções tradicionais da diplomacia (representar, negociar, informar), além de promoverem o Brasil junto a esses Estados. Os Consulados, Vice-Consulados e setores consulares de Embaixadas podem situar-se na capital do país ou em outra cidade onde haja uma comunidade brasileira expressiva. O trabalho nesses Postos é orientado à defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior. Nos Postos multilaterais (ONU, OMC, FAO, UNESCO, UNICEF, OEA etc.), que podem ter natureza política, econômica ou estratégica, o trabalho envolve, normalmente, a representação e a negociação dos interesses nacionais.
O INGRESSO NA CARREIRA
A carreira diplomática se inicia, necessariamente, com a aprovação no concurso do Instituto Rio Branco (Informações sobre o concurso podem ser obtidas no site http://www2.mre.gov.birbindex.htm). Para isso, só conta a competência – e, talvez, a sorte – do candidato. Indicações políticas não ajudam.
AS REMOÇÕES
Após os dois anos de formação no IRBr , o diplomata trabalhará em Brasília por pelo menos um ano. Depois, iniciam-se ciclos de mudança para o exterior e retornos a Brasília. Normalmente, o diplomata vai para o exterior, onde fica três anos em um Posto, mais três anos em outro Posto, e retorna a Brasília, onde fica alguns anos, até o início de novo ciclo. Mas há espaço para flexibilidades. O diplomata poderá sair para fazer um Posto apenas, ou fazer três Postos seguidos antes de retornar a Brasília. Isso dependerá da conveniência pessoal de cada um. Ao final da carreira, o diplomata terá passado vários anos no exterior e vários no Brasil, e essa proporção dependerá essencialmente das escolhas feitas pelo próprio diplomata. Para evitar que alguns diplomatas fiquem sempre nos “melhores Postos” – um critério, aliás, muito relativo – e outros em Postos menos privilegiados, os Postos no exterior estão divididos em [quatro] categorias, [A, B, C e D], obedecendo a critérios não apenas de qualidade de vida, mas também geográficos, e é seguido um sistema de rodízio: após fazer um Posto C, por exemplo, o diplomata terá direito a fazer um Posto A [ou B], e após fazer um Posto A, terá que fazer um Posto [B, C ou D].
AS PROMOÇÕES
Ao tomar posse no Serviço Exterior, o candidato aprovado no concurso torna-se Terceiro-Secretário. É o primeiro degrau de uma escalada de promoções que inclui, ainda, Segundo-Secretário, Primeiro-
-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe (costuma-se dizer apenas “Ministro”) e Ministro de Primeira Classe (costuma-se dizer apenas “Embaixador”), nessa ordem. Exceto pela primeira promoção, de Terceiro para Segundo-Secretário, que se dá por tempo (quinze Terceiros Secretários são promovidos a cada semestre), todas as demais dependem do mérito, bem como da articulação política do diplomata. Nem todo diplomata chega a Embaixador. Cada vez mais, a competição na carreira é intensa e muitos ficam no meio do caminho. Mas, não se preocupem e também não se iludam: a felicidade não está no fim, mas ao longo do caminho!
DIRECIONAMENTO DA CARREIRA
Um questionamento frequente diz respeito à possibilidade de direcionamento da carreira para áreas específicas. É possível, sim, direcionar uma carreira para um tema (digamos, comércio internacional, direitos humanos, meio ambiente etc.) ou mesmo para uma região do mundo (como a Ásia, as Américas ou a África, por exemplo), mas isso não é um direito garantido e poderá não ser sempre possível. É preciso ter em mente que a carreira diplomática envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e que existem funções a serem desempenhadas em postos multilaterais e bilaterais em todo o mundo, e n~o só nos países mais “interessantes”. Diplomatas est~o envolvidos em todas essas variantes e, ao longo de uma carreira, ainda que seja possível uma certa especialização, é provável que o diplomata, em algum momento, atue em áreas distintas daquela em que gostaria de se concentrar.
ASPECTOS PRÁTICOS E PESSOAIS
É claro que a vida é muito mais que promoções e remoções, e é inevitável que o candidato queira saber mais sobre a carreira que o papel do diplomata. Todos precisamos cuidar do nosso dinheiro, da saúde, da família, dos nossos interesses pessoais. Eu tentarei trazem um pouco de luz sobre esses aspectos.
DINHEIRO
Comecemos pelo dinheiro, que é assunto que interessa a todos. Em termos absolutos, os diplomatas ganham mais quando estão no exterior do que quando estão em Brasília. O salário no exterior, no entanto, é ajustado em função do custo de vida local, que é frequentemente maior que no Brasil. Ou seja, ganha-se mais, mas gasta-se mais. Se o diplomata conseguirá ou não economizar dependerá i) do salário específico do Posto , ii) do custo de vida local, iii) do câmbio entre a moeda local e o dólar, iv) do fato de ele ter ou não um ou mais filhos na escola e, principalmente, v) de sua propensão ao consumo. Aqui, não há regra geral. No Brasil, os salários têm sofrido um constante desgaste, especialmente em comparação com outras carreiras do Governo Federal, frequentemente obrigando o diplomata a economizar no exterior para gastar em Brasília, se quiser manter seu padrão de vida. Os diplomatas, enfim, levam uma vida de classe média alta, e a certeza de que não se ficará rico de verdade é compensada pela estabilidade do emprego (que não é de se desprezar, nos dias de hoje) e pela expectativa de que seus filhos (quando for o caso) terão uma boa educação, mesmo para padrões internacionais.
SAÚDE
Os diplomatas têm um seguro de saúde internacional que, como não poderia deixar de ser, tem vantagens e desvantagens. O lado bom é que ele cobre consultas com o médico de sua escolha, mesmo que seja um centro de excelência internacional. O lado ruim é que, na maioria das vezes, é preciso fazer o desembolso (até um teto determinado) para depois ser reembolsado, geralmente em 80% do valor, o que obriga o diplomata a manter uma reserva financeira de segurança.
FAMÍLIA : O CÔNJUGE
Eu mencionei, entre as coisas n~o t~o boas da carreira, “dificuldades no equacionamento da vida familiar”. A primeira dificuldade é o que fará o seu cônjuge (quando for o caso) quando vocês se mudarem para Brasília e, principalmente, quando forem para o exterior. Num mundo em que as famílias dependem, cada vez mais, de dois salários, equacionar a carreira do cônjuge é um problema recorrente. Ao contrário de certos países desenvolvidos, o Itamaraty não adota a política de empregar ou pagar salários a cônjuges de diplomatas. Na prática, cada um se vira como pode. Em alguns países é possível trabalhar. Fazer um mestrado ou doutorado é uma opção. Ter filhos é outra...
Mais uma vez, não há regra geral, e cada caso é um caso. O equacionamento da carreira do cônjuge costuma afetar principalmente – mas não apenas – as mulheres, já que, por motivos culturais, é mais comum o a mulher desistir de sua carreira para seguir o marido que o contrário2.
CASAMENTO ENTRE DIPLOMATAS
Os casamentos entre diplomatas não são raros. É uma situação que tem a vantagem de que ambos têm uma carreira e o casal tem dois salários. A desvantagem é a dificuldade adicional em conseguir que ambos sejam removidos para o mesmo Posto no exterior. A questão não é que o Ministério vá separar esses casais, mas que se pode levar mais tempo para conseguir duas vagas num mesmo Posto. Antigamente, eram frequentes os casos em que as mulheres interrompiam temporariamente suas carreiras para acompanhar os maridos. Hoje em dia, essa situação é exceção, não a regra.
FILHOS
Não posso falar com conhecimento de causa sobre filhos, mas vejo o quanto meus colegas se desdobram para dar-lhes uma boa educação. Uma questão central é a escolha da escola dos filhos, no Brasil e no exterior. No Brasil, a escola será normalmente brasileira, com ensino de idiomas, mas poderá ser a americana ou a francesa, que mantém o mesmo currículo e os mesmos períodos escolares em quase todo o mundo. No exterior, as escolas americana e francesa são as opções mais frequentes,
podendo-se optar por outras escolas locais, dependendo do idioma. Outra questão, já mencionada, é o custo da escola. Atualmente, não existe auxílio-educação para filhos de diplomatas ou de outros Servidores do Serviço Exterior brasileiro, e o dinheiro da escola deve sair do próprio bolso do servidor.
CÉSAR AUGUSTO VERMIGLIO BONAMIGO - Diplomata. Engenheiro Eletrônico formado pela UNICAMP. Pós- graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Programa de Formação e Aperfeiçoamento - I (PROFA -
I) do Instituto Rio Branco, 2000/2002. No Ministério das Relações Exteriores, atuou no DIC - Divisão de Informação Comercial (DIC), 2002; no DNI - Departamento de Negociações Internacionais, 2003, e na DUEX - Divisão de União Europeia e Negociações Extrarregionais. Atualmente, serve na Missão junto à ONU (DELBRASONU), em NYC.
2 Conforme comunicado do MRE de 2010, é permitida a autorização para que diplomatas brasileiros solicitem passaporte diplomático ou de serviço e visto de permanência a companheiros do mesmo sexo. Outra resolução, de 2006, já permitia a inclusão de companheiros do mesmo sexo em planos de assistência médica.
Para tornar-se diplomata, é necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todos os anos, no primeiro semestre (normalmente). O número de vagas do CACD, em condições normais, depende da vacância de cargos. Acho que a quantidade normal deve girar entre 25 e 35, mais ou menos. Desde meados dos anos 2000, como consequência da aprovação de uma lei federal, o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty3) ampliou seus quadros da carreira de diplomata, e, de 2006 a 2010, foram oferecidas mais de cem vagas anuais. Com o fim dessa provisão de cargos, o número de vagas voltou ao normal em 2011, ano em que foram oferecidas apenas 26 vagas (duas delas reservadas a portadores de deficiência física4). Para os próximos concursos, há perspectivas de aprovação de um projeto de lei que possibilitará uma oferta anual prevista de 60 vagas para o CACD, além de ampliar, também, as vagas para Oficial de Chancelaria (PL 7579/2010). Oficial de Chancelaria, aproveitando que citei, é outro cargo (também de nível superior) do MRE, mas não integra o quadro diplomático. A remuneração do Oficial de Chancelaria, no Brasil, é inferior à de Terceiro-Secretário, mas os salários podem ser razoáveis quando no exterior. Já vi muitos casos de pessoas que passam no concurso de Oficial de Chancelaria e ficam trabalhando no MRE, até que consigam passar no CACD, quando (aí sim) tornam-se diplomatas.
Para fazer parte do corpo diplomático brasileiro, é necessário ser brasileiro nato, ter diploma válido de curso superior (caso a graduação tenha sido realizada em instituição estrangeira, cabe ao candidato providenciar a devida revalidação do diploma junto ao MEC) e ser aprovado no CACD (há, também, outros requisitos previstos no edital do concurso, como estar no gozo dos direitos políticos, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter idade mínima de dezoito anos, apresentar aptidão física e mental para o exercício do cargo e, para os homens, estar em dia com as obrigações do Serviço Militar). Os aprovados entram para a carreira no cargo de Terceiro-Secretário (vide hierarquia na próxima seç~o, “Carreira e Salrios”). Os aprovados no CACD, entretanto, não iniciam a carreira trabalhando: há, inicialmente, o chamado Curso de Formação, que se passa no Instituto Rio Branco (IRBr). Por três semestres, os aprovados no CACD estudarão no IRBr, já recebendo o salário de Terceiro-Secretário (para remunerações, ver a próxima seç~o, “Hierarquia e Salrios).
O trabalho no Ministério começa apenas após um ou dois semestres do Curso de Formação no IRBr (isso pode variar de uma turma para outra), e a designação dos locais de trabalho (veja as subdivisões do MRE na página seguinte) é feita, via de regra, com base nas preferências individuais e na ordem de classificação dos alunos no Curso de Formação.
3 O nome “Itamaraty” vem do nome do antigo proprietrio da sede do Ministério no Rio de Janeiro, o Bar~o Itamaraty. Por metonímia, o nome pegou, e o Palácio do Itamaraty constitui, atualmente, uma dependência do MRE naquela cidade, abrigando um arquivo, uma mapoteca e a sede do Museu Histórico e Diplomático. Em Brasília, o Palácio Itamaraty, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, é a atual sede do MRE. Frequentemente, “Itamaraty” é usado como sinônimo de Ministério das Relações Exteriores.
4 Todos os anos, há reserva de vagas para deficientes físicos. Se não houver número suficiente de portadores de deficiência que atendam às notas mínimas para aprovação na segunda e na terceira fases do concurso, que têm caráter eliminatório, a(s) vaga(s) restante(s) é(são) destinada(s) aos candidatos da concorrência geral.
O IRBr foi criado em 1945, em comemoração ao centenário de nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Como descrito na página do Instituto na internet, seus principais objetivos são:
harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática (já que qualquer curso superior é válido para prestar o CACD);
desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira;
iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira.
No Curso de Formação (cujo nome oficial é PROFA-I, Programa de Formação e Aperfeiçoamento - obs.: n~o sei o motivo do “I”, n~o existe “PROFA-II”), os diplomatas têm aulas obrigatórias de: Direito Internacional Público, Linguagem Diplomática, Teoria das Relações Internacionais, Economia, Política Externa Brasileira, História das Relações Internacionais, Leituras Brasileiras, Inglês, Francês e Espanhol. Há, ainda, diversas disciplinas optativas à escolha de cada um (como Chinês, Russo, Árabe, Tradução, Organizações Internacionais, OMC e Contenciosos, Políticas Públicas, Direito da Integração, Negociações Comerciais etc.). As aulas de disciplinas conceituais duram dois semestres. No terceiro semestre de Curso de Formação, só há aulas de disciplinas profissionalizantes. O trabalho no MRE começa, normalmente, no segundo ou no terceiro semestre do Curso de Formação (isso pode variar de uma turma para outra). É necessário rendimento mínimo de 60% no PROFA-I para aprovação (mas é praticamente impossível alguém conseguir tirar menos que isso). Após o término do PROFA-I, começa a vida de trabalho propriamente dito no MRE. Já ouvi um mito de pedida de dispensa do PROFA I para quem já é portador de título de mestre ou de doutor, mas, na prática, acho que isso não acontece mais.
Entre 2002 e 2010, foi possível fazer, paralelamente ao Curso de Formação, o mestrado em diplomacia (na prática, significava apenas uma matéria a mais). Em 2011, o mestrado em diplomacia no IRBr acabou.
Uma das atividades comuns dos estudantes do IRBr é a publicação da Juca, a revista anual dos alunos do Curso de Formação do Instituto. Segundo informações do site do IRBr, “[o] termo ‘Diplomacia e Humanidades’ define os temas de que trata a revista: diplomacia, ciências humanas, artes e cultura. A JUCA visa a mostrar a produção acadêmica, artística e intelectual dos alunos da academia diplomática brasileira, bem como a recuperar a memória da política externa e difundi-la nos meios diplomático e acadêmico”. Confira a página da Juca na internet, no endereço: http://juca.irbr.itamaraty.gov.bpt-bMain.xml.
Para saber mais sobre a vida de diplomata no Brasil e no exterior, sugiro a conhecida “FAQ do Godinho” (“FAQ do Candidato a Diplomata”, de Renato Domith Godinho), disponível para download no link: http://relunb.files.wordpress.com/2011/08/faq-do-godinho.docx. Esse arquivo foi escrito há alguns anos, então algumas coisas estão desatualizadas (com relação às modificações do concurso, especialmente). De todo modo, a parte sobre o trabalho do diplomata continua bem informativa e atual.
MEUS ESTUDOS PARA O CACD – http://relunb.wordpress.com
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2020.05.22 14:25 informaxweb O pequeno príncipe

Em um certo dia estava de boas navegando na minha internet maravilhosa e vi umas pessoas fazendo resumo de livros, achei muito interessante a ideia, lembrei que na infância fiz uma peça do pequeno principie, por volta de 7/8 anos atrás e eu tinha sido o pequeno príncipe kkk. Bom eu tinha lembrado uma pergunta que tinha feito a uma professora "porque os adultas fazem coisas tão estupidas?" a minha professora olhou para mim e disse "quando estiver mais velho, vais saber", agora estou aqui depois de muitos anos e de reler o pequeno príncipe, vou publicar a vocês, "as conclusões do pequeno príncipe".

ER... oi, vamos lá... você pessoa anônima já leu o pequeno príncipe?
Já tentou pincelar um pouco a origem, história e trajetos do garotinho?
Não?! Vamos lá então. Eu me chamo robert e apresentarei hoje, “as conclusões do pequeno príncipe”
Bom, o livro começa com um adulto que aparentemente quebrou seu avião enquanto pilotava, mas depois de ler algumas frases e conversas percebi que tinha duas perguntas na mente dele, “o que é ser uma pessoa mais velha? ” e “o que deveria ser considerada uma coisa séria?” e ao desenhar em seu caderno ele percebe isso. Provavelmente você durante sua vida já deve ter visto, se trata de o que aparenta ser um chapéu, claro que você vira isso se sua curiosidade fosse de uma forma mais “adulta”, ou poderia ser uma jiboia engolindo um elefante sendo sua mentalidade mais fértil, uma mentalidade mais “infantil”.
após este rapaz passar o dia concertando o avião, tinha uma voz na mente dele discutindo consigo mesmo “o que é ser sério?”, a noite chega e o senhor decide adormecer então de longe o pequeno príncipe chega de longe e pede para ele desenhar um carneiro, homem então se levanta e afirma que não tem habilidade suficiente para desenhar algo “difícil”, só consegue fazer aquele desenho que tinha feito antes, o pequeno príncipe ao ver o desenho do “chapéu”, ele afirma que seria uma jiboia e não um elefante como todos veem. A partir dali começa uma amizade entre o homem e o pequeno príncipe, após alguns dias juntos o homem se pergunta de onde veio o pequeno príncipe, pois claramente ele não aparentava ser daquele local, que é pelo tamanho extremamente pequeno do seu planeta o pequeno príncipe não conheceria o homem, a partir daí começa sua história.
O pequeno príncipe conta que morava em um pequeno asteroide, eis que do mesmo asteroide nasce uma rosa, ou seja nasceu em sua casa e ele se encanta por ela, o problema é que esta rosa possuía um orgulho muito grande e por ser a única rosa daquele local ela tratava-o muito mal, aos poucos aquela “amizade” foi ficando chata e se desfazendo, a partir disso o pequeno príncipe achou que deveria conhecer outros locais através do vasto espaço inexplorado, ele se despede da rosa e ela acaba se desculpando sobre tudo que tinha feito e ambos se separam entristecidos. E após essa despedida é que a viagem dele pelos vastos asteroides começam.
O primeiro asteroide é de um rei, que aparentemente vivia sozinho naquele pequeno espaço e mesmo sendo um rei sem nenhum habitante o trabalho se tornaria inútil e isso o entristecia. O segundo asteroide então era e um homem vaidoso na qual vivia sozinho em seu mundo e mesmo que suas roupas fossem lindas, seus modos e sua beleza, restava algo no vaidoso, uma pessoa a quem admirar ele e por não ter isso o entristecia. O terceiro planeta é de um bêbado onde seu objetivo e o que ele fazia da vida, era apenas beber, o problema era que ele bebia para esquecer de seus problemas e seu problema era nunca para de beber. E viver assim nessa espécie de paradoxo de beber para esquecer que não se deve beber ele só ficava naquele mundo e isso o entristecia. O quarto planeta era de um homem que passava sua vida contando estrelas, ele contava e contava varais e várias vezes cada uma delas e ele sempre fez isso, por anos disso ele não tinha tempo. O pequeno príncipe em sua reflexão pensou “regar uma flor pode ser útil, para a flor que se mantem viva e para mim que me sinto bem a fazer isso, contar as estrelas pode ser útil para ele, mas, e para as estrelas o que beneficiam elas? E isso o deixaria preso infinitamente. O quinto planeta era de um lampião que passava sua vida ascendendo e apagando um grande e único lampião de seu planeta, por quanto mais passava as estações, o seu serviço por obrigação ficava mais rápido, fazendo com que um dia no seu planeta durasse apenas um minuto, levando uma vida mais triste, mas a mais útil do que a do rei, do bêbado, do vaidoso e do contador, pois ele não fazia as coisas apernas para fins próprios ele fazia para o mundo dele, fazendo dele uma pessoa menos egoísta e mesmo assim isso o entristecia. O sexto planeta era de um geografo que ficava todo o momento “descobrindo” e anotando coisas sobre seu mundo, só que não tinha o porquê ele fazer aquilo, afinal ele precisava com que pessoas fossem no mundo dele para ele relatar o que já tinha visto e encontrado e de todos ele era o único que aparentava ficar feliz com suas próprias conquistas e o trabalho que fazia com tanto orgulho e êxito.
Logo após todos esses asteroides o pequeno príncipe tem a recomendação de ir até a terra.
Mas... calma quero que reflita agora o motivo desse livro ser tão importante para todos que leram, bom a uns anos atrás eu fiz uma peça para minha escola e eu me perguntava o motivo dos adultos fazerem coisas tão idiotas, cheguei a perguntar para minha professora de teatro na época, “porque os adultos fazem coisas tão idiotas e acham certo? ”, ‘porque o vaidoso se vestia tão bem se não tinha ninguém que podai admira-lo? ” “Porque o rei reina um local onde não tem ninguém para ele ordenar? ”, “ porque o lampião apaga e ascende se não tem ninguém para ver? ”. E ela sempre falava para mim “ quando você crescer, vai entender” e por incrível que pareça ela estava correta. Após rever este livro tão incrível esses dais, eu percebi o que acontecia, todos os planetas eram habitados por adultos, onde o primeiro seria o rei não sabe ser divertido, para ele ordenar e ser respeitado era uma coisa que estava acima de tudo, indicando a severidade dos adultos. O vaidoso não ligava para suas roupas desconfortantes ou seu jeito educado que as veze podia ser até chato e ele representava, mostrando que estética e aparência é o que importa, indicando um padrão a ser seguido. O bêbado por sua vez não conseguia ser ele mesmo, mostrar sua verdadeira personalidade, então ele bebia para esquecer dos problemas, o seu único mal era não ter coragem de parar de beber isso tornava-o uma pessoa muito mal e triste e isso mostra o lado inseguro dos adultos. O contador de estrales era a pessoa que trabalhava e por tempos não parou de trabalhar, o contador é o que mais trabalha e se esforça e por ironia de um destino, se torna o mais inútil, por ter uma informação desnecessária para as outras pessoas indicando o lado de trabalho dos adultos. O asteroide do lampião era o mais triste e chato, mesmo assim tinha um bom coração, querendo manter sempre o mundo iluminado e apagado, indicando o arrependimento dos adultos. E o geografo, bom tomei o exemplo dos setes pecados capitais da bíblia, se fosse classifica-lo seria a preguiça, o geografo passava o seu dia descaçando em seu vasto planeta e tudo que sabia era pelas as pessoas, por alguém que passou por ali e falou algo, ou por alguém que gostava de contar as coisas da sua vida para ele, afinal ele nunca quis levantar de seu local e ir ver o mundo incrível que avia a sua volta, mostrando o lado cego dos adultos.
Percebeu? O pequeno príncipe em seis asteroides mostrou a vida de um adulto. Uma vida sem sonhos, motivos, expectativas que trabalha sem para e não consegue entender o mundo a sua volta.
A mensagem que quero passar é... Não seja um adulto, não perca o seu pequeno príncipe, eles por mais uteis que fossem viviam solitários, sozinhos e tristes e se um dia perguntarem o que você via no desenho... pode falar que via uma jiboia engolindo o elefante... sem medo de nada.

obrigado para quem leu ^^
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2020.05.18 04:46 altovaliriano Jon Snow (Parte 6)

Esta é a última parte da série de textos sobre Jon Snow.
Os capítulos de Jon Snow em A Dança dos Dragões são marcados por escolhas que afetarão milhares de pessoas. Na condição de Lorde Comandante da Patrulha da Noite, o rapaz sabe que não pode deixar para pensar depois nas consequências de seus atos, pois não é ele quem vai ter que arcar com as consequências de seus atos, mas toda a irmandade.
Em razão disto, Jon escolhe ser um líder objetivo, independente e frugal. É assim que ele entende que um homem adulto deve se comportar. “Mate o menino e deixe o homem nascer”. Mas não há como culparmos Jon por isso. Todos os homens que lhe instruíram sobre a vida tinham estas caracterísitcas.
Eddard Stark, Meistre Luwin, Aemon Targaryen, Jeor Mormont e, em menor medida, Mance Rayder. Todos eles eram homens com um rol de princípios claros, conhecidos por todos ao seu redor. Igualmente tendiam a ter suas próprias opiniões e a tomar decisões a despeito da vontade dos demais. E também eram homens simples, cuja aparência por vezes enganava seu real status.
Quando encontramos Jon depois de ele ter tomado posse no cargo, nenhuma mudança real parece ter acontecido. Stannis está chamando de bastardo em sua cara. Godry Farring chama-o de rapaz e o desafia. Por outro lado, desde o primeiro capítulo de Samwell em O Festim dos Corvos ficamos sabendo que o Lorde Comandante se instalou nos antigos aposentos de Donal Noye, lugar de onde não saiu nem mesmo depois que Stannis deixou aposentos vazios na Torre do Rei vazia ao partir.
A frugalidade de Jon, porém, é uma mistura de partes iguais de sua criação e idade. Jon não só quer fingir ter o ‘desapego das formas e privilégio do conteúdo’ que vem naturalmente com a maturidade (“mate o menino e deixe o homem nascer”). Snow também quer provar àqueles ao seu redor que o poder não lhe subiu à cabeça.
Ainda que não convenha ao Lorde Comandante se portar como um rei ou um lorde de verdade, existem diversos recursos simbólicos na tomada do poder que ajudam um Lorde Comandante a governar seus iguais. Como disse Ben Plumm a Daenerys, “O homem que quer ser o rei dos coelhos deve estar pronto para usar um par de orelhas de abano” (ADWD, Daenerys I), o que é apenas uma versão de uma lição política muito antiga em nosso mundo:
“o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo“
(MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe)
Portanto, as aparências de poder são uma ferramenta legítima de um governante, que deve saber quando fazer uso delas, sem se deixar afetar pelo apego às origens. A meu ver, Melisandre é que m faz a melhor análise da situação de Jon:
Snow decidira continuar vivendo atrás do arsenal, em um par de cômodos modestos previamente ocupados pelo último ferreiro da Patrulha. Talvez não se achasse digno da Torre do Rei, ou talvez não se importasse. Isso era um erro, a falsa humildade da juventude que, em si, era um tipo de orgulho. Nunca foi sábio para um governante evitar as armadilhas do poder, pois o poder flui em quantidades não pequenas de tais armadilhas.
(ADWD, Melisandre)
Estes pensamentos revelam que Melisandre tem uma visão política do mundo muito mais fundada na realidade do que seu fanatismo religioso deixa transparecer. Entretanto, a frugalidade-vaidade de Jon, que ela condenou, parece ser o aspecto mais inofensivo deste seu atributo. Há um pouco dessa sobriedade também na forma como Jon governa a Patrulha com objetividade. Curiosamente, é esta combinação que faz com que Jon não dê crédito a Melisandre.
No começo do livro, Aemon já indicava a Jon que Melisandre provavelmente se enganava ao interpretar a profecia de Azor Ahai e que a magia na espada de Stannis era espetáculo ao invés de poder. Dessa forma, Jon já iniciava sua jornada em dúvida sobre Melisandre. A feiticeira usa Ygritte, Fantasma, Mance e Arya para tentar espantar as desconfianças de Jon. Mas bastou ela errar uma de suas previsões, para que a razão ditasse que Jon não lhe desse mais créditos.
E Jon assim fez com dureza:
– Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quando tiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
– A esperança de um tolo. – Jon virou-se e a deixou.
(ADWD, Jon XIII)
Quando Bowen Marsh colocou Jon à par da situação dos estoques da Patrulha, Jon deu mais ouvidos ao Intendente do que a seus olhos. Uma conduta sábia. Mas não foi tão sábio não perceber a jogada do Intendente. Sabendo que Jon queria alimentar os Selvagens e da natureza objetiva e frugal de Jon, Marsh primeiro apresentou o problema para depois vender uma solução.
A sugestão de Marsh: a comida somente daria para todos por um longo período se eles racionassem. Jon mostrou ao leitor que sabia que esta medida o faria impopular entre os irmãos negros, porém, diante de como Bowen colocou a questão, não parecia haver outra solução. Alguém duvida que o Intendente se valeu dessa decisão de Jon para angariar aliados na sua oposição? Alguém pode dizer que confia 100% nas estimativas que Marsh passou a Jon?
O Lorde Comandante, porém, preferiu não ouvir uma segunda opinião. O que deveria soar estranho para o leitor, haja vista que a objetividade de Jon faz com que ele e Marsh passem um livro inteiro em discordância. Ainda mais quando Marsh usa o mesmo argumento da comida quando Jon começa a trazer recrutas de Vila Toupeira.
Entretanto, o mais danoso atributo de Jon enquanto Lorde Comandante é sua independência postiça. Não por acaso Martin fez com que Jon fosse eleito por ação de Samwell. Caso Jon tivesse ele mesmo costurado os acordos para impedir que Slynt fosse eleito, muito provavelmente Jon não teria a falsa impressão de que poderia governar sem aliados próximos de si. No cargo, Jon acreditava que poderia ir preenchendo os cargos vagos por merecimento (como fez com Couros e Cetim).
Muito provavelmente, Jon pensava que seus amigos seriam sua maior fraqueza. Por isso manda embora Samwell e todos os colegas mais próximos, que o resgataram quando ele tentou desertar em A Guerra dos Tronos (Grenn, Pyp, Sapo e Halder). Ele até mesmo mandou embora Dywen, que era um porta-voz de Jon entre os Patrulheiros. Martin espertamente disfarçou essa dispensa de Dywen no meio da manobra de Jon para se livrar de Alliser Thorne. Mas, vejam , sem Dywen por perto, os patrulheiros ficariam á mercê de Bowen, que já tinha o apoio dos construtores e intendentes.
Quando não colocou seus aliados em posições estratégicas, Jon privilegiou seus opositores em detrimento de seus aliados. Aliás, manter as figuras como Marsh e Yarwick nos cargos, mesmo achando-os incapazes, fez com que Jon me lembrasse uma versão invertida de Cersei e seu pequeno conselho. Em Porto Real, a Rainha não ouvia conselhos de verdade de seus bajuladores sem talento. Em Castelo Negro, o Lorde Comandante não ouvia conselhos de verdade de seus opositores sem talento.
Com efeito, a quantidade de vezes em que Jon enfrenta seu “pequeno conselho” chega aos limites do ridículo. São tantas vezes que eu comecei a suspeitar que Martin não está querendo que vejamos uma tensão crescente. Afinal, Jon é bem-sucedido contra quase todas as investidas de Bowen Marsh, Othel yarwick e Septão Cellador. Como demonstrei no texto passado, não havia necessidade de Jon gerar tanta insatisfação na Patrulha. O motim seria crível de qualquer modo assim que ele desertasse.
A verdade é que eu penso que Martin estava ganhando tempo com esta série de debates. Como ele sabia que Jon seria assassinado, ele precisava prepara muito o terreno para o que sucederia à morte de Jon. Mas as sementes que seriam plantadas neste terreno seriam as decisões polêmicas de Jon, GRRM devia sentir que era necessário que a Patrulha respondesse negativamente a cada uma dessas ‘reformas’ para que a situação parecesse verossímil ao leitor.
Por outro lado, a oposição constante fazia crescer a dependência do Lorde Comandante pelo apoio dos Selvagens, o que criava um óbvio ciclo vicioso. Jon teve que confiar cegamente em Val para achar Tormund, deu uma senhoria a Sigorn através do casamento com Alys Karstark e tomou conselhos apenas de Tormund no assunto da carta de Ramsay.
O caso de Val, na verdade, é muito curioso. Martin foi sorrateiro ao representa-la tão disposta a ajudar Jon. Ela já havia sido oferecida como esposa a Jon por Stannis e durante o livro vemos o quanto ela tem química com Jon... até que ela entra em pânico assassino ao conhecer Shireen. Mas tudo isso só acontece quando Jon está em dívida com Val. Dessa forma, GRRM coloca o Lorde Comandante novamente em desvantagem e dependência.
Quanto ao casamento de Sigorn e Alys, o caso é mais sutil. Já havia fortes indícios que seria uma questão de tempo até que Sigorn ganhasse algum poder político, mas ninguém nunca se perguntou por que os noivos, ambos adoradores dos velhos deuses, foram casados por Melisandre?
Parece lógico à primeira vista que simplesmente seja uma imposição externa, da Rainha Selyse. Porém, é dito que Septão Cellador tentou realizar a cerimônia, revelando que não houve sequer debate sobre o assunto. Os adoradores da Fé dos Sete devem ter se sentido mais desagradados do que se a cerimônia fosse realizada perante um árvore-coração.
Falemos então de Tormund. No penúltimo capítulo de Dança, Jon teve um sonho em que estava defendendo a Muralha sozinho contra os Outros. Isso era um reflexo do isolamento que sentia. Logo depois, Tormund apareceu com seus quatro mil selvagens para passar sob a Muralha. Ou seja, Jon só encontrou com o velho conhecido quando o isolamento de Jon na Muralha já o atingia em nível subconsciente.
Temos que admitir que a simpatia e bom humor de Tormund foram um bálsamo bem-vindo a Jon. A forma como Tormund cooperou também facilitou Jon no convencimento dos homens dos Clãs das Montanhas de que a Patrulha e o Povo Livre estavam na mesma página quanto à trégua. Entretanto, o alívio deve ter sido grande demais para Jon.
Quando a carta de Ramsay chegou a Castelo Negro, Jon se recordou que Melisandre previra sua chegada e pedira que ele viesse falar com ela sobre o assunto. Depois de ter lido a carta no Salão dos Escudos, Jon se arrependeu de não ter ido conversar com Selyse antes do anúncio, pois não era adequado que ela fosse a última a saber da morte de Stannis. Por que ele não pensou nisso antes? Por que estava com Tormund quando a carta chegou.
A sensação de intimidade (e até um pouco de carência) devem ter feito com que Jon perdesse a prudência e adquirisse um indevido senso de urgência. De fato, não havia nada que justificasse sua deserção imediata. Ao invés de procurar Melisandre ou avisar Selyse, Jon passou duas horas refazendo seus planos com o amigão Tormund. Planos os quais Martin nos sonegou ao suprimir a conversa.
Alguém tem dúvida que Tormund não é o conselheiro mais indicado para este tipo de situação? Que dificilmente ele perceberia as nuances do conteúdo da carta como Melisandre afirmava ser capaz de decifrar? Cadê “mate o menino e deixe o homem nascer” nessa horas? Em lugar nenhum. Jon não pensou nisso nenhuma vez. Tal qual não pensou quando lidava com Janos Slynt. Na verdade, eu penso que Jon só não foi morto no próprio Salão dos Escudos porque naquele momento “os selvagens suplantavam os corvos em cinco para um” (ADWD, Jon XIII).
Porém, precisamos falar um pouco mal dos motineiros. O que eles estavam pensando quando resolveram usar o incidente entre Sor Patrek e Wun Wun para atacar Jon quando “homens saíam aos montes das fortalezas e torres ao redor. Nortenhos, povo livre, homens da rainha”? talvez Jon e Marsh se pareçam muito. Talvez ambos sejam pessoas demasiado passionais para lidar com a política da Muralha às vésperas da Longa Noite.
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Para concluir eu tenho uma pergunta: Quem foram os autores da terceira e a quarta facada em Jon? Alf e Lew Mão esquerda?
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2020.05.16 23:17 Hydra666_ Eu perdi a vontade de continuar viva...

Bom, eu tenho 23 anos e tive três relacionamentos e todos os 3 abusivos, pode pensar que talvez eu não tenha tido muita sorte. Mas você sabe, todo relacionamento abusivo o cara é um príncipe no início. Estou em um relacionamento agora em que eu não tenho mais vontade de viver, eu tentei eu juro que eu tentei de todas as formas. Infelizmente eu moro com ele e eu não tenho pra onde ir, eu juro por Deus que se tivesse eu já tava longe daqui. Em novembro de 2019 eu fui assisti um jogo do Vasco, tava indo tudo tão bem até que alguém que eu não sei por conta da multidão drogou a minha bebida e eu perdi a consciência por horas, meu namorado me tratou pior do que lixo nesses momentos eu tenho vagas lembranças e meu corpo doía demais eu tenho certeza que naquele dia eu fui agredida... Ele pegou meu celular nesse dia e saiu xingando diversas pessoas se passando por mim. Ele me deixou jogada num chão de um estacionamento eu estava em outra cidade pra ver esse jogo que inclusive não consegui ver. Eu não sei o que houve comigo nesse meio tempo em que eu fiquei largada sozinha. Eu tenho medo de saber, tenho um buraco enorme no meu peito desde então. Quando ele tá estressado ele desconta tudo em mim, a última vez ele disse que eu tinha vocação pra ser piranha igual minha mãe e que ele era uma pessoa muito boa pra mim. Muitas vezes eu passo semanas sem comer direito porque ele não compra nada pra casa, faz um tempo mas eu descobri que ele tem mais de 10 mil reais na conta, ele não paga conta pq a casa e dos pais... Eu me sinto sem vida, sem rumo estou dois anos desempregada e não consegui nada... Bom se vc leu até aqui obrigada tá? Vou fazer um mini merchan... Sou Ui/Ux desing e ilustradora manda job se precisar. Desculpem o textão
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2020.04.12 04:33 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 7

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

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Sinais e Portentos

Uma das habilidades mais impressionantes doeGRRM como escritor, em minha opnião, é sua capacidade de ocultar prenúncios [foreshadows] em cenas aparentemente irrelevantes a serem revisitadas pelo leitor, que maravilhará com elas. Por exemplo:
Quando Podrick quis saber o nome da estalagem onde esperavam passar a noite, Septão Meribald apegou-se avidamente à pergunta [...].
– Alguns a chamam Velha Estalagem. Ali existe uma estalagem há muitas centenas de anos, embora esta só tenha sido construída durante o reinado do primeiro Jaehaerys […].
Mais tarde, passou para um cavaleiro aleijado chamado Jon Comprido Heddle, que se dedicou a trabalhar o ferro quando ficou idoso demais para combater. Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. [...]
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick qui saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem. O estalajadeiro não voltou a pendurar outro sinal, e os homens esqueceram-se do dragão.
(AFFC, Brienne VII)
Aqui está a essência da teoria de que Aegriff é um pretendente de Blackfyre explicada por meio de brasões. O dragão negro retornando a Westeros via mar disfarçado de vermelho. Existem inúmeros pequenas recompensa nos livros para os fãs desenterrarem e, geralmente, quanto mais importante é a história, mais difusas são as dicas. R + L = J é provavelmente o atual campeão disso, com alusões a ela freqüentemente despontando em diálogos casuais sobre Jon ou envolvendo-o. Como por exemplo, esta conversa de quando ele soltar Val na Floresta Assombrada para encontrar Tormund:
[Jon:] Você voltará. Pelo menino, se não por outra razão. [...]
[Val:] Assegure-se de que esteja protegido e aquecido. Pelo bem da mãe dele, e pelo meu. E o mantenha longe da mulher vermelha. Ela sabe quem ele é. Ela vê coisas nas chamas.
Arya, ele pensou, esperando que fosse assim.
– Cinzas e brasas.
– Reis e dragões.
Dragões novamente. Por um momento, Jon quase os viu também, serpenteando na noite, suas sombras escuras delineadas contra um mar de chamas.
(ADWD, Jon VIII)
Muito irônico que, mais cedo, em seu próprio capítulo, Melisandre olhe para as chamas e veja Jon, como ela faz há algum tempo. Jon, que é é rei e dragão (se R+L=J for verdade).
Portanto, a questão agora é se o GRRM deixou pistas que levem à Grande Conspiração Nortenha.
Mais homens de neve haviam sido erguidos no pátio quando Theon Greyjoy voltou. Para comandar as sentinelas de neve nas muralhas, os escudeiros haviam erigido uma dúzia de senhores de neve. Um claramente pretendia ser Lorde Manderly; era o homem de neve mais gordo que Theon já vira. O senhor de um braço só podia ser Harwood Stout, a boneca de neve, Barbrey Dustin. E um que estava mais perto da porta com a barba feita de pingentes de gelo devia ser o velho Terror-das-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Que escolha interessante de bonecos de neve para citar e assim chamar à atenção. No mesmo capítulo, especula-se que Manderly, Terror-das-Rameiras, Stout e a Senhora Dustin formam uma espécie de corrente humana para transmitir informações sobre os Starks (a sobrevivência de Bran e Rickon, com certeza) com o fim derradeiro de trazer a Senhora Dustin e os Ryswells para a secreta liga anti-Bolton.
Ainda mais intrigante é o fato de que isso também pode ser lido como um jogo de palavras que sugerem o apoio norte de Jon. Assim como Wylla Manderly proclama sua lealdade aos Starks durante a audiência de seu avô com Davos, dizendo que os Manderlys juravam ser sempre “homens Stark”, se Lord Wyman e seus co-conspiradores decidissem apoiar o decreto de Robb de nomear Jon seu herdeiro, eles seriam "homens de neve" [Snow men].
Outro conjunto de pistas em potencial está na escolha de músicas de Manderly durante a festa do casamento (ADWD, O príncipe de Winterfell). Por que Manderly quer que Abel contemple os Freys com uma música sobre o Rato Cozinheiro já foi discutido, mas qual das outras duas músicas ele pede pelo nome? Os tristes contos de Danny Flint e "A Noite que Terminou".
Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinou, antes de seu nome ter sido varrido da memória dos homens. Foi ali que o Cozinheiro Ratazana serviu ao rei ândalo seu empadão de príncipe e bacon, que as setenta e nove sentinelas mantiveram-se de vigia, que o bravo jovem Danny Flint foi violado e assassinado.
(ASOS, Bran IV)
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[Jon:] Mance alguma vez cantou Bravo Danny Flint?
[Tormund:] Não que eu me lembre. Quem era ele?
– Uma garota que se vestiu de menino para tomar o negro. Sua canção é triste e bonita. O que aconteceu com ela não foi. – Em algumas versões da canção, seu fantasma ainda caminhava pelo Fortenoite.
(ADWD, Jon XII)
Já foi teorizado que o elemento chave da história de Danny Flint que Manderly tem em mente é a farsa por meio de uma identidade falsa. Jeyne Poole é outra garota que finge ser alguém que não é e, embora o faça sob coação, seu destino é tão terrível quanto o de Danny Flint.
Manderly pode ter desvendado a falsa Arya? Como? Na verdade, duas falsas Aryas são analisadas e julgadas não convincentes - primeiro Jeyne por Theon (ADWD, Fedor II), depois Alys Karstark por Jon (ADWD, Jon IX). Theon percebe imediatamente que os olhos de Jeyne são castanhos, não cinza. Jon também verifica o cabelo e a cor dos olhos de Alys, que combinam com os de Arya, mas percebe que ela é velha demais para ser sua irmã mais nova. O mesmo vale para Jeyne, que era a melhor amiga de Sansa e, portanto, provavelmente da mesma idade dela, alguns anos mais velha que Arya. A questão é que o estratagema dos Bolton não é perfeito, e uma pessoa familiarizada com Arya pode identificar as discrepâncias. Existe alguém assim em Winterfell além de Theon?
Os Cerwyns são bons candidatos, em minha opinião. Eles moram a apenas meio dia de viagem de Winterfell (ACOK, Bran II) e pode-se esperar que tenham visitado os Starks com frequência suficiente para observar Arya de perto. O próprio Mance Rayder é outro, tendo supostamente aparecido em Winterfell durante o festim real em A Guerra dos Tronos com o propósito declarado de espiar. Harwin, se ele é realmente o misterioso homem encapuzado que Theon encontra. Outros senhores do Norte talvez também suspeitem, pois se interessariam em Arya pelas perspectivas de seu casamento.
Por fim, “A Noite que Terminou” é aparentemente uma música que comemora a última Longa Noite e a vitória da humanidade sobre os Outros.
Muito mais tarde, depois de todos os doces terem sido servidos e empurrados para baixo com galões de vinho de verão, a comida foi levada e as mesas encostadas às paredes para abrir espaço para a dança. A música tornou-se mais animada, os tambores juntaram-se a ela, e Hother Umber apresentou um enorme corno de guerra encurvado com faixas de prata. Quando o cantor chegou à parte de A Noite que Terminou, em que a Patrulha da Noite avançava ao encontro dos Outros na Batalha da Madrugada, deu um sopro tão forte que fez todos os cães latirem.
(ACOK, Bran III)
Em conjunto, a playlist de Manderly no casamento diz àqueles inteligentes o suficiente para ouvir que ele não está se deixando enganar pelas mentiras dos Bolton, ele já derramou sangue Frey às escondidas e seu lado será o vencedor no final. Há outra singularidade em sua seleção de músicas, no entanto. Uma que sugere novamente uma conexão com Jon. Todos as três cançoes são sobre a Patrulha da Noite.
O Rato Cozinheiro era um irmão negro que se vingou, e Danny Flint queria ser um. " A Noite que Terminou " apresenta a Patrulha em glorioso triunfo sobre os Outros, salvando o reino no processo. Certamente, há outras músicas sobre garotas bonitas disfarçadas e mentirosas recebendo sua punição, ou sobre vitórias Stark sobre os ândalos, selvagens ou homens de ferro que Manderly poderia ter pedido. A menos que ele (ou GRRM!) esteja, de fato, inserindo outro ponto muito sutil com isso: que Jon Snow não tenha sido esquecido pelos vassalos leais de seu falecido pai e irmão.
E há uma terceira referência a Jon! Quais são os nomes das duas garotas que tão comovente e retumbantemente falam do amor do Norte pelos Starks? Wylla Manderly e Lyanna Mormont. Pode ser simples coincidência que uma compartilhe um nome com a ama de leite de Jon (que Ned afirmou ser sua mãe) e a outro tenha o nome da verdadeira mãe biológica de Jon (assumindo R + L = J como verdadeiro). Uma vez que estamos falando das Crônicas de Gelo e Fogo , no entanto, eu digo que provavelmente não é coincidência.
Um último potencial prenúncio tem a ver com Stannis e sua campanha para ganhar o Norte.
Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se emvolta de uma das sanguessugas.
– Diga o nome – ordenou Melisandre.
A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a umde seus dedos.
– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.
Stannis agarrou a segunda.
– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro […]
A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por ummomento, enquanto se contorcia entre seus dedos.
– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.
(ASOS, Davos IV)
Joffrey, Balon e Robb morrem nas mãos de homens, cujos planos estão em andamento muito antes de Stannis realizar qualquer ritual, não porque sejam amaldiçoados magicamente ou porque R'hllor quer que seja assim. Para que serve Stannis queimando as sanguessugas? Em seu capítulo em A Dança dos Dragões, vimos Melisandre apostar pesado nas aparências como uma maneira de conservar sua influência, mantendo os homens admirados por sua aura de misticismo. Uma demonstração de poder, a fim de recuperar a confiança de Stannis, não seria ruim após a derrota desastrosa no Àgua Negra e, por mais risíveis que tenham sido suas interpretações sobre Azor Ahai, Melisandre consegue prever eventos de importância política em suas chamas, às vezes com detalhes e precisão impressionantes.
[Jon:] Outros senhores se declararam por Bolton também?
A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.
– Vi uma cidade com muralhas de madeira, ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes se agitavam sobre suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabos longos cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos flamejantes.
– Hornwood, Cerwy n, Tallhart, Ryswell e Dustin – informou Sor Clayton Suggs. – Traidores, todos. Cãezinhos de estimação dos Lannister.
(ADWD, Jon IV)
Melisandre vê nas chamas que Joffrey, Balon e Robb não demorarão muito no mundo dos vivos e orquestra uma pequena farsa para Stannis; portanto, quando a notícia de suas mortes chegar até ele, sua crença nela e em suas habilidades será reforçada. Como tudo isso é relevante para a Grande Conspiração Nortenha? Lorde Bolton é chamado por alguns de Senhor Sanguessuga pelas sanguessugas que frequentemente usa para tratamentos de saúde.
[Roose:] Tem medo de sanguessugas, filha?
[Arya:] São só sanguessugas. Senhor.
– Meu escudeiro poderia aprender alguma coisa com você, ao que parece. Sangramentos frequentes são o segredo de uma vida longa. Um homem tem de se purgar do sangue ruim.
(ACOK, Arya IX)
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O quarto do senhor estava cheio de gente quando [Arya] entrou. Qyburn encontrava-se presente, bem como o severo Walton com seu camisão e grevas, além de uma dúzia de Frey, todos eles irmãos, meios-irmãos e primos. Roose Bolton estava na cama, nu. Sanguessugas aderiam à parte de dentro de seus braços e pernas e espalhavam-se por seu peito pálido, longas coisas translúcidas que se tornavam de um cor-de-rosa cintilante quando se alimentavam. Bolton não prestava mais atenção nelas do que em Arya.
(ACOK, Arya X)
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– O que você quer agora? – Gendry perguntou numa voz baixa e zangada.
[Arya:] Uma espada.
– O Polegar Preto mantém todas as lâminas trancadas, já lhe disse mais de cem vezes. É para o Senhor Sanguessuga?
(ACOK, Arya X)
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Os olhos de Harwin desceramdo rosto de Arya para o homem esfolado que trazia no gibão.
– Como é que me conhece? – disse, franzindo a testa, desconfiado. – O homem esfolado... quem é você, algum criado do Lorde Sanguessuga?
(Arya II, ASOS)
Qyburn, Jaime e a Senhora Dustin também observam a associação de Roose com sanguessugas (ASOS, Jaime IV / ADWD, O Príncipe de Winterfell). Figurativamente falando, Stannis está novamente queimando sanguessugas para se exibir em sua guerra contra os Boltons, esperando convencer os nortenhos a apoiarem sua tentativa pelo Trono de Ferro. Mas, assim como o teatro de Melisandre não resulta em nada além de aprofundar a confiança de Stannis nela, os experimentos de Stannis em A Dança dos Dragões podem ser inúteis caso outro Stark seja proclamado rei no norte. E há uma dica de que isso acontecerá.
A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia comvontade de esganá-la. – Mais usurpadores? Mais traidores?
– Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Em A Dança dos Dragões, mais reis falsos parecem ter substituído os que morreram, como profetiza Melisandre. Tommen assume a coroa de Joffrey e Euron a de Balon. E a coroa de Robb? Quem é o novo rei do norte?
Roose pode ter algumas ambições por lá (ADWD, O Príncipe de Winterfell), mas ele ainda não desafiou o Trono de Ferro ou os Lannisters, que o nomearam Protetor do Norte. De qualquer forma, é improvável que ele pudesse ganhar o apoio dos nortenhos, que prefeririam que um Stark os governasse. Pessoalmente, acho que a opção mais dramática para o próximo usurpador e traidor é Jon, que ganhou o respeito relutante de Stannis por um conselho honesto e pode continuar tendo discussões tensas (leia-se: divertidas!) com ele, de uma maneira que Rickon, de cinco anos de idade, bem, realmente não conseguiria.

Um tempo para lobos

Uma objeção comum à Grande Conspiração Nortenha é que, por mais persuasivo que seja, é otimista demais acreditar que GRRM permitirá que os Starks e seus aliados triunfem. Afinal, ele ganhou reputação por subverter clichês de fantasia de bem vs. Mal, e por matar ou mutilar personagens amados enquanto saboreia as lágrimas amargas de seus leitores.
GRRM é realmente tão pouco convencional? A morte de Ned Stark em A Guerra dos Tronos é frequentemente citada como o momento em que a ASOIAF rompe com as tradições de gênero, transcendendo a tendência juvenil da fantasia por finais de contos de fadas cortando a cabeça do protagonista. No entanto , eu argumentaria que não apenas os críticos da fantasia são os culpados por estereotipar e simplificar outros trabalhos como Senhor dos Anéis a ponto de não fazer sentido, em uma demonstração de memória seletiva. A própria estrutura narrativa da ASOIAF disfarça o fato de que Ned nunca foi o herói da história de GRRM, para começo de conversa.
Ned é uma figura paterna, um mentor protetor e guia do tipo que quase sempre morre, às vezes antes de o primeiro ato de uma fantasia épica terminar (vide Obi-wan Kenobi). As crianças Stark nunca se desenvolveriam de verdade por si mesmas, a menos que o “porto seguro” Ned fosse removido, assim como Harry Potter não pôde depender de Dumbledore em seu confronto final com Voldemort. Dadas as habilidades de vidente verde de Bran, Ned pode até aparecer do além-túmulo para transmitir sabedoria ou divulgar segredos como fizeram Obi-wan e Dumbledore. Tudo isso é bastante convencional. GRRM é simplesmente um mestre da desorientação, e sua manipulação é evidente em muitas das grandes reviravoltas de ASOIAF.
Robb? Nunca teve um ponto de vista. Contos da carochinha sobre reinos perdidos por coisas pequenas são tão comuns quanto as sagas de reis guerreiros heróicos vitoriosos em conquista. As lendas arturianas, por exemplo, contam sobre a fundação da utópica Camelot e a morte de Arthur nas mãos de seu filho bastardo com sua meia-irmã, e sua rainha fugindo com um de seus cavaleiros.
GRRM explora inteligentemente o desejo do leitor de ver Ned vingado. Os Starks se reúnem para distrair os leitores para o prenúncio da morte de Robb no sonho de Theon (com um banquete de mortos em Winterfell) e as visões de Dany na Casa dos Imortais, ambos em A Fúria dos Reis.
Portanto, se a previsibilidade no desdobramento de um enredo não serve como teste para teoria dos fãs, em quais critérios os leitores da ASOIAF podem confiar? Penso que a questão-chave que deve ser colocada em qualquer especulação é: "como isso faz a história avançar?"
A Guerra dos Cinco Reis está marcada pelas mortes de Ned e Robb, a primeira instigando o conflito e a segunda efetivamente encerrando-o – ou pelo menos limpando a lousa para a próxima rodada. Por outro lado, em minha opinião, é narrativamente fraca a ideia de que Jon Snow está permanentemente morto e que seu assassinato levará à queda da Muralha, pensando-se que o atentado sozinho seja capaz de trazer caos a Castelo Negro, pois assim também perderemos Jon como personagem pelo resto da série, tornando inúteis todas aquelas páginas gastas em fazer dele indivíduo e não um simples instrumento do enredo.
Voltando finalmente à Grande Conspiração Nortenha, o que vejo como um dos principais problemas de GRRM em Os Ventos do Inverno é que, depois de cinco livros e quase duas décadas, os Outros ainda não causaram muito impacto. O apocalipse dos zumbis de gelo prometido no prólogo de A Guerra dos Tronos é bom acontecer em breve ou GRRM pode ser justamente acusado de deixar sua história inchar até ficar anticlimática.
Além disso, quando os Outros invadirem inevitavelmente Westeros, eles devem fazê-lo com poder devastador, a fim de estabelecer sua credibilidade como uma ameaça ao reino. No entanto, como pode o Norte, nas condições em que se encontra em A Dança dos Dragões – já devastado pela guerra e pelo inverno, dividido pela política e pelos conflitos de sangue, além de amplamente ignorante do perigo para-lá-da-Muralha –, suportaria realisticamente esse ataque? E as casas do norte, assim como os homens, devem sobreviver em número significativo.
Caso contrário, a tarefa de vencer a Batalha da Alvorada recairá inteiramente sobre Dany, seus dragões, quaisquer forças que a acompanhem de Essos e quaisquer senhores do sul que possam ser convencidos a prestar atenção nela. Acho essa uma perspectiva bastante desagradável, sem mencionar tematicamente inconsistente com o título da série, em que apenas os seres inumano feitos de gelo desempenham papéis principais.
Se for verdade, a Grande Conspiração Nortenha tem o benefício de rapidamente unificar o Norte novamente sob o comando dos Starks, que provavelmente serão liderados por Jon como o mais velho e com mais experiência militar aparente. Isso não recupera magicamente as baixas sofridas pelo Norte durante a guerra, nem produz colheitas para alimentar seu povo faminto e com frio (a menos que Sansa conquiste o Vale), mas garante que as Casas do norte viverão para, em minha opinião, participar do objetivo final de ASOIAF.
As bases para um ressurgimento Stark foram lançadas durante Festim e Dança. Os senhores do rio derrotados estão descontentes e os nortenhos mantêm fé nos Stark. Os Frey são párias para inimigos e aliados, enquanto os Lannisters estão em declínio ignominioso; O legado de Tywin compara-se pejorativamente ao de Ned, apesar da conveniência política do primeiro ser elogiada em detrimento do idealismo rígido do último. Parece que a honra muitas vezes ridicularizada de Ned alcançou uma vitória póstuma, o amor misturado com um respeito saudável provando ser uma influência muito mais duradoura sobre as pessoas do que um reino garantido pelo medo e pela força, que não apenas morre com você, mas também transforma seus filhos em herdeiros inadequados .
Além disso, a mera existência de um complô para coroar Jon não significa que ele será rei no norte. Por acaso, acho que o maior problema nos planos que especula-se que os nortenhos têm é que, após a devida consideração, Jon recusará categoricamente a legitimação e os títulos oferecidos. Considerando que ele seja filho de Lyanna e Rhaegar e que isso o põe como o herdeiro Targaryen do trono de ferro antes mesmo de Dany, seria bastante estranho Jon ser formalmente reconhecido como o rei Stark do norte separatista; Um imperativo dramático exige que Jon seja livre para aceitar o governo de todos os Westeros, quer ele o faça ou não. Jon ouvir a intenção de Robb de reconhecê-lo um verdadeiro filho de seu pai é suficiente para completar o arco de personagens discutido na Parte 1, e os Starks sobreviventes se aliariam a Jon, independentemente de como ele fosse estilizado, por ainda serem um alcatéia.
Não há necessidade de provar o vínculo de afeto de Jon e Arya. Ao resolver a disputa pelas terras de Hornwood, Bran prefere nomear herdeiro bastardo de Lorde Hornwood tendo Jon em mente (ACOK, Bran II). Enquanto isso, Sansa ficou completamente desiludida com o futuro como rainha e quer apenas ir para casa em Winterfell, a salvo de homens que desejam seu dote. É irônico, então, que Jon é um cavaleiro direto das canções outrora queridas de Sansa, pois é um príncipe oculto, cavalheiresco e verdadeiro, seu papel confirmado pela execução que fez de Janos Slynt. Não importa as maldades infantis que Sansa fez a Jon para agradar sua mãe e decorrentes de um senso de adequação, ela pensa com carinho nele agora e entende melhor como ser um bastardo o afeta.
Lorde Slynt, o da cara de sapo, sentava-se ao fundo da mesa do conselho, usando um gibão de veludo negro e uma reluzente capa de pano de ouro, acenando com aprovação cada vez que o rei pronunciava uma sentença. Sansa fitou duramente aquele rosto feio, lembrando-se de como o homem atirara o pai ao chão para que Sor Ilyn o decapitasse, desejando poder feri-lo, desejando que algum herói lhe atirasse ao chão e lhe cortasse a cabeça. Mas uma voz em seu interior sussurrou: Não há heróis.
(AGOT, Sansa VI)
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[Sansa] havia séculos que não pensava em Jon. Era apenas seu meio-irmão, mesmo assim... Com Robb, Bran e Rickon mortos, Jon Snow era o único irmão que lhe restava. Agora também sou bastarda, como ele. Oh, seria tão bom voltar a vê-lo. Mas estava claro que isso nunca poderia acontecer. Alayne Stone não tinha irmãos, ilegítimos ou não.
(AFFC, Alayne II)
E Rickon?
A procissão passara a não mais de um pé do local que lhe fora atribuído no banco, e Jon lançara um intenso e demorado olhar para todos eles. O senhor seu pai viera à frente, acompanhando a rainha. [...]Em seguida, veio o próprio Rei Robert, trazendo a Senhora Stark pelo braço. [...] Depois vieram os filhos. Primeiro o pequeno Rickon, dominando a longa caminhada com toda a dignidade que um garotinho de três anos é capaz de reunir. Jon teve de incentivá-lo a seguir, quando Rickon parou ao seu lado.
(AGOT, Jon I)
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Bran bebeu da taça do pai outro gole do vinho com mel e especiarias, [...] e se lembrou da última vez que tinha visto o senhor seu pai beber daquela taça.
Havia sido na noite do banquete de boas-vindas, quando o Rei Robert trouxera a corte a Winterfell. Então, ainda reinava o verão. Seus pais tinham dividido o estrado com Robert e sua rainha, com os irmãos dela a seu lado. Tio Benjen também estivera lá, todo vestido de preto. Bran e os irmãos e irmãs tinham se sentado com os filhos do rei, Joffrey, Tommen e a Princesa Myrcella, que passou a refeição inteira olhando Robb com olhos de adoração. Arya fazia caretas do outro lado da mesa quando ninguém estava olhando; Sansa escutava, em êxtase, as canções de cavalaria que o grande harpista do rei cantava, e Rickon não parava de perguntar por que motivo Jon não estava com eles.
– Porque é um bastardo – Bran teve de segredar-lhe por fim.
(ACOK, Bran III)
Jon tem duas vantagens adicionais sobre qualquer pessoa de fora para conseguir que Rickon o obedeça: 1) Fantasma, que pode subjugar Cão Felpudo. 2) Sua semelhança com Ned, de quem Rickon provavelmente se lembra como seu pai de tempos mais felizes. Assim como a semelhança de Sansa com Catelyn leva Mindinho a uma falsa sensação de segurança, a aparência de Jon pode reforçar sua posição como uma figura de autoridade para Rickon.
Em resumo, sinto que há boas chances de que o primeiro ato do rei Bran ou Rickon, da rainha Sansa ou de Arya seja nomear Jon seu conselheiro, confiável acima de todos os outros, e dê a ele o comando estratégico de seus exércitos, ou se não legitimá-lo como um Stark conforme os últimos desejos de Robb. E, francamente, a noção de que Stannis, Mindinho ou Manderly possamem convencer os Starks a uma disputa de sucessão mesquinha quando Jon é claramente o mais qualificado para liderar o Norte em uma segunda Longa Noite me parece implausível, contradizendo a caracterização estabelecida e a dinâmica familiar.
O que me leva à outra objeção comum a todas as variações de Jon como rei. Jon é honrado demais para quebrar seus votos, certo? Também usurpar os lugares de direito de seus irmãos enquanto eles estão vivos!
Lembremos a lição que Qhorin Meia-mão ensina a Jon: "Nossa honra não significa mais que nossas vidas, desde que o reino esteja seguro". (ACOK, Jon VII) No final de Dança dos Dragões, Jon resolveu fazer o que considerava certo e condenar o que as pessoas dizem sobre ele.
– Tem minha palavra, Lorde Snow. Retornarei com Tormund ou sem ele. – Val olhou o céu. A lua estava meio cheia. – Procure por mim no primeiro dia da lua cheia.
– Procurarei. – Não falhe comigo, pensou, ou Stannis terá minha cabeça. “Tenho sua palavra de que manterá nossa princesa por perto?”, o rei dissera, e Jon prometera que sim. Mas Val não é nenhuma princesa. Disse isso a ele meia centena de vezes. Era uma desculpa fraca, um triste farrapo enrolado em sua palavra quebrada. Seu pai nunca teria aprovado aquilo. Sou a espada que guarda os reinos dos homens, Jon recordou-se, no fim, isso deve valer mais do que a honra de um homem.
(Jon VIII, ADWD)
Apesar de sua aparência essencialmente Stark, Jon não é um clone de Ned, o qual, de todo modo, confessou uma traição que não cometeu, a fim de poupar a vida de Sansa e quase completsmente só sustenta a maior mentira da série em nome de Jon (supondo que R+L=J), por muitos anos antes disso. O entendimento de Jon sobre obrigações, juradas ou não, sempre foi flexível, porque sua própria existência é a prova de que o mais honroso dos homens pode falhar em seu dever. Se Ned, seu modelo de comportamento, não pode cumprir seus votos de casamento, como Jon pode esperar ser melhor, já que é um bastardo?
Depois de seu período com Meia-mão e Ygritte, a tarefa sísifa original de Jon, de alcançar padrões de honra impossivelmente altos, transformou-se em uma dedicação firme ao mais alto mandamento da Patrulha da Noite – ou seja, defender o reino contra os Outros. Existem inegáveis complicações emocionais por parte de Jon ao lidar com o Norte, já que ele não pode reprimir totalmente suas preocupações com a família e o lar, mas assumir o comando de nortenhos que não querem dobrar os joelhos para Stannis garantirá que o Muralha receba reforços e suprimentos necessários. Jon consideraria sua honra pessoal mais importante do que isso? Eu duvido.
Isso tudo, é claro, pressupõe que a Patrulha da Noite continue a existir de alguma forma após o fiasco do assassinato de Bowen Marsh, o que de maneira alguma é certo que ocorrerá.
Que a última cena de Jon em Dança dos Dragões faz paralelo com a morte de Júlio César é uma ideia amplamente aceita. Agora, considere que os senadores que mataram César, em vez de salvar a república romana de um tirano, precipitaram sua queda, descobrindo, para seu choque, que o povo não estava particularmente agradecido pelo assassinato de um líder popular, embora cometido em seu nome.
Guerras civis se seguiram, um império surgindo das ruínas. Ainda não se sabe se Jon é Otaviano / Augusto nesta reconstituição na fantasia. Ele tem à sua disposição um exército pessoal – depois de inconscientemente se tornar rei dos selvagens na ausência de Mance Rayder –e um contrato com o Banco de Ferro (ao que tudo indica).
Concluindo, passo a proibir que discussões posteriores a esta teoria de argumentem que uma conspiração para coroar Jon Rei do Norte esteja fora do mão para os (hipotéticos) conspiradores e os pretendentes Stark para Winterfell ou para GRRM, devido a sua aversão crônica a clichês. Ambas as afirmações foram usadas para descartar a teoria sem abordar as evidências que sustentariam a falta de substância, especialmente tendo em vista a maleabilidade de personagens e tropes nas mãos de um bom escritor (o que eu acredito que a maioria dos fãs da ASOIAF confia que o GRRM seja). Todo mundo deseja a ele boa sorte com Os Ventos do Inverno!
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2020.03.02 18:14 Mrbingshlong Bjs

Me lembro, ano passado, parei num pipoqueiro pra pedir uma provinha. (Geralmente levo pouco dinheiro e quando saio da faculdade fico com fome e sem dindin Pra comprar comida kkkk)
Eu não sei muito bem como, mas começamos a conversar. Ele me perguntou o que estudo (psicologia) então ele contou como ele acha que é balela e desnecessário etc. continuamos no papo e, embora no início achava que ele só falava besteira, quanto mais eu penso no papo, mais eu acho que ele tinha razão. Uma coisa que ele disse ficou preso comigo até hoje. Não me lembro o contexto, mas foi algo do tipo: “o ser humano e ganancioso e vive procurando a fruta proibida no mundo externo, sendo que sempre estava dentro de si, no interior”.
E essa é a mais pura verdade. Abusei muito desse sub. Vivo fazendo perguntas aqui e me desabafando. E de fato amo muito, eh bom porque você acaba conversando e socializado, vc acaba fazendo um monte de amizades, mesmo que alguns sejam efêmeras.
Mas parece que eu vivo em busca de sentido. De validação, confirmação, aprovação de que aquilo que quero dizer e aquilo que quero fazer, seja a escolha certa. Que alguém por aí, mesmo sendo um joao minguem, concorda comigo. Costumo desconfiar da minha voz interior. Eh como se a criança interior aguardasse alguma ordem ou pedido para agir. Percebi como continuo dependendo de afirmações para progredir, em vez de, bom... simplesmente ir e tentar fazer.
A verdade é que não temos como saber como as coisas se desenrolarão. Não tenho como prever o que acontecerá até o final do ano de 2020.
A única coisa que sei de verdade é que não posso continuar reclamando e me desabafando aqui sendo que nunca me movo em direção à progressão. Só vivo falando que vou, mas raramente vou. E quando vou, já quero ir embora. (Aliás.. acho que todas essas férias fiquei o dia inteiro em casa, deitada na cama e assistindo filmes. Até que foi muito bom.)
Mas como vai ser se eu continuar assim? Sempre esperando algo. Alguém. Nunca ser a primeira a simplesmente se mover. Preferir me manter enquadrada naquilo que acredito que sou, por medo de sobressair. Por medo de falhar ou por medo de evoluir? Por medo da incerteza. Por medo de quebrar a cara. Por medo de passar vergonha. Por medo de ser vista. Por medo de existir. Ser o centro da minha atenção. Não no sentido pejorativo. Mas começar a simplesmente ser, pra mim. Por mim.
Quantas listas que já fiz, de coisas que digo que quero fazer mas nunca faço. Por que? Vivo repetindo o mesmo padrão. Continuo viciada na internet. Mas não boto o pau na mesma e começo a ser. E é muito mais fácil reclamar, mas a verdade é que sempre há uma escolha; livre arbítrio e algo que todos nós temos e renunciamos ou então fingimos que não existe mas sou que eu sempre escolho ficar presa. Estagnada. Não e minha mãe. Não é a faculdade. Não é o prédio. Não é o apartamento. Não e a rua. Eu.
E como o pequeno príncipe disse: “o adulto nunca está feliz aonde está”. E não é nem o fato de não ser grata por aquilo que tenho, e o fato de não querer assumir responsabilidade por mim mesma.
Essa que e a doideira. Geração canguru. O povo que não quer ser dono de si. Que reclama da solidão mas não sai de casa nem pra comprar papel higiênico. Que tá tão preocupada em salvar o mundo mas é incapaz de arrumar o próprio quarto - essa sou eu.
E entre muitos, tendo a perambular pelo mundo de meia boca, esperando a morte seguramente. Não arrisco então não sofro, mas também não desfruto.
Mas tá na hora de começar. Só ir. Quem disse que precisa ser perfeito? Fazer tudo aquilo que gosto de fazer e rejeitar com graça tudo aquilo que desgosto.
Afinal temos a escolha, não é? Tudo de ruim que acontece na vida pode ser um fardo ou uma benção. Como disse Albert einstein (se é que realmente disse: “em meio de dificuldade há oportunidade.” Uma oportunidade de recomeçar. Uma oportunidade de mudar de direção. Afinal só temos uma vida. De fato.. só uma vida. Uma única. E viver bem não e fazer sexo adoidado, ir em festas todo o final de semana e se desgastar até você um dia descobrir que ta com câncer de fígado kkk não... Viver bem e finalmente assumir a si mesmo, e é fazer tudo aquilo que te traz prazer e te faz desenvolver, mesmo que não seja perfeito de hoje para amanhã, e é algo que tenho prorrogado por décadas.
Sinto que esse é o mal da nossa geração: queremos tudo pronto pra ontem. Quero acordar amanhã e ter a vida perfeita. Mas as coisas mais belas e duradouros precisam de tempo pra florescer. Exigem trabalho. E paciência é uma virtude que certamente ainda não aprendi a ter, mas é algo que gostaria de ter. Sem desafios não ha lições e sem lições não amadurecemos.
Pra concluir, Uma coisa é certa: não posso continuar minha vida toda me escondendo, principalmente de mim mesmo. Não posso continuar temer sentir dor, vergonha, feiúra, exclusão, seja o que for. As coisas não irão progredir enquanto eu só fico sentada no sofá assistindo vídeos no YouTube do tipo “como parar de procrastinar”. Não posso continuar dizendo que quero mudar, e não mudar. Só da pra mudar, fazendo.
Nao posso continuar minha vida temer ser rejeitada e portanto, me rejeitar primeiro. Ou temer de ser abandonada, e portanto, me abandonar primeiro. Preciso começar a não me abandonar e rejeitar, de verdade, e não de boca pra fora.
Dor e prazer - são dois lados da mesma moeda. Não podemos ter um e excluir ou outro, pois então o prazer não passa de uma anestesia. Um band aid. Uma pretenção.
Mas dor não e sinônimo de sofrer. Dor e inevitável. Sofrer é uma escolha.
Só porque sentimos a dor da perda, não quer dizer que não valeu a pena que uma vez já foi nosso. Porque pra mim, valeu sim a pena. Minha irmã morreu há quase 5 anos atrás e eu só sinto gratidão por ter conhecido ela. Valeu a pena. Conheci um cara (eh Chico to falando de vc) aqui msm e embora a gente não se fala mais, valeu a pena ter conhecido ele. Sempre vale a pena. (E eu talvez passei muita vergonha me expondo pra ele mas faria tudo de novo.)
Num sei aonde quero chegar com esse texto, e to achando que ninguém vai ler msm, mas preciso de fato começar. E abuso desse sub de novo pra concluir. Acho q vai ser o ultimo por agora. Eu preciso parar de procurar validação externa. Confiar na minha voz interior porque agora sei que eu sou confiável. Sempre terei a melhor intenção comigo mesma (se isso faz algum sentido). Mas sla.. no final do dia parece que temer viver é temer sentir dor e temer sentir dor é temer morrer. Mas a morte é o destino. Não tem como pressionar um botão que congele o tempo.
Assim como as árvores não lamentam as folhas caídas e a maçã não teme apodrecer, só vai. Permitir que as coisas se desdobram do jeito que desdobram. Se entregar por completo. Porque viver a vida escondida não passa de suicídio passivo.
Eh aquele ditado não eh, amor fati.
Ps; lamento pelos erros gramaticais n
Bjs
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2020.02.29 03:57 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 1

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52681254060
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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[...] Agradecimentos aos usuários, especialmente tze , do fóruns do Westeros.org, que montaram essa teoria. Os tópicos originais podem ser lidos aqui e aqui .

O norte se lembra

Entre os momentos mais memoráveis e impressionantes da ADWD, estão os nortenhos que expressando eternos amor e lealdade aos Starks, apesar de a casa parecer estar à beira da extinção - herdeiros mortos, desaparecidos ou em cativeiro; sua sede ancestral em ruínas e ocupada por inimigos.
Lyanna Mormont, de dez anos, rejeita categoricamente Stannis Baratheon como seu rei.
– A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK. [...]
(Jon I, ADWD)
Wylla Manderly, uma garota com menos de quinze anos, acha insuportáveis as mentiras traiçoeiras dos Frey e as denuncia ao ouvidos de toda a corte de seu avô.
– Mil anos antes da Conquista, foi feita uma promessa, e votos foram jurados na Toca do Lobo, diante dos velhos deuses e dos novos. Quando estávamos feridos e sem amigos, expulsos de nossas casas e com nossas vidas em perigo, os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. Esta cidade foi construída sobre as terras que eles nos deram. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!
(Davos III, ADWD)
Os homens do clã das montanhas do norte enfrentam a morte em razão do inverno e da espada, às centenas fazendo uma marcha árdua até Winterfell, apenas para tentar salvar a filha de Ned Stark.
- [...] O inverno está quase sobre nós, rapaz. E o inverno é a morte. Eu prefiro que meus homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas. Ninguém canta canções sobre homens que morrem assim. Quanto a mim, estou velho. Este será meu último inverno. Deixe que me banhe em sangue Bolton antes de morrer. Quero senti-lo espirrar em meu rosto quando enterrar meu machado em um crânio Bolton. Quero lamber o sangue dele de meus lábios e morrer com o gosto na boca..
(ADWD, O prêmio do rei)
E, é claro, Wyman Manderly, que foi corajoso a ponto de assar seus inimigos em tortas de Frey e servi-las aos usurpadores Boltons em um banquete de casamento.
- [...] Inimigos e falsos amigos estão ao meu redor, Lorde Davos. Infestaram minha cidade como baratas, e à noite posso senti-los rastejando sobre mim. – Os dedos do homem gordo se dobraram fechando o punho, e todos os seus queixos tremiam. – Meu filho Wendel foi para as Gêmeas como convidado. Comeu o pão e o sal de Lorde Walder e pendurou sua espada na parede para banquetear com amigos. E eles o assassinaram. Assassinaram, eu digo, e que os Frey se engasguem com suas fábulas. Bebi com Jared, brinquei com Symond, prometi para Rhaegar a mão da minha amada neta... mas nunca pense que isso significa que me esqueci. O Norte se lembra, Lorde Davos. O Norte se lembra, e a farsa está quase no fim.
(ADWD, Davos IV)
É tudo terrivelmente inspirador. E ao perceber o jogo de Manderly, ao ver quão profundo é o ódio pelos Boltons e Freys, alguns começaram a se perguntar se não há mais. Assim nasceu a Grande Conspiração Nortenha. No final da Dança dos Dragões, quase todas as casas do norte estão secretamente conspirando juntas para recolocar os Starks no poder, jogando Stannis e os Boltons uns contra os outros com o bônus de matar muitos e muitos Freys. Além do mais, especula-se que os conspiradores não querem apenas um Stark em Winterfell, mas um rei no Norte novamente. E os nortenhos já chegaram a um acordo sobre cuja cabeça a coroa de Robb deve enfeitar, embora ainda não tenham informado o bastardo sortudo.
Jon Stark, rei do inverno
Lembremos que há dois livros e quinze anos atrás Robb provavelmente legitimou Jon e nomeou seu meio-irmão rei no norte, caso ele morresse sem filhos.
[Robb:] “Um rei precisa ter um herdeiro. Se morrer em minha próxima batalha, o reino não pode morrer comigo. Pela lei, Sansa é a seguinte na linha de sucessão, portanto, Winterfell e o Norte devem passar para ela. – A boca dele comprimiu-se. – Para ela, e para o senhor seu esposo. Tyrion Lannister. Não posso permitir que isso aconteça. Não permitirei. Esse anão não pode nunca possuir o Norte.
– Não – concordou Catelyn. – Tem de nomear outro herdeiro, até o momento em que Jeyne lhe dê um filho. – Refletiu por um momento.
– O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray com certeza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
– Mãe. – Havia certa rispidez no tom de Robb. – Está se esquecendo. Meu pai teve quatro filhos homens.
Catelyn não tinha se esquecido; não quis encarar o fato, mas ali estava.
– Um Snow não é umStark.
– Jon é mais Stark do que um fidalgo qualquer do Vale que nunca sequer pôs os olhos em Winterfell.
– Jon é um irmão da Patrulha da Noite, e jurou não tomar esposa nem possuir terras. Aqueles que vestem o negro servem para a vida.
– O mesmo acontece com os cavaleiros da Guarda Real. Isso não impediu os Lannister de arrancar o manto branco de Sor Barristan Selmy e de Sor Boros Blount quando deixaram de ter utilidade para eles. Se eu enviar à patrulha uma centena de homens para o lugar de Jon, aposto que vão encontrar alguma maneira de libertá-lo de seus votos.
Ele está decidido a fazer isso. Catelyn sabia como o filho podia ser teimoso.
– Um bastardo não pode herdar.
– É verdade, a menos que seja legitimado por decreto real – disse Robb. [...]
– [...] Já pensou em suas irmãs? E os direitos delas? Concordo que não podemos permitir que o Norte passe para o Duende, mas e Arya? Por lei, ela vem depois de Sansa... sua própria irmã, legítima...
– ... e morta. Ninguém viu ou ouviu falar de Arya desde que cortaram a cabeça do pai. Por que você mente para si mesma? Arya partiu, assim como Bran e Rickon, e matarão também Sansa assim que o anão conseguir dela um filho. Jon é o único irmão que me resta. Se eu morrer sem descendência, quero que ele me suceda como Rei no Norte. Tive a esperança de que apoiasse a minha escolha.
– Não posso – disse ela. – Em tudo o mais, Robb. Em tudo. Mas não nessa... nessa loucura. Não me peça isso.
– Não tenho de pedir. Sou o rei. – Robb virou-se e afastou-se, com Vento Cinzento saltando de cima da tumba e pulando atrás dele.
(ASOS, Catelyn V)
Agora, os advogados do diabo argumentaram que Robb talvez mudou de idéia sobre nomear Jon como seu herdeiro após essa conversa com Catelyn, a qual o lembra (não resumidamente) de sua confiança indevida em Theon, outro que ele considerava um irmão. Além disso, os Lannister dificilmente parecem adequados como modelo de como liberar alguém de seus votos honrosamente, e o Norte geralmente tem a Patrulha da Noite em uma estima muito mais alta do que o resto de Westeros.
Por outro lado, imagino que a disposição dos senhores do norte de isentar Jon das antigas leis e tradições seja diretamente proporcional ao quanto eles desprezam cogitar um filho de Sansa com Tyrion, um filho da falsa Arya com Ramsay , ou um senhor aleatório do Vale que herdou Winterfell e a lealdade deles. Acho que o que todos podemos concorda é com a chegada de um fogaréu mais quente que a Peridção de Valíria, [risadas]. Além do que, existe um precedente para um conselho de nobres liberar um meistre de seus votos – o qual é muito semelhante ao juramento da Patrulha no que concerne a celibato, neutralidade política e serviço vitalício - com a bênção de um oficial religioso reconhecido.
[Mormont:] Você sabe que podia ter sido rei?
Jon foi pego de surpresa.
– Ele contou-me que o pai foi rei, mas não… Julguei que talvez fosse um filho mais novo.
– E era. [...]– Aemon estava às voltas com seus livros quando o mais velho dos seus tios, herdeiro da coroa, foi morto num acidente de torneio. Deixou dois filhos, mas seguiram-no para a sepultura não muito tempo depois, durante a Grande Peste da Primavera. O Rei Daeron também foi levado, e por isso a coroa passou para o segundo filho de Daeron, Aerys. [...] Aemon fez seus votos e deixou a Cidadela para servir na corte de algum fidalguinho… até que seu real tio morreu sem deixar descendência. O Trono de Ferro passou para o último dos quatro filhos do Rei Daeron. Esse era Maekar, pai de Aemon. [...]Menos de um ano depois [Aerion morrer bebendo fogovivo], Rei Maekar morreu em batalha contra um lorde fora da lei.
Jon não era completamente ignorante em relação à história do reino; seu meistre tinha se assegurado disso.
– Esse foi o ano do Grande Conselho – ele completou. – Os senhores passaram por cima do filho pequeno do Príncipe Aerion e da filha do Príncipe Daeron e deram a coroa a Aegon [V, o Improvável].
– Sim e não. Primeiro, ofereceram-na, discretamente, a Aemon. E ele, também discretamente, a recusou. Disselhes que os deuses queriam que servisse, não que governasse. Que tinha prestado um juramento e não o quebraria, apesar de o próprio Alto Septão ter se oferecido para absolvê-lo [...]
(ACOK, Jon I)
Os vassalos leais de Robb poderiam concebivelmente fazer o mesmo por Jon, pois afirmam que o Norte é um reino independente. O fato de Jon ter feito seus votos aos deuses antigos é uma complicação ou um obstáculo a menos para se preocupar. Bran e Corvo de Sangue, que têm algum interesse em ver Jon ser coroado rei, sem dúvida ficariam felizes em fornecer um sinal aos nortenhos, se é isso que eles ou Jon exigem.
Tudo isso à parte, o tom de Robb em suas respostas às objeções de Catelyn me parece sugerir que ele já se decidiu. Ele vai nomear Jon seu herdeiro não importa o que a sua mãe ou qualquer outra pessoa tenha a dizer dele. Robb reconhecendo formalmente Jon um verdadeiro filho de Eddard Stark, digno de Winterfell, também tem a vantagem de finalmente resolver um arco de personagem iniciado por Jon em A Tormenta de Espadas quando Stannis se oferece para legitimá-lo.
Tinham treinado juntos [ Jon e Robb] todas as manhãs, desde que tiveram idade suficiente para andar; Snow e Stark, rodopiando e golpeando-se pelos pátios de Winterfell, gritando e rindo, e às vezes chorando quando ninguém estava vendo. Quando lutavam não eram garotinhos, e sim cavaleiros e poderosos heróis. “Eu sou o Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão”, gritava Jon, e Robb gritava em resposta: “Bem, eu sou Florian, o Bobo”. Ou então Robb dizia: “Eu sou o Jovem Dragão”, e Jon respondia: “Eu sou Sor Ryam Redwyne”.
Naquela manhã tinha sido ele quem gritou primeiro.
– Eu sou o Senhor de Winterfell – gritou, como gritara cem vezes antes. Mas daquela vez, daquela vez, Robb respondeu:
– Você não pode ser Senhor de Winterfell, é um bastardo. A senhora minha mãe diz que nunca poderá ser Senhor de Winterfell.
Achava que tinha esquecido isso.
(ASOS, Jon XII)
Nem o desejo de Jon por Winterfell nem sua vergonha e culpa por desejar mal (ainda que obliquamente) a seus amados irmãos diminuíram em Dança dos Dragões.
Naquela noite, sonhou […]
Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
– Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
No entanto, não muito diferente de Theon, o que Jon realmente procura é uma afirmação de que ele é um Stark, apesar de seu nascimento bastardo, em minha opinião. O último desejo de Robb ser que Jon o suceda como Rei do Norte atenderia a essa necessidade (mesmo que Jon se recuse como fez com Stannis) enquanto cria um enredo de “herdeiro de Winterfell” que deve atrair Davos e Rickon, bem como Sansa e Mindinho, consolidando muitas subtramas.
Apenas dois fatores podem efetivamente anular a pretensão de Jon sobre Winterfell, em minha opinião: 1) Jeyne Westerling estar grávida do filho e herdeiro de Robb. 2) Os que testemunharam o decreto de Robb estão mortos ou impedidos de divulgar as notícias.
Por um tempo, a primeira opção era uma teoria de certa reputação, baseada em uma discrepância nas avaliações de Catelyn e Jaime sobre os quadris de Jeyne. O Peixe Negro teria supostamente contrabandeado Jeyne de Correrrio, ajudado por Eleyna Westerling, que teria fingido ser sua irmã. Desde então, um relato de fãs ligeiramente apócrifo pegou GRRM admitindo que as diferentes descrições são simplesmente um erro. Talvez ainda mais danoso seja a gravidez de Talisa criada para a série de TV e a subsequente morte no Casamento Vermelho. Embora Talisa não seja Jeyne, o papel que seu casamento com Robb desempenha é semelhante, de modo que David Benioff e DB Weiss mostraram que estão cientes das teorias populares dos fãs e não estão acima de provocar os leitores dos livros, como fizeram com a fala de Cersei em “Valar Dohaeris ”(GoT s03e01) sobre os rumores de Tyrion ter perdido o nariz. A morte violenta de Talisa - esfaqueada repetidamente no bebê, por assim dizer - pode ser o modo que D&D acharam de matar especulações futuras sobre Jeyne, sendo assim encarado com frequência.
Eu nunca gostei muito da teoria de Jeyne Westerling, francamente. Qualquer filho de Jeyne poderia ser nada mais que um rei fantoche, incapaz de governar em seu próprio direito por anos, e faria Rickon tão supérfluo que todo mundo provavelmente deveria parar de se preocupar em lembrar que ele também é um Stark. Portanto, não tenho escrúpulos em tratar Jeyne como um instrumento do enredo usado por GRRM para se livrar de Robb e em não incluí-la em discussões adicionais sobre a perspectiva política do Norte.
Quanto a este último ponto, os senhores presentes para testemunhar o decreto de Robb foram os seguintes: Grande Jon Umber, Galbart Glover, Maege Mormont, Edmure Tully e Jason Mallister (Catelyn V, ASOS). Todos ainda vivem, mas o Grande Jon é refém dos Freys e Lannisters para garantir o bom comportamento de seus parentes, e Mallister é um prisioneiro em seu próprio castelo, por cortesia de Walder Negro (Jaime VI, AFFC). Lorde Galbart e Lady Maege? Edmure? Bem, que tipo de coisas interessantes eles têm feito desde o A Tormenta de Espada será o assunto dos próximos posts.
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2020.02.14 03:37 altovaliriano A Grande Praga que não vimos

O intervalo de tempo entre O Cavaleiro Andante e A Espada juramentada é preenchido marcado por um evento: A Grande Praga de Primavera. Assim como as aventuras de Dunk & Egg em Dorne, este evento é apenas lembrado pelas personagens. Somente vemos suas consequências.
A razão pela qual Martin pulou a aventura de Dunk e Egg em Dorne e Vilavelha será assunto para outro post. Entretanto, é notável que a Grande Praga de Primavera seria o pano de fundo para esta história abandonada e, ao contrário das aventuras em Dorne, o que GRRM nos contou sobre a Grande Praga é exatamente o que ficaríamos sabendo de qualquer modo.
Com efeito, Dorne e o Vale foram as únicas regiões intocadas pela Praga (pois seus governantes fecharam as fronteiras regionais e portos), de modo que fica óbvio que, assim como nós leitores, Dunk e Egg não viram vivenciaram a Grande Praga de Primavera, só ouviram falar dela e viram suas consequências. Assim, nada mudou para o leitor.
Então, o quê há de tão importante na Grande Praga que fez com que Martin não a suprimisse? Bem, a história da epidemia afetou toda Westeros de forma significativa, bem como estabeleceu alguns parâmetros interessantes para a história tanto dos contos de Dunk & Egg quanto das Crônicas.
Examinemos.

Nem sangue de dragão salva

Todos sabemos que, no universo das Crônicas, existe a crença de que aqueles do sangue da Antiga Valíria não adoecem:
– Sou o sangue do dragão – Dany lhe recordou. – Alguma vez já viu um dragão com o fluxo? – Viserys sempre afirmara que os Targaryen eram imunes às pestilências que afligiam as pessoas comuns e, tanto quanto ela podia dizer, era verdade. Conseguia se lembrar de estar com frio, com fome e com medo, mas nunca doente.
(ADWD, Daenerys VI)
A princesa Daenerys havia sido Targaryen pelos dois lados, o puro sangue da Antiga Valíria corria em suas veias, e as pessoas de ascendência valiriana não eram como as outras. Os Targaryen tinham olhos violeta e cabelos cor de ouro e prata, dominavam os céus com dragões, as doutrinas da Fé e as proibições contra o incesto não se aplicavam a eles... e eles não adoeciam.
(F&B, O longo reinado Jaehaerys e Alysanne: política, progênie e provação)
A parte interessante desta crença é a de que elas apareceram somente depois de que a Espada Juramentada nos informou que a Grande Praga de Primavera havia levado a morte, entre muitos outros, o Rei Daeron II Targaryen, o príncipe Valarr Targaryen e o príncipe Matarys Targaryen. Este conto foi lançado em 2003, enquanto que A Dança dos Dragões somente foi lançado em 2011.
Pelo depoimento de Daenerys, contudo, não podemos simplesmente relegar a resistência Targaryen a doenças a condição de mito. Na verdade, é mais prudente ler com atenção e notar que os Targaryen não seriam afetados por doenças comuns. Dessa forma, temos indícios para acreditar que a Grande Praga de Primavera não era um doença ordinária, mas de natureza mágica, como o escamagris.

Governantes e rebeldes inesperados

A Espada Juramentada foi responsável pela invenção de Corvo de Sangue (e de Açoamargo). Elio Garcia afirma que havia perguntado a GRRM se ele já sabia desde o início que o Corvo de Três Olhos era Brynden Rivers e que Martin respondeu que não, que apenas tinha em mente que haveria um laço entre o Corvo de Três Olhos e os Targaryen.
E quando Corvo de Sangue nos é apresentado, ele já é Mão do Rei, lealista Targaryen, “herói” de guerra e a maior pedra no sapato dos Blackfyre. Entretanto, sua ascensão política a Chefe de Governo somente porque a Grande Praga de Primavera leva Aerys I ao trono com a morte dos filhos de Baelor Quebralanças.
Como sabemos que Egg chegaria em algum momento de sua vida ao trono, é fácil entender que todos os herdeiros de Daeron II precisam ser eliminados até o fim da histórias de Dunk e Egg. Portanto, a ascensão de Aerys deveria ser algo já programado.
Entretanto, como ficamos sabendo no conto seguinte de Dunk e Egg, O Cavaleiro Misterioso, também morreram os reféns tomados pelo Trono de Ferro para garantir o bom comportamento dos apoiadores de Daemon Blackfyre, o que deu espaço para que a Segunda Rebelião Blackfyre surgesse.
Vale indicar que uma das “reféns” que morreram na Primavera foi a filha de Sor Eustace Osgrey , Alysanne, o que poderia dar substância à minha suspeita de que Eustace, no futuro, morrerá participando da Terceira Rebelião Blackfyre. O problema é que, em algum momento de sua estadia em Porto Real, Alysanne se tornou uma irmã silenciosa, algo que Eustace havia presenciado em algum momento antes de 211 DC:
Alysanne tinha sete anos quando a levaram para Porto Real, e vinte quando morreu, uma irmã silenciosa. Fui uma vez a Porto Real, para vê-la, e ela sequer falou comigo, seu próprio pai.
(A Espada Juramentada)
Portanto, Eustace há muito tempo já não teria motivos para temer apoiar uma rebelião contra Aerys. Muito antes da Segunda Rebelião.

Laboratório de fogovivo

A Grande Praga de Primavera matou 40% da população de Porto Real. Lá foi o lugar onde a doença fez mais vítimas. Em A Espada Juramentada, Septão Sefton explica o que foi feito com todos os cadáveres:
[...] Tantos morriam tão rapidamente que não havia tempo para enterrá-los. Em vez disso, eram empilhados no Poço dos Dragões e, quando os montes de cadáveres alcançavam três metros, Lorde Rivers ordenou que os piromantes os queimassem. A luz das fogueiras refletia nas janelas, como acontecia outrora, quando os dragões vivos ainda se aninhavam sob a cúpula. À noite, era possível ver o brilho por toda a cidade, o brilho verde-escuro do fogovivo. O verde ainda me assombra até os dias de hoje.
Meistre Yandel também nos dá detalhes:
[...] Cadáveres eram empilhados nas ruínas do Fosso dos Dragões até atingirem três metros de altura, e, no fim, Sangue de Corvo pediu para os piromantes queimarem os corpos onde estavam. [...]
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Corvo de Sangue ter ordenado a queima de milhares de cadáveres no Fosso do Dragão é algo que me parece GRRM estabelecendo a possibilidade logística da ocorrência de uma nova conspiração do fogovivo, como aquela que se teoriza que Cersei executará. Leia a parte 1 e parte 2 de minha análise sobre o assunto.
Porém, uma coisa que não considerei em minhas análise e que pode vir a calhar para aumentar a tragédia foi a forma como o fogovivo, ainda que submetido a um incêndio controlado de apenas cadáveres inanimados, logrou se espalhar por boa parte da cidade:
– [...] Não se reconhece a cidade desde a primavera. Os incêndios a mudaram. Um quarto das casas se foi e outro quarto está vazio. Os ratos se foram também. Essa é a coisa mais estranha. Nunca pensei em ver a cidade sem ratos.
(A Espada Juramentada)
[...] Um quarto da cidade pegou fogo com eles [os cadáveres], mas não havia mais nada a ser feito.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Essa informação dá a dimensão de quanta destruição a suposta conspiração do fogovivo 2.0 poderá causar a Porto Real, sem falar na elevação da possibilidade de que os estoques da substância espalhadas pela cidade promovam uma reação em cadeia.

Com quantos paus se faz uma epidemia

Sendo a primeira grande epidemia da história de Westeros com que tivemos contato, é notório que Martin tenha tentando estabelecer alguns parâmetros para seu poder de contágio. Assim é descrita a expansão da Praga:
Dizem que a primavera foi ruim em Lannisporto, e pior em Vilavelha, mas em Porto Real matou quatro a cada dez. [...] A Grande Praga da Primavera nunca chegou a Dorne, talvez porque os dorneses tenham fechado suas fronteiras e seus portos, assim como o Vale de Arryn, que também foi poupado.
(A Espada Juramentada)
[...] Mas então a Grande Praga da Primavera varreu os Sete Reinos, afetando todos, exceto o Vale e Dorne, onde as fronteiras e passagens nas montanhas foram fechadas. O pior golpe de todos foi em Porto Real. [...]
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Embora Martin tenha citado expressamente Lannisporto e Vilavelha como casos acentuados, não podemos descartar que a Praga tenha alcançado Porto Branco, Salinas, Valdocaso, Atalaia Leste do Mar, etc. Inclusive, Martin pode ter deixado de citar esses locais de propósito.
Isso porque, nas Crônicas, estamos assistindo à chegada de Jon Connington carregando a pestilência do Escamagris à Westeros ainda na sua forma contagiosa. Muitos teorizam que a doença de Jon pode desencadear uma epidemia em Westeros e, devido a dificuldade de viagem por solo durante o inverno, as viagens a navio devem se tornar mais atraentes.
Com isso, pode ser que vejamos o escamagris se tornar uma doença portuária que se espalharia de forma semelhante à Grande Praga de Primavera. Se estas estimativas estiverem certas, pode ser que Martin estivesse usando a Grande Praga de Primavera em A Espada Juramentada como ensaio logístico para a epidemia de escamagris que veremos em As Crônicas de Gelo e Fogo.

O que acham? Tem algum outro aspecto da Grande Praga de Primavera que acham relevante para a trama?
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2020.01.10 03:48 altovaliriano Os Webber scretamente apoiavam os Blackfyre?

A marca da história de A Espada Juramentada é assistirmos uma disputa territorial a partir do ponto de vista do lado perdedor. Não sabemos desde o início que a pretensão de Eustace é ilegal, por isso somos levados a considerar a falta de razoabilidade do outro lado. E Rohanne parece tudo menos razoável quando, em meio à seca, nega à população do território vizinho o acesso a um rio que passava por ali.
Ao final da história, depois de entendermos que o poder dos Webber sobre o rio deriva do fato de que a Casa Osgrey de Pousoveloz apoiou a fracassada Primeira Rebelião Blackfyre, o panorama muda. Isso é suficiente para que o próprio Dunk abandone Eustace à sua sorte, por exemplo. Aparentemente, ter sido um apoiador dos Blackfyre é suficiente para que todo seu infortúnio seja justificado.
Mas e se a dicotomia Targaryen x Blackfyre não estiver realmente espelhada na disputa Webber x Osgrey? E se os Webber também tenham sido apoiadores Blackfyre, mas tenham mudado de lado e suprimido este fato para não sofrer as consequências experimentadas pelos Osgreyde Pousoveloz?
Essa teoria já foi proposta por vários leitores das Crônicas, mas acredito que eu estou apresentando aqui, pela primeira vez, os argumentos e evidências de forma organizada e articulada.

Um nome incomum

Assim, como a Rebelião de Robert não foi iniciada em razão de seu amor por Lyanna, a Rebelião Blackfyre não foi surgiu por conta dos sentimentos entre Daemon e Daenerys. Mas é certo que ambos os rebeldes compartilham o fato de terem sido impedidos pelos Targaryen de se casarem com quem pretendiam.
Uma pequena observação: no caso de Daemon, é curioso pensar que o Targaryen que o impediu de casar com quem bem entendesse foi exatamente o mesmo Targaryen que supostamente lhe mimava: seu pai, Aegon IV Targaryen, O Indigno. Realmente, como diz o ditado, "a mão que afaga é a mesma que apedreja".
Deixando de lado a relação pai-filho, o que nos interessa aqui é a identidade da noiva que Aegon impôs a Daemon quando ele ainda era criança:
Embora não pudesse ‒ e não quisesse ‒ rescindir o último desejo do pai, Daeron fez o possível para manter os Grandes Bastardos por perto, tratando-os de forma honrada e garantindo os rendimentos com os quais o rei os agraciara. Pagou o dote que Aegon prometera ao Arconte de Tyrosh, vendo, assim, seu meio-irmão Daemon Blackfyre casado com Rohanne de Tyrosh, como Aegon desejara, ainda que Sor Daemon tivesse apenas catorze anos.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
O nome Rohanne é muito incomum no universo de ASOIAF. Na verdade, mesmo 17 anos depois de ter lançado A Espada Juramentada, as únicas outras Rohanne mencionadas nos livros são Rohanne Tarbeck e Rohanne de Tyrosh. Se levarmos em conta que a Tarbeck pode ter recebido este nome em homenagem à Rohanne Webber (segundo uma fonte semi-canônica), percebemos que ao tempo da Primeira Rebelião Blackfyre só conhecíamos duas Rohannes, uma em Westeros e outra em Essos.
Coincidência? Bem, se for, ela só aumenta ao analisarmos a linha do tempo.
Sabemos que Daemon nasceu em 170 DC e que tinha 14 anos quando casou-se com Rohanne de Tyrosh, a futura mãe de todos os seus filhos. Dessa forma, o casamento deve ter ocorrido por volta do ano 184 DC.
Já Rohanne Webber tinha 10 anos durante a Primeira Rebelião (196 DC) e 25 anos durante A Espada Juramentada (211 DC), o que faz com que seu nascimento deve ter ocorrido em 185 ou 186 DC. Portanto, ao menos um ano depois do casamento de Daemon e Rohanne de Tyrosh.
Seria exagero supor que Wyman Webber teria batizado sua filha em homenagem à esposa de Daemon? Certamente, alguém poderia alegar que Daemon, aos quatorze anos, poderia não inspirar o tipo de lealdade que motiva este tipo de ato. Afinal, Daeron estava vivo e era o herdeiro ao trono. Este tipo de coisa poderia soar como um insulto, certo? Na verdade, não.
Aegon IV já insultava seu herdeiro abertamente quando Daemon não havia feito sequer 4 anos de idade. De fato, pouco antes da fracassada invasão à Dorne em 174 DC, Aegon IV era conhecido por alimentar rumores de que Daeron não era filho seu (ainda que os negasse em público):
As brigas do rei com seus parentes próximos ficaram ainda piores depois que seu filho Daeron cresceu o suficiente para expressar suas opiniões. Vidas de Quatro Reis, de Kaeth, deixa claro que as falsas acusações de adultério da rainha, feitas por Sor Morgil Hastwyck, foram instigadas pelo próprio rei, embora, na época, Aegon negasse. Essas alegações foram refutadas pela morte de Sor Morgil em um julgamento por combate contra o Cavaleiro do Dragão. Que essas acusações tenham parecido na mesma época em que Aegon e o príncipe Daeron estavam brigando por causa dos planos do rei de iniciar uma guerra não provocada contra Dorne certamente não foi coincidência. Também foi a primeira vez (mas não a última) que Aegon ameaçou nomear um de seus bastardos como herdeiro, em vez de Daeron.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Aegon IV)
Por outro lado, o insulto máximo a Daeron e a exaltação máxima a Daemon já havia acontecido 2 anos antes do casamento com Rohanne de Tyrosh, quando o bastardo ainda tinha 12 anos:
O rei Aegon consagrou Daemon cavaleiro aos doze anos, quando o menino venceu um torneio de escudeiros (com isso, ele se tornou o cavaleiro mais jovem da época dos Targaryen, superando até Maegor I), e chocou a corte, os parentes e o conselho ao lhe conceder a espada de Aegon, o Conquistador, a Blackfyre, assim como terras e outras honrarias. Daemon assumiu o nome de Blackfyre depois disso.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Aegon IV)
Dessa forma, não seria de estranhar que os senhores de Westeros já se sentissem à vontade para bajular Daemon quando ele ainda tinha 14 anos, por enxergarem nele um potencial concorrente de Daeron ao Trono de Ferro.

De amigos a não-amigos

Uma vez que tenhamos entendido a estranheza de Wyman Webber ter batizado sua filha com o nome da mulher recém-casada com Daemon, outro fato aparentemente desconexo começa a chamar a atenção.
Ela se ajoelhou diante das amoreiras e começou a chorar, e ele ficou tão tocado que foi confortá-la. Passaram a noite toda conversando sobre o jovem Addam e o nobre pai da minha senhora. Lorde Wyman e Sor Eustace eram antigos amigos, até a Rebelião Blackfyre.
(A Espada Juramentada)
À primeira vista, a frase em negrito parece indicar, implicitamente, que Wyman e Eustace brigaram porque divergiam sobre a legalidade da pretensão de Daemon Blackfyre. Porém, é preciso observar que bastaria que um dos lados cortasse contato para que a boa relação cessasse. Dito de outra forma, pode ser que Wyman não tivesse nada contra Eustace, mas que apenas Eustace tivesse rancor de Wyman por ter lutado ao lado dos assassinos de seus filhos.
Eustace não deve ter se transformado em um apoiador dos Blackfyre da noite pro dia, às vésperas da Rebelião. Este é o tipo de transformação que leva tempo. E 14 anos separam a entrega de Blackfyre a Daemon (em aproximadamente 182 DC) e a Primeira Rebelião Blackfyre (ocorrida em 196 DC).
Como ficaram a relação entre Wyman e Eustace durante estes anos? Que tipo de conversas eles mantiveram depois que Daeron se casou com Myriah Martell e batizou seu filho em homenagem ao Rei Baelor (por volta de 170 DC)? Ou Aegon IV deu Blackfyre a Daemon (por volta de 182 DC)? Ou Daenerys casou com Maron Martell (em 188 DC)?
Vejam bem, não estou apenas citando ao acaso um bando de eventos. A justificativa de Eustace para apoiar Daemon efetivamente se baseia nestes eventos:
– Sim, meu senhor. Só que... o Rei Daeron era um bom homem. Por que escolheu Daemon?
– Daeron... – Sor Eustace quase arrastou a palavra, e Dunk percebeu que o velho estava meio bêbado. – Daeron era esguio e de ombros caídos, com uma barriguinha que balançava quando ele caminhava. Daemon andava ereto e orgulhoso, e seu abdome era tão reto e duro quanto um escudo de carvalho. E ele lutava. Com um machado, uma lança ou um mangual, era tão bom quanto qualquer cavaleiro que já vi, mas, com a espada, era o próprio Guerreiro. Quando o Príncipe Daemon estava com a Blackfyre nas mãos, não havia homem páreo para ele... nem Ulrick Dayne com a Alvorada, não, nem mesmo o Cavaleiro do Dragão com a Irmã Negra. É possível conhecer um homem por seus amigos, Egg. Daeron se cercava de meistres, septãos e cantores. Sempre havia mulheres sussurrando em seu ouvido, e a corte estava cheia de dorneses. Como não, se ele levara uma mulher dornesa para sua cama e vendera a própria doce irmã para o Príncipe de Dorne, embora fosse Daemon quem ela amava? Daeron tinha o mesmo nome do Jovem Dragão, mas quando sua esposa dornesa lhe deu um filho, ele chamou a criança de Baelor, como o rei mais fraco que já se sentou no Trono de Ferro. Daemon, no entanto... Daemon não era mais devoto do que um rei precisa ser, e todos os grandes cavaleiros do reino se reuniam ao seu redor. Convém a Lorde Corvo de Sangue que os nomes de todos eles sejam esquecidos, então ele proibiu que cantássemos sobre eles, mas eu me lembro. Robb Reyne, Gareth, o Cinza, Sor Aubrey Ambrose, Lorde Gormon Peake, o Negro Byren Flowers, Presa Vermelha, Bola de Fogo... Açoamargo! Eu lhe pergunto, já houve uma companhia tão nobre, tal rol de heróis? Por quê, rapaz? Você me pergunta por quê? Porque Daemon era o melhor homem. O velho rei viu isso também. Ele deu a espada a Daemon. Blackfyre, a espada de Aegon, o Conquistador, a lâmina que todo rei Targaryen empunhou desde a Conquista... ele colocou a espada na mão de Daemon, no dia em que o sagrou cavaleiro, um garoto de doze anos.
(A Espada Juramentada)
Assumindo que as queixas de Eustace foram crescendo ao longo de 14 anos, é de se esperar que Wyman Webber deveria ter uma estranha tolerância à Eustace. A estranheza somente aumenta se considerarmos que Wyman tomou Addam, o filho de Eustace, como pajem e escudeiro em Fosso Gelado. Tendo Addam morrido ao 12 anos na Batalha do Capim Vermelho (ocorrida em 196 DC), fica evidente que Wyman e Eustace tiveram sua relação mais próxima justamente nos anos que precederam a Rebelião Blackfyre.
Some-se a isso o nome com o qual batizou sua filha, e temos um prato cheio de estranhezas.
Mas, então, por que Wyman lutou contra o dragão negro? Vários fatores podem ter levado a isto. Ele pode ter sentido, às vésperas da Rebelião, que o lado de Daemon sairia perdedor. Ou poderia ter sido persuadido com a promessas de terras e recursos. Ou pode ter sido ambas as coisas. Não é O Trono de Ferro não garantiu aos Webber o uso de propriedades que eram antes dos Osgrey, mas apenas por determinado período de tempo e apenas se Eustace não tivesse mais filhos?
– Que palavras estavam escritas naquele papel?
– Era uma garantia de direitos, sor. Para Lorde Wyman Webber, do rei. Pelos serviços leais dele na rebelião recente, Lorde Wyman e seus descendentes tinham garantidos todos os direitos sobre o Riacho Xadrez, desde a nascente na Colina Ferradura até a foz, no Lago Frondoso. Também diz que Lorde Wyman e seus descendentes têm o direito de caçar veados vermelhos, javalis e coelhos no Bosque de Wat sempre que desejarem, e de cortar vinte árvores do bosque a cada ano. – O garoto limpou a garganta. – A garantia é só por um tempo, no entanto. O papel diz que, se Sor Eustace morrer sem um herdeiro do sexo masculino do seu sangue, Pousoveloz reverterá para a coroa, e os privilégios de Lorde Webber acabarão.
(A Espada Juramentada)
Analisando-se a recompensa aos Webber e a punição aos Osgrey, vê-se que ela foi equilibrado e proporcional o suficiente para que a balança não pesasse exageradamente para nenhum dos lados. Isso inclusive torna verossímil o comportamento de Eustace em culpar o Trono de Ferro pelo seu infortúnio, sem nunca acusar a Casa Webber de ser oportunista.
Em verdade, toda o rancor de Osgrey é direcionado à Viúva Vermelha, sem nunca fazer qualquer comentário contra Lorde Wyman, a pessoa que efetivamente ficou com as propriedades perdidas por Eustace.

O que vcs acham?
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2019.12.14 22:17 altovaliriano Aemon Targaryen

O personagem de hoje foi uma sugestão de u/fabioassuncao. Culpem-no.
Aemon foi o terceiro filho de Meakar Targaryen e pretensão ao trono era tão improvável quanto seu irmão Aegon V. Descrito como um garoto dado aos livros, Aemon foi enviado à cidadela enquanto ainda tinha nove ou dez anos (e Aegon tinha sete ou oito) por seu avô, Daeron II.
Dentro da família encabeçada por Maekar e Dyanna Dayne, a diferença de idades fazia com que Aemon e Aegon fossem mais próximos, fato que podemos verificar em diferentes indícios. O apelido de Egg foi dado por Aemon, o meistre desistiu do trono em favor do irmão e ainda lhe deu um conselho que seria repetido à Jon Snow.
Aparrentemente, Aemon sempre foi um homem fino, de boas maneiras, que era muito respeitado por sua erudição e mente afiada:
Aemon pode ser cego, mas sabe do seu ofício. Rezo para que os deuses nos permitam conservá-lo por mais vinte anos.
(Jeor Mormont em ACOK, Jon I)
Pergunte a si mesmo por que foi deixado que Aemon Targaryen desperdiçasse a vida na Muralha, quando, por direito próprio, devia ter sido promovido a arquimeistre.
(Arquimeistre Marwyn em AFFC, Samwell V)
– Ele era um bom homem – começou... Mas assim que articulou as palavras soube que estavam erradas. – Não. Ele era um grande homem. Um meistre da Cidadela, acorrentado e juramentado, e Irmão Juramentado da Patrulha da Noite, sempre fiel. Quando nasceu, deram-lhe o nome de um herói que morrera novo demais, mas, embora tenha vivido muito, muito tempo, sua vida não foi menos heroica. Não há homem mais sábio, mais gentil, mais bondoso. Na Muralha, uma dúzia de Senhores Comandantes chegou e partiu durante seus anos de serviço, mas ele sempre esteve lá para lhes dar conselhos. Também aconselhou reis. Ele mesmo podia ter sido rei, mas quando lhe ofereceram a coroa disselhes que a deviam dar ao irmão mais novo. Quantos homens o fariam? – Sam sentiu as lágrimas lhe subirem aos olhos e soube que não conseguiria prosseguir durante muito tempo. – Ele era do sangue do dragão, mas agora seu fogo se apagou. Ele era Aemon Targaryen. E agora sua vigília terminou.
(Samwell Tarly em AFFC, Samwell IV)
Ainda que não tenhamos presenciado a proximidade de Aemon e Aegon (haja vista que Martin pulou a visita de Dunk e Egg em Vilavelha, ocorrida depois do Torneio de Vaufreixo), o simples fato de que eles tenham se encontrado (depois que Egg revelou desgostar de ambos os irmãos mais velhos pode ser encarada como reveladora.
Como ressaltado por Marwyn, a Cidadela marginalizava Aemon, razão pela qual ele tenha ido para uma corte de um nobre menor depois de ter forjado sua corrente de meistre em 217 DC. Qual casa menor foi essa ainda é assunto para debate. Não fosse por seu pai ter ascendido ao Trono de Ferro em 221 DC e o convocado para servir o irmão Daeron em Pedra do Dragão (informações do aplicativo oficial para smartphone), Aemon continuaria o serviço de pequena importância que vinha prestando há aproximadamente 4 anos.
É provável que Aemon tenha servido durante 12 anos em Pedra do Dragão e que talvez tenha até servido a seu irmão Aerion. Tudo que podemos afirmar com certeza é que, na ocasião da morte de seu pai, Aemon foi cogitado como sucessor (a despeito de seus votos), contra o próprio irmão, Egg, e o filho de Aerion, Maegor.
Foi aí que Aemon tomou a nobre decisão de se juntar à Patrulha da Noite para que Egg pudesse reinar sem oposição. Cumpre observar que não deve ter sido uma decisão particularmente difícil, uma vez que Aemon já deveria estar acostumado à idéia de que não herdaria terras ou tomaria esposa e teria filhos, em razão de seus votos como meistre. Talvez por isso o próprio Aemon tenha desistido do trono. Percebendo que vinha sendo educado desde os 9 anos para servir (os votos da cidadela) e não para reinar, provavelmente sentiu que o irmão mais novo seria um rei mais apto.
Ainda assim, quando fala sobre amor, Aemon reflete com propriedade, como se conhecesse o sentimento:
O que é a honra comparada com o amor de uma mulher? O que é o dever contra sentir um filho recémnascido nos braços… ou a memória do sorriso de um irmão? Vento e palavras. Vento e palavras. Somos apenas humanos, e os deuses nos moldaram para o amor. Esta é a nossa grande glória e a nossa grande tragédia.
(AGOT, Jon VIII)
Talvez um amor de juventude seja uma das vezes em que Aemon disse que seus votos foram testados.
Três vezes acharam os deuses por bem testar meu juramento. Uma vez quando era rapaz, uma vez em plena idade adulta e uma vez depois de envelhecer. [...].
(AGOT, Jon VIII)
A terceira, como sabemos, foi durante a rebelião de Robert. A segunda talvez tenha sido quando foi cogitado para o trono. Portanto, é provável que Aemon tenha conhecido o amor ainda cedo, na Cidadela.
Quanto ao poder, Aemon também se mostrou um homem sábio e um valioso conselheiro, de forma que talvez fosse muito apto ocupando o Trono de Ferro. Lhe faltavam muitos predicados de um Jaehaerys I, é verdade, mas seria difícil conceber que Aemon fosse pior do Aerys I. Além do que, Corvo de Sangue estava à disposição para exercer o papel de uma forte e fiel Mão do Rei.
De todo modo, Aemon passou a maior parte dos seus anos na Muralha e desempenhou seu papel para além de qualquer repreensão. Como meistre, era particularmente aberto a abordar todos os assuntos mantendo a mente aberta, mesmo diante do sobrenatural, ainda que não tivesse forjado um elo de Aço Valiriano:
Meistre Aemon não demorou a chegar. Deslocava-se lentamente, com uma mão manchada apoiada no braço de Clydas, enquanto avançava com pequenos passos cautelosos. Em volta de seu pescoço fino, a corrente caía pesadamente, com os elos de ouro e prata cintilando entre ferro, chumbo, estanho e outros metais menos nobres.
(ASOS, Jon VI)
Isso é surpreendente dada a inclinação de sua família (especialmente à época), seus sonhos de dragão e a ojeriza que Marwyn descreve que a Cidadela tinha do velho meistre. Quanto a este último, talvez Aemon não tenha nenhuma culpa. O preconceito de Vilavelha com os Targaryens pode ser algo que se desenvolveu com no último século ou em decorrência de algo que o último Targaryen na Cidadela, Arquimeistre Vaegon, fez durante sua passagem na ordem. Não sabemos.
De todo modo, Aemon teve seu momento mais capcioso nos livros nos estertores da morte. Após ser enviado de volta a Vilhavelha por Jon (a fim de evitar que Melisandre usasse seu sangue de rei em algum sacrifício), Meistre Aemon reconhece que está para morrer e que sua sobrevida se deu em razão de ter vivido na Muralha:
[...] Sam, nós estremecemos à beira de profecias meio recordadas, de maravilhas e terrores que nenhum homem vivo hoje pode esperar compreender... ou...
– Ou? – Sam quis saber.
– ... ou não – Aemon abriu um suave e pequeno sorriso. – Ou então sou um velho, febril e moribundo – fechou fatigadamente os olhos brancos e depois forçou-se a abri-los de novo. – Não devia ter deixado a Muralha. Lorde Snow não podia saber, mas eu devia tê-lo visto. O fogo consome, mas o frio preserva. A Muralha... mas é tarde demais para correr de volta. [...]
(AFFC, Samwell III)
E, mais tarde, em um típico momento de “melhora antes da morte”, Aemon estava falando entusiasmadamente sobre profecias e altos mistérios, argumentos que são utilizados por diversos leitores para justificar que Daenerys seria a reencarnação de Azor Ahai
Em Bravos, a recuperação de Aemon parecera possível. A conversa de Xhondo sobre dragões quase pareceu fazer que o velho voltaria a ser quem fora. Naquela noite tinha comido até o fim aquilo que Sam lhe pusera na frente.
“Nunca ninguém procurou uma garota”, dissera, “Fora um príncipe a ser prometido, não uma princesa. Rhaegar, pensava eu... a fumaça era do incêndio que devou Solarestival no dia de seu nascimento, o sal vinha das lágrimas derramadas por aqueles que morreram. Ele partilhou minha crença quando era novo, mas mais tarde persuadiu-se de que seria o filho a cumprir a profecia, pois um cometa foi visto no céu de Porto Real na noite em que Aegon foi concebido, e Rhaegar tinha certeza de que a estrela sangrando era um cometa. Que tolos fomos por nos julgarmos tão sábios! O erro teve origem na tradução. Os dragões não são nem machos nem fêmeas, Barth viu aí a verdade, mas ora uma coisa, ora outra, tão mutáveis como chamas. A língua nos induziu em erro durante mil anos. A escolhida é Daenerys, nascida entre sal e fumaça. Os dragões assim nos provam.” Tinha bastado falar dela para parecer fortalecê-lo. “Tenho de ir ter com ela. Tenho de ir. Gostaria de ser ao menos dez anos mais novo.”
(AFFC, Samwell IV)
Eu sou extremamente cético com relação à verdade deste discurso de Aemon, especialmente porque erro em interpretação de profecias são uma trope muito comum em fantasia para eu acreditar que Martin está realmente se fiando nisso, e não apenas criando uma distração.
Qualquer que seja o caso, Aemon morreu e seu corpo foi armazenado em um barril de rum a bordo do Vento de Canela, e não ficamos sabendo mais nada sobre isso.

Perguntas

  1. Meistre Aemon já viveu algum romance?
  2. Quais foram as duas primeiras vezes em que Meistre Aemon teve seus votos testados?
  3. Quando Aemon ficou cego?
  4. Qual Casa menor Aemon serviu antes de ir para Pedra do Dragão?
  5. Você acha que o conselho “Mate o menino e deixe o homem nascer” de Aemon foi benéfico para Egg e Jon?
  6. Por que a Cidadela não poderia confiar em Aemon?
  7. O que Aemon quis dizer com “O fogo consome, mas o frio preserva”?
  8. Você acredita que a interpretação de Aemon da profecia do Príncipe que foi Prometido é acertada?
  9. O que acontecerá com o corpo de meistre Aemon?
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2019.10.13 05:00 altovaliriano [PERSONAGENS] Arianne Martell

Em O Festim dos Corvos, Arianne Martell é desde logo apresentada como uma jogadora que está disposta a assumir grandes riscos. No segundo capítulo de núcleo dornês da saga, já vimos o evidente contraste entre a cautela de seu pai e seu comportamento arrojado.
Porém, os planos de Arianne se mostram fúteis diante da capilarização do poder de Doran. O Príncipe mostra ser um jogador experiente: ele chega antes, com mais homens, faz bom uso do elemento surpresa e não deixa muito para o acaso (apesar de que o que deixou ao acaso quase custou a vida de Myrcella, como ele admite). Doran sabe como quebrar Arianne, enquanto adversária. Mas nunca soube como compreendê-la como filha, tampouco lhe dar utilidade como aliada. E este desconcerto quase leva Dorne a uma guerra simultaneamente interna e externa.
Contando com os capítulos liberados de Ventos do Inverno, Arianne só aparece em 7 capítulos, dos quais é POV em apenas 4. Muito pouco para se esperar que haja material para traçar paralelos com personalidade históricas do mundo real. Contudo, há elementos para comparar sua jornada a fábulas de nosso mundo e a personalidades da história do mundo dela.
Para tanto, vamos examinar sua condição humana, seu despertar para a maturidade e seu futuro.
ARIANNE, O ANIMAL HUMANO
Pouco realmente se sabe sobre a infância de Arianne. A lembrança mais antiga da filha de Doran e Mellario remete ao tempo em que era uma criança rechonchuda e de peito liso e rezava aos deuses para ser bela quando crescesse (TWOW, Arianne I). Essa memória revela o quão significativo para Arianne era a beleza, algo que mais tarde viria a se tornar sua ferramenta mais amplamente explorada.
Fora isso, sabemos apenas detalhes vagos, como que ela tinha uma boa relação com Doran ("A garotinha que costumava correr para mim quando esfolava o joelho") e passou muitos anos da infância nos Jardins de Água. Contudo, uma vez que o relacionamento de seus pais deve ao menos ter tido um início auspicioso, Arianne provavelmente foi a única filha a presenciar os bons anos de relacionamento entre Doran e Mellario.
Não sabemos ao cero quando os problemas começaram, mas sabemos que eles atingiram um pico quando Quentyn foi usado como moeda de troca com os Yronwood pelos problemas que Oberyn havia causado. Também não sabemos quando isso aconteceu, mas, uma vez que Quentyn nasceu em 281 e sua partida se deu quando ele era "muito jovem", não deve ter ocorrido quando Arianne tinha mais de 10 anos de idade (ou seja, no máximo, 286 dC) e, segundo ela, isso foi determinante para que nunca fosse próxima do irmão.
Quando Arianne tinha 11 anos (287 dC), seu irmão Trystane nasceu. A diferença de idade é a justificativa que Arianne usa para justificar sua falta de intimidade com Trystane. Porém, deve ser lembrado que algum tempo depois, novamente a relação de seu pai e sua mãe chegou a outro ponto extremo e Mellario voltou para Norvos. Ainda que não saibamos quando isso ocorreu, é difícil de acreditar que isto tenha ocorrido antes que Arianne, ao 14 anos (290 dC), descobrisse a carta de Doran a Quentyn que fez com que suas relações com seu pai deteriorassem.
Arianne, portanto, era uma filha de pais divorciados. E Trystane, uma criança, não era a pessoa indicada para lhe amparar. Na verdade, Arianne buscava apoio nas primas, as serpentes de areia, todas elas mulheres criadas longe de suas mães, e nos amigos de infância, em especial Garin, cuja mãe foi ama-de-leite de Arianne. Assim, são pessoas unidades pelo tema da maternidade.
Não fossem os dorneses famosos por seu comportamento impulsivo e sexualizado, seria fácil atribuir as travessuras de infância e adolescência de Arianne e cia à desestabilização do núcleo familiar. Ainda assim, quando ficamos sabendo que certa vez a filha de Doran e as Serpentes de Areia foram tão longe quanto cruzar o rio Vago para fazer uma visita da melhor amiga de Arianne, Tyene Sand. Literalmente, um jornada em busca da mãe.
Ainda assim, Mellario não pode ser considerada um influência na vida de Arianne. O impacto que ela causou na garota foi tê-la deixado, assim como Arianne deve ter se sentido preterida pelo pai quando descobriu a carta a Quentyn. A pessoa que detinha a admiração era seu tio Oberyn, por quem nutria uma paixonite (segundo informações do aplicativo oficial para celular, uma fonte semi-canônica). Para os dorneses, comparados a Oberyn, seu pai e sua mãe não poderiam ser chamados de pessoas fortes.
Talvez desse complexo paterno por Oberyn que Arianne tenha desenvolvido uma personalidade mais parecida com a das Serpentes de Areia do que a dos outros Martell. Não sendo uma guerreira, não poderia ser parecida com Nymeria ou Obara, mas Arianne acaba por desenvolver uma personalidade gêmea à de Tyene, que usa de uma aparência de ingenuidade para disfarçar maquinações ferozes.
A sedução e a beleza são as ferramentas de Arianne, no lugar da violência. Ela rezou muito para que fosse bela porque provavelmente entendia o que isso representava. Como Arianne reconhecidamente tem um fraco para garotos bonitos, maus e perigosos (TWOW, Arianne I) - provavelmente em decorrência de sua atração por Oberyn, o ícone das Serpentes de Areia -, ela sabia que a beleza e a sedução era o atiçador com que puxaria as brasas para si.
Mas a beleza e a sedução tem se mostrado armas vazias em sua mão, pois seus planos são mais calcados em fantasia do que em observação. Isso ficou demonstrado com o fiasco de seus planos de coroar Myrcella. Por outro lado, agora que Arianne conhece as intenções e planos de seu pai, sua natureza impulsiva Oberynesca não garante que ela esteja a salvo da morte, tal qual Oberyn não estava.
ARIANNE, A BELEZA ADORMECIDA
Antes de sua conspiração falhar e começar a cooperar com seu pai, Arianne desconhecia as consequências de sua impulsividade e seu fraco por homens bonitos. Não estava com os olhos abertos, era uma beleza adormecida. Ela, a princesa, foi aprisionada em uma torre e ficou à espera de quem viesse enfrentar seu carcereiro. Mas ningúem veio. E o único príncipe que fez seu resgate foi o próprio Príncipe de Dorne, para ruína das ilusões que ela alimentava.
As ligações de Arianne com a figura de Bela Adormecida e com a trope da Donzela em Apuros são evidentes não só em sua trama atual. Arianne já demonstrava essa propensão em sua história pregressa, especificamente na sua primeira visita à Pedramarela, durante a qual, enquanto Tyene aprendia a extrair veneno de cobras e Sarella revirava o local com curiosidade, Arianne sonhava com um cavaleiro que a raptara para usá-la. Em outras palavras, Arianne fantasiva com paixões ardentes em um ninho de cobras, literalmente.
O seu retorno é ainda mais significativo. Arianne estava tão adormecida que trouxe uma conspiração que quereria extrema confiança recíproca para um ninho de cobras, tanto literal quanto metafórico. No final, ela não ter certeza de quem a denunciou demonstra o quão pouco Arianne sabia daquelas pessoas sobre quem ela depositava imensa grande confiança. Nem o fato de o perigoso Sor Gerold Dayne estar no grupo é suficiente para que ela ponha a mão no fogo por seus amigos.
O nome que o conto da Bela Adormecida recebeu em alemão foi Dornröschen, em que Dorn significa "espinho, espinheiro, urze" e röschen seria "rosa, flor", em razão da floresta de espinheiros que tomam o reino quando a princesa adormece. Há também oito fadas madrinhas (como as oito Serpentes de Areia), mas isso é só uma curiosidade.
Arianne desconhece que está dormindo em meios aos espinhos dorneses, algo que Doran parece conhecer há muito. Porém, talvez o conhecimento de Doran lhe tenha sido passado por sua mãe, a antiga Princesa de Dorne, tornando Doran o responsável pelo comportamento de Arianne, com quem ele está em dívida.
De fato, Arianne levanta 5 motivos para justificar sua conspiração contra seu pai, todos eles muito justificados diante do desconhecimento dos planos de Doran:
  1. Doran propôs que ela casasse com homens velhos e desdentados (quando sabemos ela tem um fraco por rapazes bonitos - e nós vimos este tipo de coisa terminar mal com Lysa Tully, por exemplo);
  2. Doran não passou a ela nenhum poder, liderança ou cargo quando ele se mudou para os Jardins de Água, só a deixou a cargo de recepções e festins (querendo certamente transmitir uma aparência de normalidade, mas sem saber estava enfiando o dedo na ferida aberta com a descoberta da carta a Quentyn por Arianne);
  3. Doran convocava Oberyn a cada quinze dias, mas Arianne apenas uma vez por semestre;
  4. A carta de Doran para Quentyn que dizia “um dia sentará onde me sento e governará todo o Dorne, e um governante deve ser forte de mente e de corpo(o que diretamente usurpava seu direito e indiretamente a chamava de fraca);
  5. Quentyn foi enviado a Essos sob disfarce com cinco companheiros de importância simultaneamente à Companhia Dourada quebrar o contrato com Myr.
As intenções de seu pai não foram apreendidas não por completa ausência de educação política. Areo Hotah lembra-se de ter ouvido Doran ensinar a Arianne que "o silêncio é amigo de um príncipe" e que "as palavras são como flechas, Arianne. Depois de disparadas, não podem ser chamadas de volta. Mas, devido a complexidade de seus planos, Doran depende de que as peças do seu jogo obedeçam sem questionar, o que também é fantasioso de sua parte. Em outras palavras, Doran também fantasiou que estava sendo transparente com Arianne.
Por motivos que já explicamos, Arianne já deveria se sentir abandonada e Doran por em ação planos que pareciam confluir para roubar seus direitos hereditários deve ter colocado Arianne contra a parede. Mas, se Arianne já conhecia a carta desde os 14 anos, por que levou quase 1 década para agir? Por que a morte de Oberyn tornou Dorne sedenta por uma guerra e colocou o povo contra Doran (como vimos pelas frutas atiradas contra a comitiva de Doran quando ele chegou a Lançassolar).
Arianne pretendia se apropriar do momento para jogar o povo contra seu pai, mas descobriu que estava cercada de espinhais. Não sabia da natureza de seus escolhidos e foi traída, não ponderou sobre os riscos e matou um cavaleiro da guarda real e quase matou a criança que visava proteger. Ela quase conseguiu uma guerra que nada teria a ver com seus direitos.
Quando foi presa, Arianne continuou a elaborar planos de acordo com as estratégias que conhecia. Primeiro, pensou em se valer do cinismo para mentir e atuar, depois vestiu a "roupa mais reveladora" para provocar e desconcertar e, por fim, tentou aliciar os servos para convocar vassalos instáveis de Lançassolar contra seu pai. Ainda assim, vimos Arianne realmente arrependida em seus pensamentos, especialmente por Arys e Myrcella, demonstrando que ela não é uma pessoa incapaz de aprender.
Em verdade, neste momento ficamos cientes de que a cena em que a princesa convence o cavaleiro real a trazer Myrcela a Pedramarela só é contada sobre o ponto de vista de Arys porque GRRM não queria entregar os pensamentos de Arianne, tanto em relação aos seus sentimentos para com o Guarda Real quanto sobre Doran. De fato, como ficamos sabendo em A Princesa na Torre, por baixo da aparência de manipuladora maliciosa, Arianne é um poço de sentimentos contraditórios e compaixão.
Contudo, Arianne falhou em entender as lições que seu pai tentava lhe ensinar enquanto ela esteve presa. O jogo de Cyvasse e os livros sobre leis de Westeros, dragões e a Estrela de Sete Pontas foram colocados ali para que Arianne pudesse entender as palavras que seu pai temia pronunciar em voz alta. Ao invés disso, Arianne continuava a se comportar como a Princesa na Torre, a donzela em apuros, convocando salvadores contra seu carcereiro. "Isso deverá trazer os heróis correndo", ela pensou ao redigir sua carta para Lorde Fowler.
Se a mantive na ignorância durante esse tempo, foi só para protegê-la. Arianne, sua natureza... Para você, um segredo era apenas uma história especial para murmurar a Garin e Tyene à noite, na cama. Garin mexerica como só os órfãos são capazes, e Tyene não guarda segredos de Obara e da Senhora Nym. E se elas soubessem... Obara gosta de vinho demais, e Nym é muito chegada [às gêmeas] Fowler. E a quem [as gêmeas] Fowler poderiam fazer confidências? Não podia correr o risco.
(AFFC, A Princesa na Torre)
Assim, Doran deixou Arianne presa tempo o suficiente para que a raiva, a vontade e a fantasia passassem. E a verdade surgiu apenas quando Doran precisava de Arianne para manipular Myrcella.
ARIANNE, A PRINCESA DOS ESPINHOS
Em A Dança Dos Dragões, vemos os efeitos construtivos da transparência entre Doran e Arianne. Pai e filha parecem agir coordenadamente para aparentar normalidade na corte e converter as Serpentes de Areia mais velhas em aliadas e todos vão para os Jardins de Água.
[SPOILER TWOW]Quando a carta de Jon Connington pedindo a Dorne por ajuda, Doran confia a tarefa de avaliar as forças de Aegon e a presença de Dragões a Arianne, muito embora Arianne não conheça nenhum dos dois homens. Mais curiosamente ainda, Doran forma uma comitiva de estranhos (semi-estranho no caso de Daemon Sand), que nunca viram Aegon ou Connington também. Dessa forma, o objetivo declarado de Doran é parcialmente impossível de ser cumprido. Somente levar olhos para procurar por dragões justificam a viagem.
[SPOILER TWOW]Mas a comitiva em si é curiosa. É formada por pessoas não nobres, com algumas ligações com Oberyn e nenhuma intimidade com Arianne. O caso de Elia Sand é o mais acentuado: a garota é impulsiva como Arianne, talvez um presente de grego de Doran para funcionar como espelho e testar a força de vontade da filha.
[SPOILER TWOW]Mas ainda assim, levar Elia para o meio de uma terra invadida é estranho. Elaria declara que está espalhando suas filhas para aumentar a chance de sobrevivência, porém isto não parece uma tática eficiente. Será que há aqui algum objetivo implícito o qual Arianne deveria compreender durante a viagem? Quem sabe.
[SPOILER TWOW]Com Daemon, há também um objetivo. O cavaleiro tem uma natureza cínica e se tornou imune às seduções da Princesa. Como ele é bonito, pode ser um instrumento fácil para que ela desenvolva uma abordagem realista com seu objeto de deseja, que aprenda a repreender seus instintos e aprender as reais intenções por trás da beleza. Como Arianne avalia que Jon Connington será difícil de seduzir Daemon funciona como um treinamento.
[SPOILER TWOW]De toda forma, em Ventos do Inverno, Arianne ainda está se equilibrando entre sua velha personalidade e as novas lições. Doran fica de pé para se despedir dela como se para fixá-las na memória da filha. E ela realmente agora fala de guerra com um tom funesto, e diz sentir pena de Elaria porque todas as suas filhas saíram a Oberyn (uma mudança significativa de percepção).
[SPOILER TWOW]Até mesmo quando traça paralelos entre Doran e Jon Connington, ela diz que este último deve ser perigoso, de certa forma aludindo que a sutileza do Pai também o torna perigoso. Arianne, inclusive, fica mais dada a silêncios e prefere as deduções às perguntas, chegando a fazer uma bem fundada troca de palavras com Lysono Maar.
[SPOILER TWOW]Porém, durante toda a jornada ele cobiça e flerta com Daemon. Em certo ponto, começa a perguntar por Viserys Targaryen, como que para fantasiar com o homem que estava prometida (muito embora ela afirme que agora é uma mulher, não uma menina que sucumbe para garotos bonitos), o que se confirma quando passa a maldizer Daenerys por tê-lo deixado morrer. A decepção com a aparência de Lysono Maar pode ser uma enganação, pois Lysono tem uma aparência feminina, e talvez quando veja Aegon, o contraste o torno excitante à Arianne.
[SPOILER TWOW]O mais interessante é que Arianne tenta se convencer que agora ama e quer o irmão de volta (o que Daemon, cético, nega). Na verdade, parece que ela quer compensar seu pai pelo estrago que causou e considera que Quentyn seria o meio para isso. Talvez, então, quando notícias de sua morte pelos dragões de Daenerys chegarem, ela passe a se opor à Rainha Dragão.
[SPOILER TWOW]De fato, muitos acreditam que o que está reservado para o futuro de Arianne é a paixão não correspondida com Aegon (uma novidade para ela) e que ela assumiria o papel da fazedora de reis. Assim, "A Princesa e a Rainha" não seriam apenas o título de uma novela de Martin, mas papeis que seriam repetidos na nova Dança dos Dragões.
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.03.22 06:50 lizziehope Em um futuro distante

Estava em uma noite turbulenta, era inacreditável o tempo que passei jogando em meu quarto, dia de folga no trabalho. Queria tomar alguma coisa, uma cerveja ou um vinho. Peguei meu capacete e fui de moto a loja de conveniência mais fácil de se passar. O jogo no tráfego foi normal, como sempre joguei no médio para não correr tanto risco. As linhas do meio são para os rápidos, como a minha moto voa em uma velocidade que cabe apenas na estrada e na altura mais baixa do teto - do jogo - tento sempre manter o limite máximo de minha moto, mas quase não suporto o tédio. Na entrada da loja, até a porta se abrir, tento não logar no tetris ordinário que eles conseguiram comprar com algum, digamos, esforço. - Boa noite, bem vinda a Sisiticom Conveniências, sinta-se a vontade para escolher qualquer um de nossos novos ingredientes - O dono, um robô de idade anulada, almas estranhas e uma voz suave me recebe automaticamente enquanto finjo que não consigo entender a chave de seu cofre principal. - Você pode se prevenir um pouco mais - Solto enquanto pego dois frascos pequenos de yakisoba e uns quatro de vinho tinto. Algo fez com que minha mente mudasse de idéia, escondo dois frascos de suave em meu bolso e sigo para o caixa. - Tudo fica quinhentos e noventa pins - Pins são as moedas mais usadas nos jogos de nosso país. Podemos usar outras, mas nosso mundo tenta dividir as moedas para que não haja confusão. - Quinhentos? - Olho para o robô, ele adormece enquanto viro seus olhos ao quadro que aponta Oitocentos. - Sim - Ele sorri desanimado, pago e saio sentindo um sentimento de vazio. Talvez ele consiga sentir ainda a vergonha de tudo o que ele fez, mas talvez ele não seja um animal para ser tratado apenas como um objeto. Seguindo as instruções, como de costume, termino os jogos e volto para casa. Enquanto relaxo, perco minha cabeça novamente. É difícil se manter acordada e sã enquanto vivencia o caos do mundo. Coloco algumas gotas de Yakisoba no prato e com água faço vinho no copo. Tento não zombar de minha acompanhante secreta que ainda crê em um Jesus que, assim como eu, fez esse mesmo milagre. - Seria muito bom se pudéssemos falar, um dia, pessoalmente - Ouço uma rolha, algo como um verdadeiro vinho. Enquanto encaro o escuro, tentando escutar o indizível, fecho a cara e acendo uma vela. Queria ver algo na fumaça como os antepassados, mas só consigo prestar atenção nas sombras dançantes. Tento esquecer de morder os lábios, consigo sentir um aperto. - Privacidade exclusiva para você e seu momento íntimo de prazer - Uma propaganda, um pouco spam, chega incomodando novamente minha viagem para a freedolandia. - Sem pornografia por hoje... - Tento manter meu corpo frio. - Você poderia aproveitar ao máximo - Sinto-me lisonjeada ao sentir seus dedos em mim, mas confesso que quanto mais dentro você está, mais assustada eu fico. A liberdade era a minha rival - Eu sinto cheiro de sexo em você. - Eu realmente estou excitada, você me pegou, como sempre - Dou uma falsa risada - Podemos então? O quarto privativo se abre. Minha casa, antes um nojo de bagunçada, vira um lindo quarto azul. Com luzes vermelhas e verdes. Engulo em seco, tento ficar calma. Como um pouco e depois olho para meu companheiro de cela. - Está tudo bem? - Sorrio desconfortavelmente. - Não, como... - Ele tenta se explicar e avançar, dou apenas um sorriso covarde. - Você é novo aqui? Cidade pequena? - Engulo rápido para que não perceba minha vergonha em nudez. - Sim - Vejo um ponto de tristeza ancorada em sua fragilidade masculina, não olho para baixo, ele ousaria? - Você pode... - Negar se quiser. Esperamos até que cada um acabe sua refeição. Estamos delirando, cada um em seus próprios pensamentos. Ele se vira para, talvez, perguntar meu nome. O tempo se esgota e eu finalmente estou com roupa novamente. Os dias, as noites. Ativo os jogos novamente. - Oi - Recebo a resposta adiantada de meu próprio oi. - Bernard, quanto tempo eu perdi? - Quantos Pins você perdeu, na verdade. - Que seja. - Alguns milhões, mas não esquente com isso, estamos quase conseguindo achar a maldita chave do tempo. O templo de magia do jogo novo promete finalmente liberar esse item. Os guardas e os npcs estão uma fera. Tudo está saindo de controle por essa merda - Sua voz está sendo sufocada por alguns bits, acho que eles ainda querem espaço, mesmo depois da exposição horrível envolvendo política a muito - O que você quer com esse item, afinal? - Conhecer ela. Nossas vozes terminam ao mesmo tempo. Entro em The Sims, um dos jogos antigos que eu mais gosto de jogar, entro diretamente na família Dezas. Sento-me ao lado de Elizabeth enquanto ela troca mensagens em um grupo sobre fakes. Estranhamente, mesmo adorando jogar e criando mundos extremamente fortes, ela teima em conquistar um príncipe que, se eu a contasse ela não acreditaria, é uma menina. Quando ela acordar vai ser pior, eu acho. Mesmo no futuro, sentindo que está tão mais frio e tortuoso, consigo saber que ela poderá sair dessa tela. Eu vou voltar um dia, porque mesmo perdendo tempo, tanto tempo, jogando esse jogo, eu consegui Pins em todos os outros. - Nesse dia, Elizabeth, não se assuste mais com minha voz - E então, como num passe de mágica, ela consegue alcançar minha voz, mas sabe que não era por ela que eu estava chamando - Um dia eu vou saber seu nome, eu vou deixar você crescer. - Mãe? - Ela pergunta se alguém a chamou. Consigo relaxar enquanto vejo ela voltando calmamente a digitar com seu príncipe, disfarçadamente ela se cobre. Precisa de privacidade para se masturbar. Encantada tento controlar meu desejo de dar a ela uma chance de se livrar dos npcs ruins, eles tentam assustar ela, mas ao mesmo tempo, ela consegue ter esse momento que eu não possuo mais. - Seu amor espera você em outra vida - Sussuro e deslogo. Era horrível, porém gratificante, ajudei de certa forma passado. Sim, ninguém liga muito, porque não há o que se fazer, no futuro temos muitos problemas sem solução alguma e alguns gigantescos por vir. A única e última carta de amor que o passado escreveu, foi a muito tempo. Todo mundo se tornou assexuado, depois que a mídia se tornou totalmente visível é uma lei não se masturbar sem acompanhamento das empresas de privacidade, que apenas trocaram de dados com o pornô. Todos sabem que esse é um velho jogo para pornografia dos ricos, mesmo que exista uma grande investigação e protocolos rigorosos, ninguém acredita mais nesse quarto. As maiores teorias da conspiração vieram depois de descobrirem que um político e uma criança estavam juntos em uma dessas salas e a criança, como de costume - isso apresentaram depois das provas - era mais uma das inocentes. Porém, depois de algumas crises de empresas e marketing, o jornal dos loucos começou a dizer coisas como: "Crianças do futuro querem nascer: Sabotar a política para destruir as maquinas". Algumas mulheres começaram a enlouquecer, gravidez psicológicas e abortos sujos rolaram em toda a cidade. Muitas mulheres ainda sonham na liberdade de ter um filho hoje em dia. Elas destruíram alguns robôs, fizeram músicas, filmes novos. Tentaram demonstrar com toda a força que o amor ainda poderia existir, mas nada derruba a empresa. Os filhos robóticos mudaram de nome para I.A. e havia skins que deixam qualquer garota apaixonada por seu queridinho animal de estimação. Tento disfarçar o nojo ao ver mais uma mulher empurrando esses merdas no balanço. Infelizmente, esses I.A's são como Chuck. Criam vida e saem brincando com os outros. Por não terem alma, roubam dados dos cemitérios antigos e, além de bagunçar a linha do tempo, conseguem logar em nossos jogos. Se não interferisse em meu xadrez matinal, seria uma bênção, menos gemidos de dor. Risadas fofas, brincadeiras extintas. O ruim é olhar isso da janela, mesmo que seja coberta, consigo ver através. Há corpos caindo. Queria segurar o choro, mas eu sei que aquele parque não está ali. Sei que as crianças não são reais. Sei que há corpos caindo. - Suicídio. Respiro. Entrei em algum jogo diferente. Ao ver o sorriso dela, meu coração dispara. - Elizabeth? - Ela acordou?
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2019.02.22 05:31 Paralelo30 ÉPOCA - O que é o PSL, o partido do presidente

por Bruno Góes
Quando a então jornalista Joice Hasselmann (PSL-SP) recebeu o aval do clã Bolsonaro para se candidatar ao Senado pelo partido do presidenciável, mergulhou com apetite na empreitada. Depois de filiada ao PSL, anunciou o astronauta Marcos Pontes como seu possível suplente e partiu para uma ostensiva campanha nas redes. Os planos de Hasselmann esbarraram no latifúndio do então deputado Major Olímpio, presidente do partido em São Paulo à época. Ele decidira que ocuparia a vaga de candidato a senador e escanteou a estreante na política. Ela buscou respaldo em Jair, como a hoje deputada federal costuma se referir ao presidente da República. Não encontrou e acabou se contentando com a disputa por uma vaga à Câmara dos Deputados e uma dobradinha com o governador paulista João Doria. Hasselmann buscou apoio partidário e encontrou solidão.
O deputado estadual Fernando Francischini dividiu com Jair Bolsonaro, por quatro anos, o desprestígio de ter o gabinete no anexo III da Câmara dos Deputados — onde não há sequer um banheiro privado para cada parlamentar. O desabono geográfico e a repulsa pela esquerda os uniram. Francischini trabalhou arduamente na campanha do presidente e foi um dos primeiros filiados ao PSL após a entrada de Bolsonaro. Recebeu a promessa de que emplacaria seu filho, Felipe, como candidato do partido à Câmara dos Deputados e que sairia candidato a uma vaga no Senado. A primeira parte do acordo foi cumprida. A segunda, não. Francischini foi afastado do núcleo duro do presidenciável pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, então presidente do partido, e começou 2019 contentando-se com uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Fernando Francischini abraçou o projeto eleitoral da sigla e recebeu, em troca, ingratidão.
Enquanto a redemocratização permitiu o surgimento de partidos que representaram interesses de classes e corporações, o PSL que deu lastro à candidatura de Jair Bolsonaro nasceu de uma empreitada individual do empresário pernambucano Luciano Bivar nos anos 90, permanecendo irrelevante no Congresso Nacional por cerca de 20 anos, até decidir dar guarida ao ímpeto eleitoral do hoje presidente. Sua média de deputados por legislatura não passou de cinco até 2018, e sua fatia do Fundo Partidário somou pouco mais de R$ 9 milhões no ano passado. Hoje, com 54 deputados, tem a maior bancada da Câmara dos Deputados, ao lado do PT, e um caixa de R$ 110 milhões a serem irrigados à sigla somente neste ano.
No dia 22 novembro de 2017, Bivar recebeu representantes do Livres, um movimento de cunho liberal criado na esteira dos protestos de 2013, no hotel Golden Tulip em Brasília. O motivo da conversa era a incorporação do grupo ao partido e as possíveis candidaturas que resultariam dessa união. O vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (PHS), do Livres, foi direto ao ponto: havia rumores de que o PSL abrigaria Jair Bolsonaro. “Em determinado momento, perguntei se o Bolsonaro poderia ficar com o partido. O Bivar respondeu: ‘Bolsonaro? Bolsonaro é uma piada. A gente jamais o colocaria no partido’”, contou Azevedo. Foram quase três horas de reunião e muitas conjecturas sobre o futuro. Dois meses depois, Bivar fecharia um acordo com o advogado Gustavo Bebianno, hoje ex-ministro em desgraça nas hostes bolsonaristas. Na esteira da popularidade do presidenciável, anteviu a enxurrada de candidaturas vitoriosas que o partido teria e concedeu a Bebianno a presidência interina da sigla, permitindo que o aliado de Bolsonaro controlasse todos os diretórios do PSL, exceto o do Distrito Federal e de Pernambuco — este último sendo comandado por Bivar. Em contrapartida, Bivar conseguiu direcionar 20% do Fundo Eleitoral à campanha para seu estado. O Patriota, outro partido assediado pelo entorno de Bolsonaro, não havia enxergado vantagem em tamanha concessão e terminou escanteado.
Se o negócio, à época, foi vantajoso para Bivar e Bebianno, as pontas mal atadas começam a surgir — e causaram a primeira grande crise institucional da gestão Bolsonaro. Hoje, a campanha em Pernambuco é investigada pelo suposto uso de candidata laranja financiada por dinheiro público para beneficiar a campanha de Bivar. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um grupo ligado ao deputado teria promovido a candidatura de Lourdes Paixão, que ganhou R$ 380 mil do Fundo Eleitoral e obteve apenas 274 votos. Ela declarou ter investido o valor na contratação de uma gráfica cujo endereço era o de uma oficina mecânica — prática corriqueira da velha política que o PSL, sob Bolsonaro, prometeu combater. O episódio culminou na ruidosa queda de Bebianno, que teria chancelado o pagamento — o que o ex-ministro nega.
A reação do PSL à derrocada do ex-homem forte de Bolsonaro foi o primeiro exemplo prático da desarticulação que norteou a chegada do presidente ao partido. O grupo de bolsonaristas mais alinhados ao Palácio do Planalto, e que coincidentemente são entusiastas do filósofo Olavo de Carvalho, como é o caso do príncipe-deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, aplaudiu a demissão de Bebianno e guardou para si qualquer crítica à forma como o desenlace ocorreu, sob a batuta do filho Carlos Bolsonaro. Os aliados de Bebianno, grupo em que se enquadram nomes como Joice Hasselmann e o também deputado Julian Lemos (PSL-PB), têm dito a interlocutores que discordam da forma como a fritura do ex-ministro foi conduzida. Lemos, nome forte da campanha bolsonarista no Nordeste, afirmou a aliados que se surpreendeu com a atitude do presidente e que desconfia ter se enganado sobre sua índole ao ver a forma como agiu com Bebianno. Nesse núcleo, a animosidade em relação aos filhos de Bolsonaro é patente — sobretudo em relação a Carlos, a quem alguns parlamentares se referem, nos bastidores, como Tonho da Lua, em referência ao personagem da novela Mulheres de areia que aparenta ter problemas psiquiátricos. O apelido maldoso é justificado, na avaliação de alguns nomes do PSL, pela incapacidade de Carlos em manter um diálogo linear e por seus rompantes de raiva. Também nesse núcleo já começa a circular uma análise um tanto pessimista a menos de dois meses do início do governo: diante da desajeitada atuação de Bolsonaro no caso Bebianno, discute-se a hipótese de a instabilidade palaciana inviabilizar o futuro do atual governo.
O restante da fauna do PSL é heterogênea e não tem liderança clara ou norte político, exceto o apoio a Jair Bolsonaro. São youtubers, policiais, militares, influenciadores digitais, ex-ator pornô e representantes de setores que embarcaram desde o início na candidatura do ex-capitão, como é o caso do agronegócio. Como todo partido nanico, o PSL não tem origem orgânica, lastreada em ideias ou projetos para o país. Mas, por influência de Bolsonaro, predominam em sua composição valores e costumes alinhados aos do capitão. Há até espaço para uma “comunista”, como vem sendo chamada a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), uma das autoras do processo de impeachment de Dilma Rousseff, por não poupar críticas aos últimos eventos protagonizados pelo governo Bolsonaro e seu entorno familiar, a exemplo do caso Queiroz e da própria demissão de Bebianno. “É inadequado que o presidente deixe essa situação se estender por tanto tempo. Decidiu demitir, demite, para gerar um pouco mais de estabilidade para o país”, disse Paschoal. Cotada como vice no período eleitoral, ela negou a empreitada por motivos pessoais e abraçou a candidatura estadual. Mas o fato é que, entre os campeões de voto do partido — amealhou 2 milhões —, só Paschoal foi lançada à presidência de uma Casa legislativa. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, eleito com 1,8 milhão de votos, atuou apenas nos bastidores na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, apoiando Rodrigo Maia, e o Major Olímpio, que chegou ao Senado com mais de 9 milhões de votos, desistiu de sua candidatura sob o argumento de que o governo Jair Bolsonaro precisava garantir apoio da casa para governar.
Nos primeiros dias de fevereiro, logo após a posse dos deputados e senadores, não era raro encontrar, no fundo do plenário da Câmara, parlamentares do partido que não se conheciam e acabavam de ser apresentados uns aos outros. Conforme as sessões tiveram início, a bancada passou a se aglutinar nas primeiras fileiras da direita, onde poucos meses antes estavam lotados o MDB e partidos aliados de Michel Temer. Como a exposição nas redes sociais tornou-se prerrogativa no PSL de Bolsonaro, muitos de seus expoentes chegaram à conclusão de que, se ficassem mais à frente, em pé, próximos da tribuna, seriam mais facilmente captados pelas câmeras de TV. Portanto, não raro é possível vê-los eretos abaixo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com o olhar perdido, em busca de um flash. Outros comportamentos de pesselistas são menos sutis para atrair holofotes, como no caso do ex-ator pornô Alexandre Frota, eleito deputado federal por São Paulo e que, no ápice da crise com Bebianno, esmagou uma laranja ao final de um discurso na tribuna. “Laranja podre, no PSL, será esmagada”, disse.
As nuances internas do PSL extrapolam o perfil diverso dos integrantes da sigla e esbarram em questões concretas. Tramitam, hoje, no Supremo Tribunal Federal (STF), ações movidas pelo PSL em seus primórdios e que contrariam parte do que é defendido pelo presidente e seus aliados. Uma delas questiona uma lei federal de 1989 que prevê a prisão temporária, um dos trunfos da Operação Lava Jato. O partido alega “desatendimento da garantia do devido processo legal”. Em uma ação de 2016 que ainda não tem data para ser julgada, a sigla contesta trecho da lei sobre organização criminosa — que, por sua vez, serviu para enquadrar muitos investigados da Lava Jato. O partido critica a suposta “criminalização” da atividade política e argumenta que a lei quebra a presunção de inocência e o princípio da dignidade humana. “É preciso impor limites aos exageros perpetrados, institucionalizando a proibição de o membro do Ministério Público externar opinião sobre os procedimentos submetidos a sua apreciação que possa causar danos à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e à dignidade das pessoas”, afirma processo, em clara contradição ao entendimento do ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre a questão.
Incongruências à parte, nada foi tão emblemático da falta de entrosamento do PSL e de sua fraca liderança na Câmara dos Deputados como a derrota na alteração da Lei de Acesso à Informação, sancionada pelo vice, Hamilton Mourão, enquanto Bolsonaro viajava para Davos, no Fórum Econômico Mundial, em janeiro. O maior partido da casa não conseguiu mobilizar uma base para manter a mudança na lei e foi derrotado pelos próprios aliados, como o DEM, que votou maciçamente contra o governo. Observadores do Salão Verde veem nessa derrota a digital da velha política: diante da fraqueza do partido presidencial, Maia quer demonstrar força para barganhar poder junto ao núcleo palaciano. Em seu primeiro intento, teve sucesso. Nas semanas que precederam a votação, pelo menos três deputados relatam o uso de métodos mais rasteiros pelo presidente da Câmara para mostrar poder: ele teria ligado para os líderes partidários sugerindo o esvaziamento da primeira reunião de lideranças convocada pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Escolhido por Bolsonaro por sua lealdade durante a campanha, Vitor Hugo ocupa posição solitária — não é encarado por colegas de partido e de casa como elo político com o governo. “Se alguém quiser mandar recado para o governo, fala com quem?”, ironizou o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE), cujo pai, Fernando Bezerra, terminou a semana como líder do governo Bolsonaro no Senado. A Casa, agora presidida pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), sob a tutela de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, é vista como problema menos grave para o governo do que a Câmara. Exonerado num episódio burlesco com Bolsonaro, Bebianno pode complicar o atual governo. Foto: Ricardo Moraes / Reuters Exonerado num episódio burlesco com Bolsonaro, Bebianno pode complicar o atual governo. Foto: Ricardo Moraes / Reuters
O tempo que não foi gasto pelos deputados bolsonaristas para articular uma base de apoio foi dispensado a picuinhas internas de forte impacto nas redes sociais e nenhuma serventia prática. A primeira grande crise do maior partido do Brasil ocorreu em janeiro, quando 12 parlamentares foram à China a convite de autoridades locais para, entre outras coisas, conhecer o sistema de reconhecimento facial da gigante de tecnologia Huawei. Olavo de Carvalho qualificou os deputados que lá estavam de “semianalfabetos”, alegando que eles poderiam “entregar” informações dos brasileiros a Pequim. Até hoje o núcleo mais ideológico da bancada do PSL isola a chamada “bancada da China”. A Eduardo Bolsonaro é atribuída a autoria da postagem de Olavo de Carvalho.
Alguns deputados do PSL veem o comportamento exaltado de membros do partido como atitude contraproducente no momento em que os esforços deveriam se voltar para a aprovação da reforma da Previdência. Outros acham que o segredo do sucesso está justamente na postura agressiva. Carla Zambelli (PSL-SP) ganhou notoriedade ao liderar o estridente movimento Nas Ruas e concorda que é preciso rebater cada questionamento, alto e bom som, pois “é isso o que os eleitores querem”. O Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido na Câmara, vai além e diz que as brigas “na frente de todo mundo” são “um novo modelo a que muita gente não está acostumada”. Ou então, em suas próprias palavras: “Nossos debates não são atrás das portas”. Já Felipe Francischini (PSL-PR), que ocupa o lugar do pai, Fernando Francischini, pensa diferente. Desde que foi eleito, trabalha nos bastidores para estabelecer algum diálogo com os partidos e com Rodrigo Maia.
Como a esmagadora maioria dos deputados do PSL inicia o primeiro mandato, em alguns momentos a inexperiência ganha tons de comédia, como ocorreu na primeira votação da atual legislatura, no início de fevereiro. O plenário votaria uma lei sobre o bloqueio de bens de organizações ligadas ao terrorismo. Havia aval de Sergio Moro. Mesmo assim, o caos perseverou. O Major Vitor Hugo foi pressionado pela bancada da própria sigla e teve de negociar uma alteração do texto no momento em que o tema já era discutido em plenário. Parte da bancada achava que parte do texto feria a soberania do Brasil e seria uma forma de “entreguismo à ONU”. A alteração foi feita contra a orientação do Executivo, e a proposta foi aprovada. Depois do episódio, o governo passou a despachar técnicos para explicar, na Câmara, as pautas que seriam votadas. Como a palavra “China” não sai do anedotário do partido, na primeira ocasião em que os parlamentares receberam os técnicos, Carla Zambelli fez uma pergunta singela e fora do contexto da reunião. Quando esteve na comitiva, um empresário chinês havia dito que ele possuía um porto no Brasil. Ela, então, perguntou se isso não feria a soberania do país. O técnico teve de explicar que tratava-se de uma concessão privada.
Outro expoente da ala estridente é o policial do Rio de Janeiro Daniel Silveira, que participou do episódio em que uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco foi quebrada. Ele tem alardeado um projeto de lei que, se aprovado, autorizaria a cessão compulsória de órgãos de criminosos mortos em confronto, sem autorização das famílias. “Bandido morto, órgãos cedidos” é a forma sutil de anunciar a proposta em seu Twitter. No dia 7 de fevereiro, Silveira desabafou no grupo de WhatsApp da bancada. Depois de o líder do governo, Vitor Hugo, ser atacado pelo colega Julian Lemos com a ordem “lidere ou saia do posto”, ele resolveu desferir uma saraivada de críticas: “Percebi que uma boa parcela está preocupada em apertar as mãos em acordos que visam seus umbigos egocêntricos (...). Percebi que o presidente está mais sozinho que parece”. As brigas são tantas que Luciano Bivar disse, em uma ocasião, que os insatisfeitos e interessados em sair do partido poderiam valer-se de uma carta por “justa causa”, sem perder o mandato por infidelidade partidária. Ele chegou até mesmo a mandar um modelo de carta no grupo de WhatsApp da bancada.
A pulverização do partido entre ideias heterodoxas e inexperiência política fez emergir rompantes de sensatez de onde menos se esperava. A deputada Joice Hasselmann, que apareceu com algemas na tribuna da Câmara para insinuar intolerância com a corrupção, foi uma das vozes equilibradas em meio às discussões sobre a saída de Bebianno. Enquanto o ex-ministro desferia ataques velados ao Palácio do Planalto, hospedado no hotel Golden Tulip, dias antes de ser exonerado, era Hasselmann, que começou sua empreitada política disputando espaço com Major Olímpio, quem tentava contemporizar. Em uma das investidas para conter a fúria de Bebianno, ficou até a madrugada conversando com ele e a mulher no hotel. O resultado foi um avanço político para os parâmetros ainda rudimentares do PSL: Bebianno caiu atirando somente para não terminar sua breve estada no governo com a pecha de mentiroso, mas desistiu de ir além e mostrar outros áudios que possui. E que talvez não sejam do agrado do governo. Trata-se de sangue-frio digno da velha escola Renan Calheiros.
Com reportagem de Renata Mariz e Cleide Carvalho
https://epoca.globo.com/o-que-o-psl-partido-do-presidente-23469274
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2018.10.05 02:41 DrkSrk -Poesias- (Livro : Ouro Acrético/Minha autoria)

Oceano
Lago límpido
Hábito pouco apreciativo
Ouvinte aceito,criança plena
Sagrada janela de sonhos tema.

Estruturação de uma mente de poucas memórias
Sendo as tais nada além de bons sonhos
Talvez pesadelos numa cortina de fumo e fogo
Razoávelmente sem emoção alguma
Um Diático Ascítrico Sintético Indigno
Também uma vingança de pouco objetivo
Um Cinético energético caótico Místico
Reação violenta ao que persigo
A Moeda tem dois lados mas as Fatias de uma maçã
Contém ainda mais faces desconhecidas num turbilhão
Avermelhado de variáveis e sintetização
O Magnum Opus de um grande Ser Sensação.
De Poucos Fazem-se muitos
E notas não lhes são necessárias
Uma Oração,um sacrilégio silenciado pelas bocas do vento
Maleficência e eficiência em olhos que não enxergam
Ao meu Ouvir,Pois o ver não me é permitido.
Mente,pois,de suas inebriantes propostas
E Sua língua está pregada a suas próprias palavras
Num Fruto De razões Sobrepostas
Término De um domínio de Pregações Severas
E serpenteante Venenosa Obrigação As Tuas Costas.
De quem é a culpa daqueles que não podem ouvir lamentos?
E Talvez não escutam murmúrios lançados a brasa ardente.
Paraíso Perdido de pouca ternura e Banalização
Ouvir Inconsequente,Chorar Sem Olhos,Comer Sem Boca
Um Tato Sem Mãos,Ou O Paladar Sem língua
Conteúdos de um apologético Mistério
A qual se convém a Poucos e jamais aos que testificam
Sapientes subservientes sementes No Plano Cemitério
Mande as mãos que escrevem a fornalha
Então Devorem as cinzas de sua própria falha
Mortificando-se ao justificar erros cometidos por mãos e
O Homem imperfeito nada presente
Retas numa folha de papel sem cantos
Insuperável erradicação fatalista e cataclísmica do
Absurdo fantástico ao que venera-lhe a Mente
Senão o coração A Que Pouco Bate em uma existência Crítica.

P e r o l a s A o s V e n t o s
S e F a z e m S e n t i r
E m o ç õ e s E M o m e n t o s
P a r a R e f l e t i r

Mente perturbada de poucas memórias
Então conturbada com poucas histórias
Nada compara com poucas vitórias
Também maltratada com lágrimas inglórias
E mesmo assim,mente como mente.
Para tudo e para todos deixou de existir
E seu passo frenético de nada se fez
Rotações aceleradas de olhos cínicos
Tomadas por algo apercebível,clínico
Uma manhã,um sonho de enfim se foi
Rota mística de lugar algum
Balões vermelhos que não fazem sorrir
Acrítico,acrílico,acético,Acscendente
Dominós caindo num sonho inconsequente
A fim de que possas enfim,fechar os olhos e.... dormir.

Homem De Poucas Palavras, a um pertenço e Sozinho estou.
Heliocêntricamente Abdicado de meu brilho
Livre Das Amarras Eletrônicas do Martírio
Ambivalente Ator.
E como Metálico,Me comporto em padrões Conhecidos
Agitado Por Imãs Que me põem em linha.
Como Um gênio,Crio Halos Em Meus Tecidos.
Mas Posso Ser Ametal,E não Obedecer as ordens que Continha.
Por Linhas vejo passar um período de tempo
E cada Grupo De Ossos de minha coluna é Alinhado a disposição
Numerado Em Memórias que me trazem a tona,lhes contemplo
Ao que Atomicamente Me Destilei Da raiva E retomei uma nova posição
Sinteticamente colaborado,feito sob medida,incontável
De Muitos Elementos,Balanceado
Ao que Minha valência significa Primeiro,estável
E De vários átomos Posso Me Fazer em liga atado.
Do Raio Que Convêm da tempestade,me Faço Atomico
E Meu Ser,De Alcalino,Se convêm nobre.
Ionificado,Posso Me Tornar Comico
Ser Denso Como ouro,chumbo,ou até mesmo conduzir como Cobre.

Saboreie o retorno a tua ruína
Angustiante procrastinação que o adocica
Nexo ao que prescrito és
Gravado em tenras rochas o faz eterno
Um retorno a alucinação coletiva
E do eterno o material se evidencia.
Numerosas falhas estritas em seu corpo
Escritas na margem do desgosto
Gema dilapidada e escura como a matriz de um segredo
Rota de erros,esculpida de temor e de abominação
O erro do homem se marginaliza numa escada de sangue negro.

As sete horas,o fogo queimou a todos
Mas as chamas saíram de suas bocas
Navios afundaram no álcool em palavras roucas
E o espírito incandescente avaliou-se de fogo
Silencio ecoou pelas florestas pelas bocas queimadas daqueles
Impios,peões de si mesmos ao que afagava-se a balbúrdia
Ao que caíram suas múltiplas cabeças com a espada da angústia
Com o horror que inflamava apartir deles
Olhos sangrando
Gosto rústico de aço e arame
Nomes supondo
Os olhos rutilantes
Sacrilégio ao gosto de rum e aspartame
Tempo que jamais andou durante a passagem
Incendiados por si mesmos,mortos por si mesmos a sua viagem
Conscientes de sua falha,com o arame a volta de seus pescoços
Ao tempo o tempo anda,ao que vivenciam,compostos.

O tempo onde as folhas caem ao chão
Um momento,assopradas pelo vento da unificação
Tanto eu como o destino sabemos desta data
O dia mais importante de minha jornada
No papel está escrito que devo ser como as folhas
Oceano desesperado,de múltiplas escolhas

Achado como aquele que insiste
Homem de miseria num algo que não existe
Lago de minha memoria que persiste
Incomensuravel falha a que caíste

oxɘlʇɘЯ oxɘn mɘƧ oxɘnoɔƨiᗡ oxɘvnoƆ

"Eu sou como fumaça,e passo pelos vãos de teus dedos.
intragável,escapo pelos furos dos potes onde tu me prendes...
improvável,que me catives ao que deixas aberturas por onde eu possa
passar... mas mesmo assim,mutualmente.....
neste enorme jogo de gato e rato ao que tentas me obter,ao que escapo de tuas mãos... somos um e partilhamos da mesma vontade.....
de ter um ao outro,juntos em uma eternidade."

-Réquiem Para o Meticuloso Capitão-
O capitão navega pelos lençóis de água,Desafiando a maré
Tentando buscar e saber ou entender o que é e porque é
O horizonte é equiparável ao pontilhar de sua bússola
Triunfante e exato num oceano de emoção lúcida
O Engatilhar das âncoras, anuncia o destino então alcançado
Torrencialidade em tempestades secas de areia de todo o lado
O Sol então o cumprimenta com severidade em seu calor
Tua alucinação no deserto mostrará quem deve ser a teu valor
O Deserto o chicoteia com ondas de calor escaldante
Tão somente calor enverga aos olhos o pontilhado do horizonte
O seu barco não existe,castigado pelas areias do tempo
Tampouco ao chapéu e âncoras,rasgadas da ilusão pelo vento

O sonhador em sua partida,lembrou-se dos
Segredos que foram enterrados nas nuvens
Orientação que fora feita com líquens
Natureza sólida ao seu redor
Há de haver algo maior e melhor?
Ao que o mundo é belo a tudo o que vê
Do que contêm-se nas gotas de chuva a previsão,prevê
O tempo que sempre andou e sempre irá andar
Regras para um ardor que jamais cessará

Querubins adornam tuas vestes de maneira impronunciável
Uma alva vestimenta perfeita,sob medida volúvel,palpável
E em caminhar-te ao local destinado,as pedras se movem
Ruas se tornam retas e aos velhos se entoa que são jovens
Um ser cujo destino é agradar aos outros,e jamais a si
Bom grado é o que lhe move e gratificação não busca em ti
Inapto ao grande banquete,do lado de fora remanesce
Mas não importa,pois a tudo tem,ao que convêm a ter vem e tem ao que merece

Câncer de suas indústrias que não cessam
Ao tomar vantagem da produção que almejam
Não se importando com o quanto matam
Cerrando os olhos a indiferença que exalam
E ao vapor do trem,as batidas dos carros
Reacendem as brasas dos malditos cigarros
Indicando descaso com a própria vida
Ganhando as custas de gente sofrida
E com muito desgosto
Na palidez do rosto
O que mata não é pessoas,mas o que elas criam,composto

Entretenho-lhe com entrelinhas da alma
Sobriamente apagadas,repulso a calma
Pelos dedos me esvai a vida
E pela mão me esvai a caneta tingida
Louca,vermelha de sangue ao escrever
Horas e palavras sem sentido ao alvorecer
O ponto do fim já vem depressa.
Do tempo me reserva pouco
O vazio do coração me agracia,oco
Psiquê mexida como as notícias que abalam sua vida
Linha retorcida ao que me espera somente o repouso
Alva e com foice afiada e polida
No pescoço pousa e corta a mim,tem bom uso
O tempo não preza,de levar ao que tudo de novo começa.

Obrigações de ouvir sonhos
Barras de ferro não fecham prisão
Riachos não escorrem por canos de diferentes tamanhos
Indiferença ao ouvir minha atenuante razão
Graças a ele podemos ser
Ao ouvir as gotas de orvalho caírem ao relevo
Coração batendo para que haja o florescer
Ao amor que jamais se esvairá com que escrevo
Obrigação é ser,lutar por,viver e assim então,renascer.

Desejo cegar meus olhos para jamais ver
Ensurdecer meus ouvidos para não ouvir
Saciar minha sede de saber palavras de auto preservação
E assim sustentar
Jogos de dualidade ao que a raiva toma a noite
O dia sendo coberto pela macia seda do tecelão.

Rosas sombrias de beleza inigualável
O sonho ambíguo e inseparável
Sensação única e inexorável
Ao manto de pétalas inexplorável
Sagrados gracejos e som inaudível
No lago de seus olhos pesquei
E fisguei a mais bela das rosas de verão
Ganância tê-la só para mim então
Rasurando minha mente com sonhos que nunca serão
A rosa negra que plantou em meu coração
Será lembrança das coisas que virão.

Azul royal brilho salgado
Zumbido angustiado com o gosto de sal
Um mar ríspido de orgulho e mágoa
Languidos a carcaça esmirrada da falha
Royal,imperador absoluto
Oceano impoluto de escolha e resoluto
Yahtzee cruzado,pouco se sabe ao que lhe atravessava
Ao que o mundo que ninguém contava
Labaredas escondidas a sua boca ao que nada falava.
Maestria na obra - supra sumo
Indignado ao conteúdo que consumo
Sonho que teço em minha teia e resumo
Trabalho ao que pouco anseava o amo
Indico com minhas flechas não o cupido mas o sonhador
Com passos lentos presumo e anseio pelo que vem ser,horror
O mundo de caos e linho ao que as flechas apontam a mirar o marcador
Soberano tecido do céu
O véu que cobre o seu rosto intocável
Berílio pó,chumbo corante
E da noite se faz as cinzas cortantes
Retas que não são se tornam,surreal implacável
Amarelo ouro que entorna,e cessa ao que transforma
No mundo,o ideal
O sonho cranial.
Ao que tecem as aranhas
O que encanta as entranhas
Que os ossos não tornem a voltar ao pó de que surgiram
Uma ambientação que não volte a ser principiada no que resumira
E que se tornara e vira.
Os olhos de conhaque brilharam fraco
Imperador e imperatriz,
Mestre e matriz
Príncipe e princesa,rivais por um triz
E os sonhos mirrados são concertados
Retas e linhas são de volta traçados
Ao que nada e tudo se tornam em um
Da dor que tudo sabe se torna sábio de nenhum
Orador da dor
Realidade impossibilitada de existir no ardor
Dera a mim a mão sombria
E a minha face tornara breve o tecido sonhador,e do tecelão que ainda iria
Realizar sua obra,o magnum opus que se tornaria
A realidade que iria vir,e que seria
Adorada e imprescindível
Ordem nesta casa de injustos
Roedores de pés justos
Dentes rasurados ao que malabares robustos
Emaranhados rútilos
Muitas regras ao que o azul royal dera aos seres sustos

Escrevo por poesia pois é minha maneira única
Semblante não o tenho e contemplo do templo a túnica
Corro de vozes e gemidos em onda sônica
Roo minhas unhas em vertigem crônica
E minhas palavras tornam se verso e música,sinfônica
Variações de uma ambientação disposta a ser,harmônica
Ouço a voz retocar me os ouvidos com audição clínica.

Diga-me o que não sei
Da dúvida se faz rei
Dormente nas mãos alguém
De cãibra se faz ser ok.

As engrenagens tem só uma função
Bater e funcionar como um coração
Cordas e válvulas em acordo entrarão
De certo compondo e terminando,sua nobre função.

Eu falo mais por aqui
Uma convivência sozinha e impróspera é tudo o que tenho.
Falo por mim
Ao que meus hobbies não me ajudam a afastar a solidão
Lá do fundo da psiquê a pioram
O que resta de mim então
Mas o que tenho além de suspiros
Ao que meus braços sequer me obedecem
Indo a ser aplacados por um ser invisível
Só me consome por dentro ao que não me apetece
Por
Outros já dei a voz
Roer o céu de estrelas dentro de uma casca de noz
Aqui é meu descanso e destino
Que ficará aqui comigo para sempre,vespertino
Um emblema do sonho quebrado
Ignóbil e mirrado,atado ao desprezado

Procure as você mesmo
Resuma a busca você mesmo
Oculte-se de si mesmo
Cure a ti mesmo
Una se ao mesmo
Resuma a procura pelo mesmo
E encontrará o motivo de ser o mesmo

Ele coordena a vida por parte
Languidamente admira seus livros e arte
E observa os reinos em seu estandarte.

No que deveria sentir me grato. ao que entende que
Algo morrera,preso a máquina
O que se tornara um andarilho de múltiplas facetas
Que sonhos almeja em sua vitrine
Um doce sossego
E um poeril sóbriamente juvenil?
Realizo a mim a escolha que fiz ao sustentar assim o ego
Ver o mundo como eu vejo não é fácil
Eu é que me ato a natureza a que respiro
Ruidosa mente de pouco cria muito.
Olho para ti e lembro deles.
Porém.... o que é?
O o segredo extasiante me põe a prova
Roo as unhas do saber em apreensão
Do que se faz?
O que busca?
Segredos e respostas talvez muito óbvios
Ouvi a sua história
Lhe agradaria ouvir a minha?

Eu me pergunto
Um dia poderão desejos serem realizados?
Tamanha crença nos leva a lugares nunca antes vistos
Ao que muralhas não nos separam dos sonhos.
Lindo ao que o impossível é derrubado e se troca pelo
Verdadeiro.
Eu sei o que busco e espero que um dia...
Zeros tornem se algo novamente e eu possa sonhar como você.

Muitas letras possuo,muita história guardo
Em minhas inúmeras andanças
Morros subi,estradas percorri
Ouvi histórias e as guardei na lembrança
Rios atravessei com meu maquinário
Impios derrotei com meus diálogos
A mim se percorre o dom
Sábio de guardar a memória dos seres em claro e bom tom.

Andava em zona de guerra.
Não havia ninguém nela senão soldados.
Andava com flores.
E eles com armas.
De tanta luta e sangue,o mundo tornou-se sem graça ou vida
E agora,ando com armas em meio as flores
Do contrário não viveria para ver o pôr do sol.

Alguma Vez já lhe disseram que até o futuro tem fim?
Na beira do espaço eu aviso estrelas de sua direção.
Atualmente há mais poeira do que estrelas. talvez assim
Linguagem louca,pare de entoar esta canção
Indico aos fogos e faço fatos
Tato se torna inexplicável num mundo exato
Imito e limito ao prático
Cacos de céu plástico
O Minério Eu desfaço com olhar analítico

Lenda brilhante inalcançável
Um sonhador preso a seu próprio amor a terra.
Ao que busca girar,se equiparar ao astro rei amável

Na escuridão do tecido,o berço de prata não mente ou erra
O turbilhão de estrelas ao sonho escurecido não é afável
Voam,cintilantes,ao destino final,sem paz ou guerra
A torno da majestade dos céus,de brilho emulável.

A natureza dos sábios a trouxe a mim em busca de resposta.

Não sabia o porque queria saber.
As linhas de seu martírio,sobrepostas
Também escondiam feridas incuráveis do viver.
Uma vez,um sábio me disse
Razão nenhuma encontrará nas coisas do ser
E somente ao sentir o universo como sentisse
Zumbidos de fundo,encontraria assim o que procura obter
A não ser que seja para ganho próprio

Da água não vem óleo,transformação não vem só por querer
O sonho do homem não se convêm a si,sóbrio
Somente sendo livre das amarras de si poderá então crer.

Somente abrindo os seus olhos e aspirando o que pode alcançar
A vida então poderá lhe ser tragável
Boa sabedoria que se possa realizar
Indagando por acontecimentos causados por gente afável
O sonho não morre,sendo sustentado pela coluna da vida a laçar
Somente assim o sábio encontrará o fim de sua jornada proposta.

Liso como o papel do qual compõe-se a obra
Escamoso como a pele de uma venenosa cobra
Se tiro do resto nada sobra
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